domingo, 27 de dezembro de 2009

Gran Torino


Não pude ver este filme no cinema, acabei pegando na locadora ontem e ao ler as notícias de hoje no Globo, vejo que foi escolhido o filme do ano pelos críticos do jornal.
É um drama que costura várias histórias e reflexões acerca de um microcosmo americano, mas que serve de inspiração para pensarmos sobre o que acontece também ao nosso redor: a terceira idade, valores familiares, choque de culturas, criminalidade, doença, solidão, religião etc. Um filme riquíssimo dirigido por Clint Eastwood, um dos meus favoritos. Não acho que ele seja um ator tão versátil, mas ele faz bem, muito bem, os papéis que escolhe. Quando achamos que o personagem vai se vingar e fazer justiça com as próprias mãos, ele nos surpreende (não vou contar o final...) e resolve boa parte dos dilemas de sua vida num ato simples, mas trágico. Não, ele não é o Dirty Harry de outras épocas, com certeza que não é. É algo mais complexo, permeado de sentimentos sutis e contraditórios. Quando achamos que nos conhecemos, somos tomados pela surpresa de nossos atos; deixemos a porta aberta para mudar...

Roberto

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Arte e Percepção Visual


Este é o título de um livro que estou lendo. Bastante interessante, aliás. Um dos parágrafos do capítulo sobre desenvolvimento, que descreve as etapas do desenvolvimento artístico de uma pessoa, afirma que os primeiros desenhos de uma criança são expressões gráficas desprovidas de um sentido específico, manifestações de prazer e exercício motor de fazer visível, algo que não existia anteriormente.
Alguém já parou para pensar nesses controles do Nintendo Wii? Não são apenas formas de interagir mais realisticamente com o meio virtual. Não se trata, necessariamente, de estar dentro de uma partida de tênis a partir do uso de um controle com o formato de uma raquete. Numa análise mais detida e em confronto com o que descrevi acima também é uma forma de reprodução desse ato de criar a partir do nada, do prazer motor associado. Observem os movimentos executados por uma criança jogando o Wii (eu fiquei reparando nisto antes de ter lido o capítulo do livro), se assemelha ao ato de desenhar espontaneamente de uma criança.

Roberto

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Zaica

Era uma vez, em uma manhã chuvosa, uma gatinha que não parava de miar. Estava eu, a atender meus pacientes, no posto de saúde, quando naquele dia qualquer, um ser quentinho, cheio de frio, se enroscou em minhas pernas e nunca mais nos separamos.

Havia acabado de atender meus pacientes e me preparava para ir embora, quando curiosa caminhei até a porta para descobrir que gatinho era aquele que insistentemente estava sendo jogado janela a fora e toda vez voltava a entrar. Era uma coisa miúda, suja de lama, e miava como pedindo um colinho, alguém para lhe amar. Quando me voltei para dentro do posto, em menos de 2 minutos, aquele bichinho 'asqueiroso' já me surpreendia se esfregando em minhas pernas, levei um grande susto, mas quando olhei para baixo não pude resistir àquele golpe 'baixo' no meu coração. Ela já era um dengo só, e como dizem que os bichos se parecem com os seus donos, ali estava a prova de que havia encontrado a sua 'mãe'.

A grande sorte da Zaica, naquele dia, foi eu não ter conseguido telefonar para o Roberto pra lhe pedir autorização para levá-la pra casa, diante do impasse não titubiei, arrumei uma caixinha de papelão e partimos direto para um pet shop e depois à uma clínica veterinária. Não sabia ainda se era macho ou fêmea, mas olhei pr'aquele serzinho e falei: Se você for gata vai se chamar Zaica! E pronto ali se consumou o batismo. Na clínica, outra grande surpresa , a veterinária que estava atendendo foi minha amiguinha de classe no primário; dois presentes especiais em um mesmo dia!

Passei na casa de um amigo, também veterinário, e lá dei conta do trabalho 'sujo', dei banho, passei remédio pra pulgas, que eram tantas que formavam verdadeiros calombos pelo seu corpo, escovei o pêlo e acabei de espantar o que sobrara delas com um potente secador de cabelo. Alimentada , acarinhada e cheirosinha, sua carinha já era outra.

À noite passei na clínica para buscar o Roberto para irmos para a aula de dança. Coloquei a Zaica no colo sobre minhas pernas, ele entrou no carro e nem reparou, eu comecei a rir, ele me olhou e eu apontei pro meu colo. Ele quase teve um filho, exclamou quase irritado: Débora, o que este gato está fazendo aí!?

Contei toda a história, mas ele continuava resistente e dedicava-se então a desfiar as opções para o destino da gata. Fomos pra casa, deixamos ela do lado de fora do quarto, ela chorava chorava e chorava, então a deixamos entrar. No dia seguinte quando acordamos a gatinha estava dormindo na barriga do Roberto, e ele, já acordara apaixonado por ela. Desde daquele dia surpreendente (06/11/2007) , aquela gatinha dengosa, ciumenta e geniosa não desgrudou mais da gente e nos deu e dá até hoje muitos momentos de amor, alegria e surpresa.

Débora

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Lembranças da Itália "por ela"














Também estou morrendo de saudades da Itália! Nesta foto despretensiosa, o Roberto me clicou passeando pela Piazza Navona, e realmente estava lindo assim.

Não sei se consigo ser tão concisa para enumerar do que mais gostei, mas vamos lá:

1. Fontana de Trevi Um sonho, parece de mentira de tão bonita. Queria jogar todas as minhas moedinhas lá pra voltar muitas e muitas vezes, mas joguei só duas, afinal o euro está muito caro.

2.Sorvete de Fruti di Bosco. Aliás tudo de fruti di bosco (cereal, iogurte,etc), mas o sorvete, só de imaginar, me vem aquela textura maravilhosa que só o sorvete italiano tem.

3.Veneza. Uma miragem feita de água, mar e amor. Irresistível!

4. Assis, ou melhor, Assisi, como dizem por lá. Saudade da viagem de trem e da nova amiga curitibana que "ganhei" durante o passeio; foi um dia inesquecível com um por de sol inenarrável.

5.Do cheiro. Cada lugar tem um cheiro, e com ele vem junto uma atmosfera de sensações e lembranças. Não sei explicar com que se parece, mas sei que é cheiro de Itália, agora já sei como é, se um dia, por ventura sentí-lo em outro lugar, conto pra vocês.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Coco antes de Chanel


Lindo filme que assistimos no Rio Design. Esteticamente é belíssimo e faz jus ao tema que é abordado, a biografia de um mito do mundo da moda. A cena do baile, o desfile das modelos que passam por uma escada espelhada, Chanel deitada em meio a um chão de flores...Como faz bem aos sentidos um filme como esse. Comentei com a Débora "é inspirador, como se estivéssemos apreciando quadros num museu ou fotos numa exposição", nos faz pensar, admirar e refletir sobre a importância de um filme como fonte de inspiração para outros trabalhos. A história deixo para vcs conhecerem quando forem ao cinema.

Roberto

Parabéns Fluminense!

O ano ainda não está salvo, mas tenho orgulho da epopéia tricolor. Não levamos a Copa Sul Americana, mas saímos de cabeça em pé. Ao ler os comentários de outros torcedores no blog do Juca Kfouri, o que mais me chamou a atenção foram os elogios de vascaínos, flamenguistas, palmeirenses, corintianos e outros à garra e dedicação deste grupo tricolor. Aconteça o que acontecer, estão de parabéns.

domingo, 29 de novembro de 2009

Lembranças da Itália

Olhando o vídeo que fiz com as fotos da viagem, me bateu uma saudade do passeio que fizemos. Fora os contratempos que tivemos, a viagem foi boa. Não vou me esquecer:
1- de Roma como um todo, é uma cidade imponente, principalmente próximo e na via dos Foros Imperiais;
2- dos sorvetes da Vivoli em Florença. Nunca comi um sorvete tão bom na vida. Antes de morrer quero voltar lá para sentir de novo o gostinho
3- do passeio sozinho, de manhãzinha, tirando fotos pelos distritos de Canareggio e Dorsoduro em Veneza;
4- da sala de visitas da Europa, segundo Napoleão: a praça São Marcos. Dos lugares mais bonitos no continente europeu, este é um deles, sem dúvida.
5- das obras de Michelangelo na Galeria della Accademia em Florença
6- da pizza Diavola no restaurante Galeria em Milão (Galeria Vittorio Emanuelle)

Roberto

sábado, 28 de novembro de 2009

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A Bela e Misteriosa Veneza


Na manhã do nosso último domingo em lua de mel, tomamos nosso café da manhã e partimos pelas ruelas da pequena cidade rumo à estação; pela última vez contornamos as esquinas silenciosas na manhã cinzenta de outono. Enquanto esperávamos o vaporetto (pequena embarcação que funciona como ônibus), aproveitei para observar atentamente o movimento da cidade: alguns caminhando agilmente numa impaciência típica italiana, uns lentamente, embebecidos com a beleza do lugar; outros a tirar fotos compulsivamente como se Veneza fosse desaperecer a qualquer momento. É vero que a cidade está afundando, que alguns poucos canais cheiram mal, que os italianos são rústicos; mas nada, nada se compara à Veneza : elegante e graciosa diante de milhares de turistas de toda parte do mundo. É intrigante pensar como uma cidade tão pequenina, de ruas apertadas e com população fixa que vem decrescendo exponencialmente nos últimos anos, consegue atrair tantos turistas e movimentar tanto dinheiro: num único quarteirão é possível se deparar com lojas das grifes mais caras do mundo.
No vaporetto, durante o percurso até à estação, turistas, locais e malas se misturavam no pequeno espaço comum da embarcação, enquanto isto Veneza lentamente passeava e fluia pelos canais enquanto nos perdíamos admirando um mistério singelo solto no ar. Chegando na estação, procuramos uma rampa a fim de facilitar nossa subida com as malas , mas a única que existia estava interditada com uma corda( coisas da Itália...); enchemos o peito de ar e avanti pelas escaleras! -Na Europa em geral, pelo pouco que já pude notar, ninguém se poupa a pegar no pesado, eles são ágeis para o trabalho e para se virar, ninguém fica meia hora para lhe dar um troco numa padaria, por exemplo, e é comum vermos mulheres com crianças a viajar sozinhas pra lá e pra cá, com carrinho de bebê a subir nos trens, malas ou seja lá o que for.
Nos postamos na plataforma meia hora antes da partida e de olhos bem atentos no painel procuramos o binário do qual o trem partiria, afinal na Itália, o seu trem pode partir no horário ou hora e meia depois sem qualquer explicação, assim como ele pode estar a seu dispor quarenta minutos antes da partida ou chegar na estação faltando cinco minutos para o horário, e aí é bom ser ligeiro: em cinco minutos desce quem tem que descer e sobe quem tem que subir.
Já no trem, enquanto atravessávamos a ponte que liga a Ilha ao continente , me lembrei de uma das primeiras músicas que aprendi a tocar: Gondoleiro Veneziano; só então, vinte anos depois pude 'entender' sua melodia bela e nostálgica. Os compassos longos e bem marcados, agora que já vira uma gôndola, percebi que descreviam perfeitamente o movimento suave deste símbolo da cidade, ritmado pelas remadas lentas e potentes dos gondoleiros. Enquanto o trem se afastava da ilha , a bruma suavemente tomava conta da paisagem e fazia, a misteriosa Venezia, desaparecer entre nossas lembranças de um pequeno e maravilhoso tesouro da humanidade.

PS: ...por pouco, enquanto o trem atravessava a ponte e a névoa estendia seu longo tapete ao nosso redor, acreditei estar acordando de um lindo sonho de manhã de domingo...

Itália Colossal

video

Este vídeo contém diversas fotos que tirei durante a viagem de lua-de-mel pela Itália.
As fotos (a grande parte já está disponível) podem ser vistas no meu Flickr (http://www.flickr.com/photos/33366467@N07/)
Abs a todos!

Roberto

Veneza - Cidade dos Canais


22/11/2009
Concluímos nossa visita à Veneza. Foram 4 dias tranquilos de passeio pelas ruas desta cidade secular. O que me seduz historicamente em Veneza é o seu passado que mescla influências bizantinas e ocidentais. Ainda me fascino com a praça de São Marcos e o esplendor da basílica homônima. Ela é diferente das demais igrejas italianas e européias porque foi inspirada na arquitetura de uma catedral bizantina. O terraço da basílica com os 4 cavalos de bronze trazidos de Constantinopla são uma lembrança do passado de esplendor de Bizâncio (na verdade os cavalos no terraço, ao ar livre, são réplicas dos orginais que estão dentro da basílica).
O Palácio dos Doges, ao lado da basílica, é suntuoso. Tudo é monumental, as salas, pinturas e afrescos. A visita é um verdadeiro passeio pela história da ilha e de seus artistas mais famosos. O me causou tristeza foi constatar o que fizeram com a Ponte do Suspiro. Já havia lido sobre isso e pude ver que colocaram uns painéis de propaganda circundando os limites da ponte e tornando-a ridiculamente feia se comparada à visão que tive há 10 anos. Assim como aconteceu na Praça da Espanha, algum “gênio” resolveu fazer um “upgrade” num monumento histórico italiano.
Visitamos 2 museus – além do museu da basílica e o Palácio dos Doges: a galeria della Accademia e o Peggy Guggenheim. O primeiro caracteriza por ser o abrigo dos pintores renascentistas venezianos. Muito instrutivo, no entanto achei o museu um pouco bagunçado e várias salas estavam fechadas. O segundo caracteriza-se pela arte moderna, fruto da coleção de uma milionária americana que vivia em Veneza. A coleção deste museu é um contraponto a tudo que vimos na Itália até aquele momento e quebrava a sequência de Madonnas, Crucificações, Anunciações e outras coisas mais. Achei o Guggenheim difícil de visitar pois os corredores são estreitos e a falação das pessoas atrapalha a observação e compreensão das obras.
Uma ideia que tive durante a estadia em Veneza foi acordar bem cedinho para tirar fotos da cidade. Isto me proporcionou 2 passeios inesquecíveis pela ilha onde conheci outros cantos que, talvez, não pudesse ir e me fez perder-se pelas ruas estreitas da ilha italiana. Nesse horário pude apreciar melhor os edifícios, o vai-e-vém das pessoas e as vitrines das lojas, sem aquela multidão de turistas abarrotando as ruas.
Além de enfeiarem a Ponte dos Suspiros, outra coisa me deixou chateado: o modo como fomos tratados por alguns lojistas em Veneza. As pessoas são tão ríspidas que respondem com “patadas” a simples perguntas que fazemos. A pessoa entra na loja, pede alguma informação sobre um produto e recebe uma resposta cheia de grosserias e ironias gratuitas. A reação destes mal-resolvidos é tão intempestiva que ficamos estupefatos e de boca aberta com o show de grosserias que fazem conosco e até mesmo entre eles. Cria-se um clima horroroso dentro da loja que assusta os clientes e nos faz ir embora em decorrência do tratamento “amigável” que recebemos. Lamentável.
Em nossa estada em Veneza tivemos a sorte de ficar em um apartamento na região de Canareggio. Um apartamento com sala e cozinha, banheiro e quarto. Todos os cômodos razoavelmente amplos e equipados com os utensílios necessários para prover um dia-a-dia um pouco semelhante ao que levamos no Brasil. Foi um conforto e tanto que tivemos e não pagamos alto por isso. O nome do lugar é Palazzo Roza.
Ainda quero voltar à Veneza em outras oportunidades. Talvez o show de grosserias a que fomos submetidos tenha me deixado indignado e decepcionado. Esta é uma cidade tipicamente turística e o comércio é uma atividade fundamental há séculos. Deveriam estar acostumados a lidar com potenciais compradores. Talvez mais 10 anos vão se passar até que eu possa esquecer os maus modos desses infelizes e possa voltar para apreciar de novo esta cidade secular.
Próxima parada (e final): Milão. Voltamos para cidade onde tudo começou.

Roberto

Dias em Florença


18/11/2009
Estamos no trem que vai de Florença à Veneza. Foram cinco dias tranquilos na cidade que é o berço do renascimento, sem os contratempos que tivemos no deslocamento entre Roma e Florença.
A comparação com o período de 10 anos atrás quando estive na Itália me passou a impressão que Roma está mais apresentável. É uma cidade organizada, limpa e fácil de se locomover. Por outro lado, tive uma impressão oposta de Florença. Mesmo com o mapa na mão é difícil se encontrar nas diversas ruas que levam às atrações. O Duomo, a igreja mais importante de Florença, era o ponto de referência a partir do qual nos guiamos em relação aos outros pontos turísticos. A cidade não é grande, no entanto as ruas são estreitas, as calçadas mal conservadas em alguns trechos, há muitas pessoas nos bairros mais turísticos e tem-se a impressão que estamos sempre perdidos. O domingo à noite foi o dia mais cheio que vi nesse período. Em algumas ruas era difícil até andar pelas calçadas. O interior da Rinascente, uma loja de departamentos italiana, estava apinhado de gente por todo lado. Uma loucura.
Das coisas que gostei de Florença, destaco a Galeria Uffizzi e a Galeria della Academia. O primeiro museu abriga uma coleção impressionante de quadros renascentistas. Parece que eles espremeram tudo que havia de bom desse período e colocaram dentro deste museu. Na Galeria della Academia destaca-se o Davi de Michelangelo, acompanhado das esculturas projetadas para a tumba do papa Júlio II. O Davi dentro do museu ganha uma projeção maior do que sua réplica que se encontra na praça della Signoria. As mãos e os pés são desproporcionais e os olhos estrábicos. A musculatura toda delineada como em outras esculturas do artista.
Florença possui uma variedade impressionante de museus. Tive a oportunidade de ir ao monastério de São Marcos onde se encontram os afrescos de Fra Angélico, ao Palácio Vechhio (sede da prefeitua de Florença e onde se encontram afrescos maravilhosos), Palácio Pitti (o Versailles italiano) e outros mais. Em Roma, grande parte das atrações está na rua mesmo (as ruínas, as estátuas de mármore e bronze etc), mas em Florença deve-se ingressar nas igrejas (há diversas) e museus para se conhecer a riqueza cultural da cidade. A ponte Vechhio, cartão-postal da cidade, que liga uma parte de Florença a outra é de relevância e beleza muito menor se comparada aos monumentos históricos romanos.
Em Florença observei mais mercados de rua (os camelôs). Num dos mercados próximo à igreja de São Lourenço notamos muitos mineiros trabalhando. Essas barracas de camelôs têm uma infinidade de produtos de couro e os preços são em conta levando-se em consideração os preços praticados no Brasil. Encontram-se coisas de muito bom gosto e qualidade principalmente nas lojas. Numa delas vimos umas bolsas femininas com detalhes trabalhados à mão muito bonitos.
Bem, não poderia deixar de citar os sorvetes em Florença. O melhor sorvete que comi até agora encontra-se numa gelateria chamada Vivoli. Consegue ser melhor que os melhores sorvetes italianos. Quem for à Florença não pode deixar de conhecer a Vivoli (Via dell'Isola delle Stinche 7). Igualmente imperdíveis são os picolés de chocolate mergulhados em calda quente de uma sorveteria localizada no caminho entre a Ponte Vechhio e a Praça da República (onde há um arco). Infelizmente não me recordo do nome, mas vale a pena. Outra dica para uma lanche rápido é uma pasticeria chamada Cucciolo onde comemos umas focaccias saborosas. Na Itália eles têm o costume de deixar sanduíches e pizzas já preparados no balcão e esquentar quando o cliente pedir. A Cucciolo tem um visual bem bonito, não fica cheia e os lanches são muito bons. Fica na via del Corso, próximo ao acesso da Casa de Dante.
A época do ano está ajudando pois não pegamos fila para nada. Na Uffizzi, por exemplo, entramos direto no museu. Felizmente os dias foram nublados, mas sem chuvas. Algumas vezes fazia até um calorzinho discreto, mas bem de leve.
Passado o susto daquele furto no trem, estamos mais tranquilos agora. Mas, a paranóia de carregar o dinheiro continua, pois ficamos com a impressão de que alguém vai nos assaltar aqui. No embarque deste trem, por exemplo, uma menina entrou no vagão para pedir dinheiro aos passageiros. Ninguém a impediu porque não há controle algum do que acontece no embarque e desembarque. Por falar nisso, fomos a uma delegacia em Florença para fazer a ocorrência. O oficial não falava inglês e tive que gastar meu italiano que aprendi durante o planejamento da viagem. O policial foi bem simpático e atencioso e tive uma boa impressão dos Carabinieri.

Roberto

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Attenti al Gatto!


Em nosso primeiro sábado viajando, semana retrasada, tiramos o dia em Sorrento para irmos até a ilha de Capri. Estava frio, porém um dia ensolarado, o que já garantiria o visual do passeio. Fomos caminhando até o porto, que é lindíssimo, e o caminho até ele também. Descemos uma grande escadaria que fazia a ligação até uma ladeira sinuosa por onde passamos caminhando e apreciando a beleza do lugar.
Logo que estávamos chegando , havia um ponto final de ônibus, com um estacionado; comecei a ouvir miados de um gatinho novo, fiquei curiosa para descobrir aonde ele estava. Continuamos a caminhada e eu procurando pelo gatinho, mas não o vi. O Roberto foi comprar as passagens e eu fiquei em uma lojinha me distraindo; ele voltou e fomos juntos passear e tirar fotos para esperar o horário do barco, foi então que vi o gatinho. Ele estava fugindo de um cachorro chato que o estava importunando; para se proteger escondia-se na lataria do ônibus. Eu quis ir até lá, espantar o cachorro e 'salvar' o gatinho, mas o Roberto me conteve, disse que o gato ía me morder e podia ter doenças.. ( sorte da Zaica e da Lobinha que quando as encontrei, estava sozinha!). Fomos para a marina, onde havia uma comunidade de gatos, que ao avistarem um novo transeunte vinham todos correndo em busca de um agrado. Concluí que o gatinho estava desgarrado do grupo, apesar de nele não termos visto outro gato com a sua idade (uns 6-7 meses). Sentei e fiquei adimirando a vista enquanto o Roberto foi tirar mais fotos ali por perto; faltando 5 min para o horário do nosso barco fui procurar o Roberto, já que o seu desligamento dispensa comentários. Olhei em toda a pracinha, e desci as escadas que levavam para o tal ponto de ônibus. Foi aí que, infelizmente, vi a derradeira cena do gatinho. Neste momento o cachorro continuava afligindo o pobre gato, que se refugiou na lataria do ônibus, provavelmente em cima da roda. Não era possível que o motorista , que devia estar ali por perto o tempo todo, não percebeu que ali se encontrava o bichano. Sem dó nem piedade arrancou com o ônibus; foi horrível: ouvi apenas mais um miado apavorado e um 'crack' em seguida. O monstro passou com o onibus em cima do gato. Fiquei chocada! Um senhor em uma motoneta parou e ficou falando e gesticulando, indignado, chamando a atenção do motorista, que seguiu sem olhar pra trás. Olhei aquela imagem e não queria acreditar! Outro senhor se aproximou do gatinho, da distância em que estava achei que a roda havia passado pela parte inferior do gatinho, mas quando cheguei perto vi que a roda esmagou parte da cabecinha do bichinho. Que tristeza, comecei a chorar! Acho que o rabinho dele ainda se mexia; e o bisbilhoteiro do cachorro ainda veio cheirar o gato , também tentando entender o que havia acontecido.
Encontrei o Roberto e chorando contei pra ele o que tinha acontecido! Fiquei realmente muito triste com o ocorrido, por várias vezes durante o dia aquela imagem me voltava e precisava me conter, afinal estava em Capri, com visuais incríveis pra onde quer que olhasse. O mais curioso foi que em Capri, em todas as lojinhas que vendiam badulaques , tipo imãs de geladeira, porta-chaves, etc; tinha vários que traziam a expressão: Attenti al gatto! Com desenhos fofos de gatos. O que me deixou ainda mais revoltada com o ocorrido. Além de tudo fiquei me sentindo culpada, achando que não fiz nada para que aquilo não tivesse acontecido. Até agora me lamento: Puxa, por quê não tirei o gatinho dali!
No nosso último dia em Roma, 5a feira, fomos à Piazza Navona, onde, por acaso, descobrimos que fica a embaixada do Brasil, e seguimos para o Pantheon. Ainda estava cedo e havia lido no guia que havia um lugar na Piazza de la Torre Argentina, em meio à ruinas romanas do lugar de onde Roma era governada, conhecido como Santuário dos Gatos. Pra quê! Contei pro Roberto e saímos serelepes ,naquele finzinho de dia com gosto de despedida, direto à procura da tal Torre. No guia dizia que nesta região havia cerca de 300 gatos, cuidados por um associação de voluntários.
Quando chegamos corri e me debrucei no parapeito, mas avistei apenas meia dúzia deles. No lugar , havia uma grande placa, confirmando o que lera no guia, dizendo que todos estes gatos eram alimentados, castrados, vacinados e que eram testados para a leucemia felina, e que inclusive, o local era “guardado” por câmeras para que novos gatos não fossem abandonados ali.
Fiquei por ali, como quem não quer nada, até que um lindo gato todo cinza (coincidentemente como o de Sorrento), gordinho e limpinho veio me fazer companhia. Durante todo tempo que fiquei ali ele permaneceu em cima da mureta que delimita o local da ruína; chamei o Robert e ele tirou várias fotos, que segundo ele não ficaram boas, mas pra mim ficaram ótimas, melhor ainda era a minha alegria de estar ali com um gatinho a acariciar, matando um pouquinho as saudades das minhas e sarando um pouquinho a ferida do picolino de Sorrento. Assim que saímos, logo retornamos , pois para variar estávamos na direção contrária; o gatito não mais estava ali, e eu do meu jeito, me senti reconfortada por aquela visita especial numa tarde qualquer de um frio outono na cidade eterna.


PS: O melhor lugar para enterrarmos um bichinho,segundo um livro que li, é em nosso coração. É assim que vou guardar a imagem do meu amigo 'picolino' de Sorrento, como um gatinho valente que tentou como pode sobreviver, infelizmente a brutalidade venceu a determinação.

domingo, 15 de novembro de 2009

Fotos do Casamento

Eu e Robert estamos curiosíssimos aqui na Itália para vermos as fotos do casório. Várias pessoas também tiraram fotos e quem quiser deixar a gente com água na boca pode enviar fotos para o meu e-mail: debora-web@hotmail.com
As dos fotógrafos ainda não vimos, mas assim que o clip com as fotos estiver pronto colocamos um link aqui no blog.
Arrivederci!

Lua-de-mel (10)

O dia da partida de Roma reservou a surpresa mais desagradável desta viagem até agora. Preparamos as malas e saímos de manhã em direção à estação Termini a fim de pegar o Alta Velocità para Florença. Fomos puxando as malas pela rua até a estação, onde pegamos nossos bilhetes e embarcamos no trem. Este estava lotado e não conseguimos achar um lugar para deixar as malas. No meio daquela confusão de gente passando pra lá e pra cá, uma menina se ofereceu para ajudar. Achei estranho, mas não dei muita bola. Mais tarde quando precisei usar os euros que estavam na carteira, percebi que ela não estava mais no bolso da minha calça. Eu havia sido roubado. Não sei se foi a menina ou alguém que esbarrou em mim no meio daquela confusão de malas e gente passando. O fato é que levaram minha carteira com os cartões de crédito e débito. Tive uma trabalheira e muito transtorno para cancelar tudo pelo telefone. Pior: uns dias antes já havia sido furtado em Roma e dessa vez furtaram minha carteira com euros e cartões. Não tenho a mínima ideia de como ocorreu o furto no trem, mas ele aconteceu. Por mais que tomemos cuidado, esses batedores de carteira descobrem uma maneira de tirar nossos valores sem que percebamos. Triste isso.
Dentro deste trem tive um outro transtorno com um fiscal da Trenitalia. O passe de trem que compramos no Brasil deveria ter sido validado já na primeira bilheteria que nos forneceu os bilhetes de Milão à Napoli. O incompetente do funcionário não o fez e os outros fiscais e atendentes da Trenitalia, que continuaram me fornecendo as passagens de Napoli à Roma e Roma para Florença, também não se manifestaram. O detalhe é que você só recebe os bilhetes após o passe ter sido conferido pelo funcionário. Até que o fiscal que estava hoje no trem resolveu questionar a ausência do selo de validação no passe. Mesmo sem saber do que se tratava e de explicar que a culpa não era minha, fui multado em 50 euros por causa disso.
Em resumo: existe uma burocracia idiota nestes passes que exige o pagamento do bilhete, da reserva do lugar (em torno de 10 euros) e a validação do primeiro uso do passe (o que é feito na bilheteria pelo funcionário da Trenitália). Só depois de ter acontecido tudo isso, pode-se embarcar no trem com a certeza de que ninguém vai ficar enchendo o seu saco com exigências burocráticas tolas. Ironicamente, qualquer um pode sair do meio da rua e entrar dentro dos trens italianos para roubar as carteiras dos passageiros e depois ir embora tranquilamente sem ser incomodado. Não há controle algum no embarque das pessoas às plataformas e ao interior do trem. Caso eu queira entrar com uma bomba dentro do trem, ninguém vai saber. O controle só acontece quando o fiscal pede o bilhete e faz as exigências tolas que mencionei. Tolas porque, no final das contas, isso não impede o acesso de pessoas estranhas aos trens. Só servem como “pegadinhas” para os turistas que resolvem viajar de trem aqui. Portanto, se você quiser andar de trem na Itália é melhor deixar para comprar as passagens no próprio país, torcer para não ser atendido por funcionários incompetentes e ficar de olho em todo mundo que embarca no trem ou nas pessoas que esbarram em você, seja no trem ou na rua. Eu já falei pra Débora: se encostarem em mim, vou gritar para tirar a mão na hora. Não quero mais que me toquem!
E para fechar com chave de ouro a sequência de azares (após ser furtado, multado, perder dinheiro e cartões de crédito/débito, ter o transtorno de cancelar todos eles aqui da Europa), o escritório do AMEX em Florença foi fechado e não pude trocar traveller cheques. Não preciso dizer que fiquei muito chateado com o dia de hoje e tive vontade de voltar para o meu país.

Roberto

sábado, 14 de novembro de 2009

Lua-de-mel (9)-Castelo St'Angelo, Pantheon, Piazza Navona


Nosso penúltimo dia em Roma (o último dia inteiro antes da partida) foi dedicado, inicialmente, à visita do Castelo D´Angelo. Constitui-se numa construção antiga que abriga a tumba de Adriano e também já serviu como refúgio dos papas italianos quando o Vaticano era sitiado. Utilizamos nosso Roma Pass para entrar e havia poucas coisas interessantes, exceto a vista do alto que permitia uma vista interessante dos arredores do Tibre.
Fomos andando da região do Castelo, próximo ao Vaticano, até o local em que se situa a Piazza Navona. Uma praça movimentada circundada pelos tradicionais restaurantes para pegar turistas e habitada pelos artistas de rua que executam pinturas dos passantes – como em Monmartre – ou dos cartões-postais de Roma. Destaque para a fonte em que estão representados os quatro rios mais importantes do mundo. Ao centro, como acontece em diversos outros pontos turísticos de Roma, um obelisco egípcio. Não sei porque essa obsessão em cravar um obelisco egípcio bem ao lado de esculturas ou praças que não têm nada a ver com o Egito.
A pé alcançamos o Panteão, onde está localizada a tumba de Rafael. Destaque para abóbada vazada que enche os olhos daqueles que miram o teto e enxergam uma semicircunferência perfeita. Diz-se que o projeto desta abóbada foi realizado por Adriano, um imperador e arquiteto nas horas vagas.
Este último dia não foi tão movimentado quanto os anteriores, mas chegamos tarde ao hotel mesmo assim. Muita coisa para se fazer, pois no dia seguinte iríamos para Florença.

Roberto

Lua-de-mel (8)- Capela Sistina


Acredito que a visita da Capela Sistina seja muito mais para dizer que estivemos ali. Não mudou coisa alguma em relação à época em que estive anteriormente: uma multidão olhando para cima e guardas pedindo às pessoas para ficar em silêncio. Na verdade para se apreciar o teto e a parede com o Juízo Final é necessário um binóculo para enxergar os detalhes dos afrescos. Melhor olhar os livros e tentar imaginar ao vivo. No local onde está pintado o profeta Zacarias, por exemplo, existem duas figuras menores, por trás do personagem, uma delas fazendo um gesto obsceno para o profeta. Em realiadade este profeta representa o próprio papa Júlio II, patrono e desafeto de Michelangelo, que é riducularizado pelo artista. Estas críticas veladas estão dispersas por todo teto e do solo não é possível percebê-las com nitidez. Mais fáceis de serem vistas são algumas correspondências anatômicas que Michelangelo faz. O afresco famoso em que os dedos de Deus e do homem estão unidos mostra uma panorâmica de Deus e diversos anjos compondo uma imagem que lembra um encéfalo cortado no plano sagital (ao meio).
Do afresco “O Juízo Final”, realizado posteriormente, observam-se diversas representações de corpos semidescobertos e musculosos. É a inspiração renascentista advinda dos clássicos gregos e do conhecimento de anatomia e admiração do artista pelos corpos torneados, principalmente os masculinos. Mesmo as figuras femininas de Michelangelo têm uma conotação corporal masculina, que valoriza a anatomia.
Eu acho incrível que um artista tenha criado um afresco como aquele da Capela Sistina e não tenha gostado do que fez. Michelangelo se considerava um escultor e não nutria paixão pela pintura, o oposto de seu rival Da Vinci. Diz-se que a pintura dos afrescos da Capela Sistina foi realizada a contragosto e condicionada à realização do projeto que lhe interessava: a tumba do papa Júlio II (a parte realizada desta tumba está situada na igreja de São Pietro in Vincoli). Que Michelangelo não tivesse experiência com afrescos e teme-se realizar um projeto daquela magnitude, eu entendo. Mas, não gostar do que se faz e pintar algo como os afrescos da Sistina é estranho. Tenho minhas dúvidas quanto a isso.
Um último detalhe: a entrada da Capela Sistina se faz por onde deveria terminar, isto é no altar. Entra-se na Capela (o que ocorre quando há a eleição do papa ou outras ocasiões especiais) pelo lado oposto, aquele em que está situado Zacarias na extremidade.
Bem, depois desta verdadeira maratona vaticana, passeamos um pouco pelos arredores do Vaticano e voltamos para o hotel.

Roberto

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Milagres acontecem!!!

Fiquei preocupadissimo aqui na Italia com o meu Fluminense. Acabei de abrir os jornais digitais e o site do UOL. Nossa Senhora!!!!!! Nense!! Neeeennnseee!! Sou tricolor de coraçao, sou do clube tantas vezes campeao....

Rumo ao topo da America do Sul e fora desse rebaixamento!!!!

Roberto

Lua-de-mel (7)- Vaticano


A caminhada da estação de metrô à praça de São Pedro dura uns 10 minutos. Paramos para admirar a arquitetura da praça planejada por Bernini, o obelisco egípcio bem ao centro e as estátuas de santos que adornam a periferia, são 140 santos no teto. Guardando a frente da basílica, em ambos os lados da praça, estão esculturas enormes de São Pedro e São Paulo. Do lado direito de quem chega está localizada a entrada, com uma fila básica, mas que não demora a andar.
Entramos na basílica e fomos direto para a visita dos túmulos dos papas e do suposto sepulcro de São Pedro. Diz-se que São Pedro foi martirizado naquele local e a mando de Constantino foi construída uma igreja sobre os restos mortais do santo. Na parte subterrânea da basílica, o destaque fica por conta da tumba de João Paulo II.
Eu já conhecia o interior da basílica, mas independente disso, ainda me impressiona as dimensões colossais da igreja. Sentimo-nos muito pequenos diante de tudo aquilo, particularmente do dossel de Bernini, bem no centro da basílica. Os outros destaques ficam por conta da Pietá de Michelangelo e da estátua de bronze de São Pedro, cujos pés são ininterruptamente tocados pelos turistas. Independente da fé professada por eles, fazem questão de tocar os pés da estátua e tirar fotos. Sinceramente, me incomoda essa necessidade de fazer fotos dessa maneira, desrespeitando uma figura tão representativa da fé católica.
Tão fotografada quanto a estátua de São Pedro, mas em virtude da importância da obra, é a Pietá de Michelangelo. A escultura que representa o sofrimento da virgem com Cristo nos seus braços é praticamente perfeita na expressão do sentimento de lamentação do filho morto. Impressionante também é constatar o requinte técnico do artista com apenas vinte e poucos anos. Eu me lembro dos meus vinte e quatros anos e não consigo me imaginar com uma maturidade tão grande para saber expressar de alguma maneira, um sentimento tão delicado quanto esse, ainda mais em se tratando do filho de Deus. Mesmo hoje, aos quarentas anos, penso que sei alguma coisa, mas continuo a anos-luz de um artista como Michelangelo ou Rafael que também alcançou a glória muito novo. Aliás, de Rafael podemos observar um quadro do último período do artista (se não me engano foi a última obra dele) localizado no interior da basílica: A Transfiguração.
Muito cansados demos por encerrada a visita à praça de São Pedro e a basílica homônima e retornamos ao hotel de metrô.
O dia seguinte foi consagrado ao Museu Vaticano. Saltamos na estação de metrô Cipro e fomos andando ao complexo de museus do Vaticano. A mesma suntuosidade da basílica se repete nos palácios papais, onde estão expostas as obras do museu. Durante a visitação, talvez mais importante que o audioguia seja o mapa que o acompanha e um guia-livro do próprio museu que é vendido na entrada. A caminhada é feita em sentido único e sala após sala são visitadas obras diversas do acervo papal. Pode-se dizer que os dois pontos altos da vista sejam as salas de Rafael e a Capela Sistina. Muita coisa do acervo é de importância muito menor, mas como os destaques maiores se localizam quase ao final da visita, pode-se dizer que perdemos um tempo grande e desnecessário com outras obras que acrescentam muito menos. Não chega a ter o tamanho do acervo do Louvre (e nem chega perto), mas é muita coisa para uma visita só. Da viagem anterior, eu me lembrava da sala dos mapas e da Capela Sistina. Mas, dessa visita eu destaco também o torso de Belvedere, pois é uma escultura antiga admirada pelos artistas do renascimento, particularmente Michelangelo, principalmente pelas formas anatômicas bem delineadas, uma característica do trabalho do artista italiano.
Adoro esculturas monumentais antigas e a sala redonda é um prato cheio nesse quesito. No meio desta sala está uma taça gigantesca em mármore ladeada por diversas estátuas enormes de deuses gregos e imperadores romanos. A estátua em bronze de Hércules parece pronta para começar uma briga. Do tipo “está encarando o quê?” (rs). Esta sala me lembra um pouco o hall de entrada de um outro museu na Alemanha, acho que é o Altes, não tenho certeza.
Mas, o destaque do museu, propriamente dito, é mesmo o acervo de Rafael, particularmente a sala da assinatura onde estão localizados os dois afrescos mais importantes: A Disputa e A Escola de Atenas. É admirável o modo como esses afrescos de Rafael combinam de forma tão harmoniosa uma composição com dezenas de elementos. Nas mãos de um atista medíocre ou de um leigo seria um amontoado de personagens buscando de forma infrutífera se socializar. Na representação de um gênio como Rafael é uma ciranda de cores, posições, lugares e pessoas que se complementam e contam uma história, congelada momentaneamente. Talvez nem Michelangelo fosse tão habilidoso para jogar com tantos elementos, pois um dos afrescos sobre Noé também lida com dezenas de elementos na composição e parece menos harmonioso. O próprio Michelangelo mudou de ideia quando percebeu que de um local tão distante como o teto da Capela Sistina, não era interessante trabalhar dessa forma. Mas, a encomenda de Rafael era outra. Os seus personagens também tinham outras representações, não eram musculosos como os de Michelangelo e as composições tinham um conteúdo menos dramático e violento e muito mais convencional. No entanto, é um Rafael e, infelizmente, fiquei menos tempo que queria nas suas salas, pois o tempo era escasso e havia enfrentado uma peregrinação dura anteriormente, que me tirou parcialmente as forças.
Parada para um lanche rápido, após passar pelo setor de arte moderna. A próxima etapa envolve a jóia da coroa: a Capela Sistina.

(continua)

Roberto

Lua-de-mel (6)- Coliseu e Piazza D'Spagna


Nosso sétimo dia de viagem em Roma começou com o café de manhã no hotel. Por ser um hotel pequeno, quase uma pensão, ele é todo administrado por uma senhora italiana simpática chamada Lucia. Ela faz praticamente tudo: abre a porta do hotel, serve a refeição, guarda as malas na recepção e outras coisas mais. Incredible! No domingo quando chegamos ela estava acompanhada do marido, um senhor italiano simpático também, e de uma mulher mais nova, não sei se a nora ou filha. Esta moça e o filho dos donos do hotel eram mais fluentes no inglês, no entanto menos visíveis por ali.
Pegamos nosso Roma pass e começamos a usá-lo no metrô. Muito simples, colocam-se informações básicas do turista à caneta e depois é só passar pela catraca da estação. A máquina valida o cartãozinho e você pode utilizá-lo nos próximos 3 dias. Da estação Manzoni fomos até Colosseo, onde estava a atração homônima que iríamos visitar. Basicamente são 2 pavimentos aberto à visitação e por meio de um audioguia fomos seguindo o percurso sugerido pelas instruções. No centro do coliseu, parte da arena foi reconstruída para dar uma ideia de como seria naquela época. O restante da edificação constitui-se em corredores e passagens, com diversos fragmentos rochosos dispersos e colocados nas laterais das paredes. Não há muito o que se fazer por ali, exceto observar os locais de visitação, imaginar como seriam as batalhas de gladiadores e relembrar o filme do Ridley Scott.
Saímos do Coliseu e fomos andando pela via Foro di Imperiali. É uma rua larga construída a mando de Mussolini e que corta o centro antigo ligando o Coliseu aos Fóruns imperiais e a Praça do Capitólio. Retirou-se muito material arquieológico e passou-se por cima de muitas construções antigas para abrir esta rua. Projeto polêmico na época da construção.
Da própria rua observamos as ruínas dos outros fóruns de Roma: o de Nerva, Trajano (junto com o mercad de Trajano) e o de Augusto. Ali vale a pena ter o guia de viagens na mão para ler as observações sobre os locais, visto que são sítios menos visitados e sem audioguias, bilheterias etc. Destaque para a coluna de Trajano, bem na lateral do Fórum de mesmo nome.
Seguimos pela via Del Corso, atravessamos suas calçadas estreitas, paramos para tomar um sorvete e olhamos as barracas de camelôs numa das transversais. Nosso objetivo era chegar à Fontana di Trevi que estava próximo dali. Ela é reluzente, linda, as esculturas e a fonte de água propriamente dita se complementam e parecem dialogar com a multidão que fica em volta, tirando fotos ou apenas apreciando. Um imigrante cobra 5 euros para tirar fotos dos visitantes da fonte. Crianças brincam junto aos blocos de pedra que se continuam com a parte esculpida e que mostra Netuno ao centro, majestoso e parecendo posar para as fotos dos turistas. Um cartão-postal inesquecível da viagem.
Eu queria chegar logo à Praça de Espanha, pois sabia que havia um escritório do AMEX ali e necessitava trocar cheques-viagem. Qual não foi a minha surpresa descobrir que a própria AMEX naquele local cobrava 3% de comissão para trocá-los!! Perguntei se existia algum banco que não cobrava a taxa e o atendente me informou que ali era onde pagaria a menos taxa. Pensei comigo mesmo, pra que servem estes cheques que ninguém aceita na Europa e que, particularmente, na Itália ainda cobram essa taxa. Quando fomos à Lisboa já sabia que cobrariam taxas e nem troquei cheque algum no Brasil, mas na Itália, a informação era que existiam locais livres dessas comissões. Saí de lá contrariado e fui revisitar as escadarias da praça. Minha segunda desagradável surpresa é que colocaram provisoriamente uns tapumes pintados com lembranças da queda do muro de Berlim. Isto é, algum gênio de muito mau gosto teve a ideia de colocar aquelas coisas horrendas e sem ligação estética alguma com as escadarias e estragou a vista que teríamos da tradicional Praça de Espanha. A música que tocava – um rock chato e antigo – complementou o pano de fundo sem nexo estacionado no meio dos degraus da escada. Em compensação, a vista lá de cima é muito bonita e pude identificar a coluna de Trajano ao longe.
Volamos ao metrô e salamos na estação Otaviano, destino final era a basílica de São Pedro.

(continua...)

Lua-de-mel (5)- Fórum Romano


No sexto dia de viagem, voltamos ao centro histórico de Roma para conhecer o Fórum Romano. Antigo centro religioso, político e social de Roma, o que existe hoje são ruínas, principalmente de templos, basílicas e arcos triunfais. Na entrada ativamos um passe – Roma pass – comprado num escritório de turismo em frente ao Fórum. Ele dá direito à entrada gratuita em dois pontos turísticos conveniados e a utilização do transporte público por 3 dias seguidos.
As ruínas do Fórum Romano constituem-se num verdadeiro labirinto de pedras por todos os lados, caso não se tenha a orientação de um guia. Na entrada alugam-se audioguias (que por si só já são um pouco confusos) que associados a um mapa do Fórum ajudam o turista a se orientar pelo “caminho das pedras”. Também ajuda bastante ter um daqueles guias de viagem na mão. Aliás, no que se refere aos guias de viagem, aquele ilustrado da Folha sobre a Itália é legal para se visualizar as atrações e serve como ponto de referência quando se está perdido em algum lugar. Mas, como é um guia genérico do país, não traz informações específicas das cidades sobre transportes, alimentação e outras coisas mais. Ele é difícil de transportar pela cidade, pois é muito pesado. Do sul da Itália, este guia é muito ruim, pois sobre Capri havia somente uns poucos parágrafos. Vale a pena comprar um guia específico sobre o sul da Itália se for passar mais tempo lá. Gosto muito dos guias Frommers e sempre compro um quando faço uma viagem ao exterior. O de Roma – em Português, raridade – é bem completo e indica, como sempre, os passeios que se pode fazer. Há dicas para tudo e o único senão é a falta de ilustrações e fotos abundantes. Mas, é um excelente guia e faz muito sucesso lá fora. Havia comprado um outro guia interessante chamado “Rome Steps by Steps” na Livraria da Travessa. Ele é bem didático, ilustrado e traz dicas de tudo também. Vale a pena, mas não é em Português. Não recomendo os guias da série Blue Guides. São bons para se ler antes e depois das viagens, mas não durante! Eles se prendem ao aspecto histórico das atrações, mas são pouco práticos para o que interessa ao turista. Em geral, são guias específicos das cidades, mas comprei um genérico da Itália, que para ser abrangente sacrifica até a possível virtude deste guia: o conteúdo. Em resumo, não é bom em nada.
De volta ao Fórum Romano, o local é cortado pela via Sacra, uma “rua” que passa pelas principais edificações e orienta o turista na direção a ser seguida. Muitas atrações do Fórum são do tipo “ali estão as colunas do templo de Fulano”, “lá se encontra a base dos pilares da basílica de Cicrano”, isto é deve-se utilizar a imaginação para se ter uma ideia do que existia ali. Outras construções como os arcos de Tito e de Septímio Severo e a Cúria estão “bem” conservados e pode-se apreciar a arquitetura secular do local. Virtualmente fiquei impressionado com as ruínas da basílica de Massêncio-Constantino. Existe apenas a parte direita da edificação e parte da abóbada. É enorme e no interior existia uma estátua colossal de Constantino, cujo dedo era do tamanho do punho de um homem. Fragmentos dessa estátua estão expostos num museu de Roma.
Depois dessa imersão no mundo antigo romano, continua-se o passeio pelos jardins farnesianos até o Monte Palatino, onde diz a lenda que a loba encontrou os irmãos Rômulo e Remo, fundadores de Roma. O Monte Palatino também abrigava as residências da classe dominante romana e dos imperadores, começando por Otávio Augusto.
Quem viu a série “Roma” da HBO se deleita em relembrar os personagens históricos e as tramas fictícias e verídicas que a atração televisiva apresentava. É legal entrar na casa de Otávio Augusto e discutir com a pessoa do lado – no caso minha esposa, Débora – “lembra da mulher de Otávio que fazia isso e aquilo...” A série era muito boa e as duas temporadas abrangiam o período da ascensão de César e o meio do governo de Otávio Agusto.
Pegamos chuva durante a visita do Monte Palatino. Encerramos a caminhada no Museu Palatino onde estão expostas peças e outras ruínas escavadas do local. Dali voltamos tudo que havíamos percorrido para devolver o audioguia e só tivemos tempo de visitar rapidamente a praça do Capitólio, replanejada por Michelangelo no século XVI, a propósito da visita de Carlos Magno a Roma. O lugar é lindo e tem-se uma vista espetacular do centro de Roma. A estátua equestre de Marco Antonio no centro da praça é colossal, mas trata-se de uma réplica, pois a original está protegida num museu.
Quando fomos “almoçar” já era quase cinco da tarde e estava escuro. O tempo passou muito rápido e a visita ao Fórum e Monte Palatino tomaram quase que um dia inteiro. Cansei de ver tanta ruína e de ouvir tantos nomes de imperadores e templos. E olha que gosto do assunto, hein?
Nota: assim como ocorreu em Pompeia, achamos aqueles livros do tipo “era assim e é assim”. Fartas ilustrações das ruínas e monumentos importantes de Roma com “capas” que se sobrepõem à foto atual e mostram como eram os locais na época em que foram construídos ou reformados. Vale a pena adquirir um.


Roberto

Lua-de-mel (4)-Roma


No nosso quinto dia na Itália, saímos de Sorrento em direção à Roma. Mais uma vez pegamos a linha circunvesiana de volta à Napoli e dali embarcamos, quase que imediatamente, no alta velocità para Roma. Desta vez não houve atrasos e chegamos em cima da hora para o embarque. Todos já estavam no trem quando entramos, mas não houve maiores transtornos e o trajeto foi feito em cerca de uma hora e pouco.
A estação ferroviária Roma Termini se parece mais com um aeoroporto, enorme e cheia de lojas. O hotel em que ficaríamos hospedados se situa próximo à estação, talvez uns 10 minutos a pé. Digno de nota são as malas que utilizamos na viagem. Compramos em viagens anteriores malas grandes com 4 rodas e elas são fundamentais numa viagem desse tipo. O ponto-chave do planejamento da viagem era que os hotéis ficassem perto das estações de trem, mas para isso precisaríamos trafegar com a bagabem por uma distância curta, o que evitaria ao máximo pegar táxis, que são muito caros. Portanto, essas malas valeram cade euro do investimento que fizemos e custariam uma fortuna no Brasil.
Ficamos num hotel simples, quase familiar. Os donos, muito simpáticos, nos receberam com muitos sorrisos e palavras italianas, algumas pude entender. Aliás, a imersão no estudo do italiano que fiz durante o ano e meio que antecedeu a viagem, valeu a pena. Não sei palavras específicas, mas os curtos diálogos do dia-a-dia consigo fazer, sem muitos problemas. Devo isso a duas fontes que recomendo: os CDs do Michel Thomas que podem ser adquiridos na Amazon (mas é preciso já dominar o inglês) e um site na internet com diversos cursos de idioma on-line (depois coloco o endereço). Os CDs do Michel Thomas já havia utilizado com muito sucesso para o estudo do francês e também foram fundamentais na viagem anterior.
De volta a Roma, deixamos as coisas no hotel e depois de algumas dicas da filha, ou nora, dos donos fomos a pé em direção ao Coliseu. Como já estavámos no meio da tarde, decidimos olhar o exterior do monumento mais tradicional de Roma, tirar fotos e ir à igreja de São Pedro, na praçade San Pietro in Vincoli, perto dali, onde está a tumba do papa Julio II, construída por Michelangelo. Nesta igreja, além das correntes que aprisionaram o apóstolo Pedro, o destaque é a estátua de Moisés na tumba do papa. A Débora me perguntou: o que são aquelas estruturas parecidas com chifres na cabeça do Moisés? Respondi que elas foram projetadas para refletir a luz do sol da posição em que estaria – e que não é a posição em que está hoje – e criariam um efeito visual que valorizaria a obra de arte. Teoricamente nem seriam vistas pelo público. Em virtude das mudanças de posição da escultura, o próprio Michelangelo reconstruiu a estátua para se adequar ao novo local de abrigo. O projeto original da tumba de Julio II era muito mais audacioso e grandioso, foi um projeto que tomou muito tempo de Michelangelo e o artista tinha uma expectativa enorme em relação a ele. O próprio teto da capela Sistina, sua obra mais famosa, foi inspirado de alguma maneira na tumba de Júlio II. Mas, em relação ao projeto original, pouca coisa foi realizada, nem a localização imaginada – a Basílica de São Pedro – foi mantida. Mas, em se tratando de um gênio, este “pouca coisa” representa uma das esculturas mais perfeitas criadas pelo homem.
Dali voltamos ao hotel. O tempo na Itália é louco e alternam-se períodos de sol e chuva. Foi desta maneira, abrindo e fechando o guarda-chuva que fizemos o trajeto de volta para nossa casa provisória em Roma.

Roberto

Lua-de-mel (3)-Capri


Nosso terceiro dia em Sorrento foi dedicado à visita a Capri. Do hotel fizemos a pé um trajeto pela rua paralela à principal e terminamos numa descida íngreme feita por meio de escadas até a área do porto. Após algum tempo de espera, atravessamos o mar entre Sorrento e Capri a bordo de um barco enorme de transporte. Ao chegarmos, a notícia ruim: não seria possível visitar a gruta azul porque a maré estava cheia. Só nos restava tomar o funicular (uma espécie de elevador sobre trilhos, semelhante aos de Lisboa) e visitar o centro da cidade. Estranhamente, a maioria das lojas estava fechada, mesmo sendo um sábado e a cidade cheia de turistas. Algumas partes da cidade estavam desertas, coisa inimaginável numa região como essa. O dia era ensolarado e a temperatura amena, se bem que foi esfriando conforme o tempo passava. Aproveitei para tirar fotos e recordei lugares que já havia visitado anteriormente. Eu me emocionei um pouco quando me lembrei da vista da costa a partir da praça Umberto I. Vieram as lembranças da viagem em companhia de minha mãe e o grupo de turistas gaúchas que nos acompanhava. Saudades...Ainda sobre esta viagem anterior à Itália, três coisas diferentes em relação àquela época: eu havia subido em direção ao centro por meio de um ônibus pequeno e velho, atravessando um caminho estreito de mão dupla, onde muitas vezes só passava um veículo. Não me lembro do funicular, não sei se não havia. Preciso pesquisar. Hoje em dia, os ônibus são muito mais modernos e seguros do que naquele tempo. Outra coisa é que as motonetas – tipo vespa – são maiores e mais potentes, no entanto tão numerosas e barulhentas quanto. A terceira coisa que me impressionou foi os italianos falando inglês. A maioria consegue se expressar bem na língua de Shakespeare, o que era incomum há 10 anos, principalmente nas cidades mais afastadas. Efeitos da globalização? Não sei, a Europa é globalizada desde sempre.
Bem, ficamos pela cidade e o tempo foi passando. Tive vontade de conhecer o local em que residia o imperador Tibério, mas a caminhada até lá inviabilizaria nosso horário de retorno. Diz a lenda que Tibério passou seus últimos anos de vida, recluso em Capri e tinha o hábito mórbido de empurrar seus inimigos e desafetos encosta abaixo em direção ao mar. Não admira tanta crueldade num governo durante o qual Jesus foi crucificado.
A pracinha do porto de Sorrento é cheia de gatos, provavelmente alimentam os bichanos e ninguém se preocupou em esterilizá-los. Abaixo do ônibus que estava parado na praça havia um filhote de gato que estava abrigado da insegurança do mundo ao seu redor. Depois de um tempo, um cachorro passou a caçar o gatinho, não sei se por brincadeira ou instinto assassino. O pequeno se defendia como podia, até que chegou mais um cão e a briga, que já era desigual, ficou ainda mais covarde. Um senhor a bordo de uma vespa tentou assustar os cães. Saí daquele local para tirar fotos perto dali e passado algum tempo, a Débora me procurou chorando e dizendo que o gatinho havia sido atropelado pelo motorista de ônibus. Ele dera a partida no veículo, mesmo sabendo que o animal estava embaixo do ônibus. O senhor da motoneta reclamou muito...Triste mesmo...Saudades do Brasil e das gatinhas da minha casa, minhas filhotas: Zaica e Lobinha.

Roberto

Lua-de-mel (2)-Sorrento e Pompéia


O trajeto entre Sorrento e Nápoles é feito por um tipo de metrô velho, no trajeto que eles denominam de Circunvesiana. Identifiquei 3 linhas e a distância coberta é bem extensa. Pelo caminho vamos fazendo paradas em várias cidadezinhas, com nomes que desconheço, exceto Pompeia.
Chegamos à Sorrrento sob chuva. Apesar do trajeto da estação ao hotel ser relativamente curto – fomos descobrir depois – preferimos um táxi devido ao desconhecimento do lugar e às condições climáticas. Os procdimentos de costume no hotel, um passeio à noite para encontrar um lugar para jantar e olhar algumas vitrines. A cidade é muito pequena, resume-se a uma rua principal e as praças interpostas pelo caminho. Chama a atenção a arquitetura dos prédios locais: poucos pavimentos, cores suaves e agradáveis e as varandinhas simples, que completam de forma harmoniosa o desenho dos edifícios. Em alguns prédios percebe-se uma linha sinuosa feita pela sequência de varandas, enquanto em outros destaca-se um vai-e-vém de sacadinhas bastante interessante. Più belo.
No dia seguinte fomos à Pompeia, mais uma vez por meio da Circunvesiana chegamos à cidade aterrada pela lava do Vesúvio em 24 de agosto de 79. No ano de 62, o desastre já era anunciado em virtude do terremoto que sacudiu a região e destruiu várias construções, diversas delas ainda em reparos quando a erupção aconteceu.
Pompéia – as ruínas – é um labirinto de pedras e construções destruídas que nos leva a um passado distante de mais de 2000 anos atrás. Caminhar pelas ruas é difícil – e imagino que também o era naquela época – pois a pavimentação é composta de pedras lisas, grandes e irregulares. Nos pontos das ruas que se encontravam entre as calçadas, existiam pedras ainda maiores para facilitar atravessar de uma calçada à outra. Difícil imaginar carroças trafegando pelas ruas e faz-se alguma ideia da confusão de pessoas, animais e transportes que deviam cruzar de um lado para outro. As próprias calçadas se situam num nível bem mais elevado em relação às ruas, o que deveria trazer mais dificuldade ao deslocamento das pessoas.
A visita às ruínas foi feita, a maior parte do tempo, sob tempo seco. No entanto, antes e depois (na verdade, no final de nossa visita) da estada em Pompeia choveu bastante. Pude perceber como a água se acumulava em certos pontos das ruínas, o que deveria ser mais um transtorno à vida dos cidadão daquela época.
É estranho sentar-se em locais preservados por mais de 2000 anos, olhar ao redor e ver uma enorme praça que servia como ponto de confraternização e manistações das pessoas. Templos em homenagem a diversos deuses greco-romanos e imperadores também eram comuns. Entrávamos pelos restos do que seria uma casa e víamos o interior dos cômodos e um jardim que ficava na parte de trás. O jardim era adornado por enormes colunas que rodeavam uma piscina, o que parecia ser a distração principal para os que residiam ali. Havia também ruínas de teatro e uma arena de gladiadores. Depois de um tempo, cansa-se de ver tantos exemplos semidestruídos dos edifícios e casas da época. Menos comuns são os exemplares de corpos preservados pelo aterramento da cidade. Pessoas contorcidas e em posição de defesa, cujos corpos foram imortalizados pela lava do vulcão. Triste destino desses anônimos passar à história dessa forma.
Como de costume, passamos pela lojinha de lembranças das ruínas e comprei um livro que conta a história de Pompeia e mostra em desenhos sobrepostos como era e o que existe hoje do que sobrou. Ótimo passeio e muitas fotos também.

Roberto

Lua-de-mel

Estamos no quarto dia de viagem e, finalmente, consegui ligar o notebook a uma tomada de energia. Bem, vou tentar atualizar os fatos da viagem até o momento.
Após o casamento, o tempo voou e tivemos que preparar rapidamente nossas coisas para viagem. Partimos no dia 3 de novembro e a ida até que não foi tão cansativa apesar da espera na conexão em São Paulo. Viajamos pela TAM, o avião não estava muito cheio, e achei o serviço de bordo ok, se comparado ao da Air France e TAP, que são superiores. A chegada foi em Milão, segunda cidade mais importante da Itália, e centro financeiro e da moda. Achei Milão uma cidade muito prática, pois do aeroporto encontramos um ônibus que nos deixou na porta da estação central de Milão (que é bem distante dali) e desse ponto fomos a pé para o hotel. Portanto, pouquíssimo gasto com transporte (acho quem uns 7,50 euros do ônibus), rapidez e praticidade. Aconselho a todos que vão a Milão ficar num hotel perto da estação ferroviária central.
Comparada ao Rio e São Paulo, Milão é uma cidade bem mais tranquila. O povo é educado e prestativo e não se enxergam sinais evidentes de pobreza pelas ruas.
Após deixarmos as malas no hotel fomos diretamente para o centro histórico da cidade. Mais uma vez da estação central, tomamos um metrô (metropolitana em italiano) até à estação Duomo. Obviamente, ao redor desta estação, uma das principais atrações é a basílica (Duomo) de Milão, cujo início das obras data do século XIV. Como já estava no final da tarde só deu tempo apenas para conhecer rapidamente o interior da igreja que se caracteriza por enormes colunas e vitrais cheios de detalhes nas paredes. Descobri posteriormente que, em destaque, existe uma escultura de São Bartolomeu, que preciso observar com mais atenção na volta. Tentamos subir o Duomo pelo lado de fora, mas a entrada já estava fechada.
Em frente ao Duomo existe uma enorme praça e uma das saídas desta praça encaminha o turista diretamente para a outra atração principal que existe ali: a galeria Vittorio Emanuele. É um corredor de lojas coberto por uma cúpula de vidro que impressiona pela beleza e harmonia arquitetônica. Outra coisa que também impressiona são os preços das coisas nas lojas, pois só existem marcas de grifes. Bom para se ver o que anda na moda (cores, modelos e tendências) e procurar algo mais barato em outro ponto ou nos camelôs. Como estávamos com fome, entramos num restaurante na própria galeria, cujos preços não eram tão salgados quanto os praticados nas lojas. Resolvi experimentar uma típica pizza italiana e já comecei botando pra quebrar. Pedi uma de salame conhecida como diavola (rs). Por incrível que pareça a pizza veio sequinha, sem aqueles excessos de óleo e gordura que encontramos em diversas pizzas no Brasil (inclusive em lugares de bom nível). A massa era fina (mas não troppo) e crocante, principalmente nas bordas. Era crocante como um pãozinho feito na hora. Uma delícia. O tempero tinha algo de diferente, mas eu acho que era por conta da mussarela. Você coloca na boca, mastiga, sente o gosto e, no finalzinho, sente um outro gostinho de quero mais indescritível. A Débora pediu uma siciliana e também gostou bastante. As pizzas preenchiam um prato bem grande e comemos tudinho, pois estávamos famintos.
Como havíamos chegado no meio da tarde só deu pra conhecer o Duomo e a galeria. No restante do tempo ficamos passeando a pé pelas redondezas. Descobrimos a loja da Ferrari, com diversas quinquilharias ligadas à marca. Em exposição pude apreciar o bólido que fora pilotado, em algum ano anterior, pelo Kimi Raikonen. Na parede dei de cara com dois autógrafos e adivinhem qual era um deles? Sim, senhores. Rubinho Barrichelo, nosso eterno quase tudo.
Como havia dito, olha-se os preços das coisas que admiramos nas lojas de grifes e compra-se (quando se pode comprar) em outros pontos com preços mais em conta. Quando se trata de mulher então, nem se fala. Não preciso dizer que esperei a Débora experimentar e comprar diversas coisas num magazine por cerca de uma hora. Durante esse tempo fiquei observando o modo de se vestir das italianas. Impressionante a quantidade de roupas escuras, com predominância do preto. Em geral o europeu é mais tolerante com as cores aberrantes e vivas, mas acho que a moda do momento era outra. Encontrei muitas coisas em tons de lilás e outras com um certo xadrez Burberry. A Débora ficou impressionada com a beleza da mulher milanesa: todas bem vestidas e maquiadas. Mas, devo lembrar que Milão é a capital mundial da moda e não deve ser incomum encontrar modelos que trabalham na cidade.
No dia seguinte acordamos tarde, tomamos café e fomos diretamente para a estação central, a fim de tomar o trem alta velocità para Nápoles. O trem pode ser de alta velocidade, mas a espera, consequente ao atraso da partida, era típicamente brasileira, pois ficamos em pé durante mais de uma hora aguardando a chegada do trem. A viagem era confortável e só achamos inconveniente carregar as malas e acomodá-las. O serviço de bordo era praticamente inexistente, pois na única vez que alguém passou vendendo alguma coisa, carregava garrafas de água e coca, além de sanduíches caseiros, tudo acomodado dentro de um balde??! Olha, a Itália é um país europeu de altíssimo nível (pelo menos do meio para cima), mas a gente se depara frequentemente com alguns contrastes.
Após cerca de quatro horas, desembarcamos na estação central de Nápoles. Carregar malas por uma estação em obras não é mole, principalmente quando se tem que descer escadas. De Nápoles tomamos um transporte semelhante a um metrô mal cuidado – mas, bem eficiente –, que nos deixou na estação de Sorrento. Não preciso nem dizer que já estava muito cansado da viagem de quatro horas até Nápoles e de mais uma hora e pouco até Sorrento. Eu me arrependi deste itinerário e achei que deveria ter feito o vôo diretamente para Nápoles na ida. Mas, isto era passado. Após desembarcar em Sorrento e mais uma vez sofrer com o sobe e desce de malas num lugar que não sabe o que é elevador ou escada rolante, fomos brindados com uma jóia encravada no fim do mundo: Sorrento.

Notas: na verdade, existe serviço de bordo decente no alta velocità (trem rápido italiano). Não o vimos porque o trem é muito longo e devia estar distante do local em que nos sentamos.
A estação final de Sorrento da linha circunvesiana possuía elevadores e planos inclinados que facilitam a vida de quem tem malas. Na pressa, nós não vimos.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

De partida

As malas estão quase prontas, faltam algumas horas para aproveitarmos nossa viagem de lua-de-mel que será na Itália. Depois de 10 anos, estarei voltando a este país belíssimo, agora na companhia de minha esposa.
Durante a viagem vou fazer o máximo esforço para atualizar o blog com o diário de nossos dias na Itália, coisa que normalmente já faço no meu blog pessoal. Vou tentar também colocar outras postagens sobre o casamento, propriamente dito, mas isso acontecerá aos poucos.
Antes de me despedir - e escrevo em nome da Débora tb - gostaria de agradecer imensamente a todos que estiveram presentes no casamento. Muito obrigado mesmo. Quanta energia positiva!!! Muitíssimo obrigado também aos profissionais que tornaram nosso sonho possível. Já estamos sentindo muitas saudades. Foi uma experiência magnífica, nunca mais vamos nos esquecer do que aconteceu naquele 31 de outubro de 2009, o dia de nossas vidas.

Arrivederci!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Trapalhadas do noivo


Confesso, fiz de tudo pra estragar o casamento. rs...Felizmente, Deus é maior que tudo e soube consertar as trapalhadas que fiz no dia do casamento. A semana foi muito tranquila para mim, nem parecia que eu era o noivo. No entanto, o nervosismo só foi aparecer na hora em que comecei a me arrumar. De início, o interforne do apartamento havia tocado e o porteiro anunciava um telegrama e uma encomenda destinada a mim, que seria entregue por um funcionário do edifício. Atolado com os meus preparativos, respondi que pegaria depois, mas o porteiro fazia questão de entregar a “encomenda”. Fiquei irritado e informei que “eu era um noivo prestes a casar naquele dia e não desejava ser interrompido”. Voltei ao banheiro e, todo feliz, pensei comigo mesmo “vamos começar pela barba”. Nessa hora a sequência de gafes começava, pois me lembrei que havia enviado o aparelho de barbear para o Copacabana Palace junto com as coisas da Débora. Não teve jeito, saí de casa como um “Usain Bolt” e procurei uma farmácia no Parque das Rosas a fim de comprar o aparelho de barbear. No retorno para o prédio, parei na portaria e descobri que a “encomenda” que havia recusado era uma lembrança da Débora, com uma carta e um CD...Fiquei muito envergonhado com minha atitude anterior, mas já tinha acontecido. Depois que me arrumei, fui para frente do espelho e achei alguma coisa errada. A gravata, escolhida mais de um ano antes do casamento e guardada até então, não estava combinando com o terno. Que besteira eu fiz, meu Deus! Entrei no táxi pensando na gravata e no que fazer. Eu ficaria registrado para o resto da vida com uma gravata que não combinava com o restante do traje. Antes disso, ainda no táxi, fui ver as horas e... cadê o relógio?!! Esqueci em casa, mas menos mal que o relógio não era tão importante, seria até bom porque não veria o tempo passar. Voltando para a gravata, escolhi ir da Barra para Laranjeiras pela auto-estrada Lagoa-Barra. A dúvida foi me angustiando e chegando perto de São Conrado falei pro motorista: vou descer no São Conrado Fashion Mall. Entrei pelos corredores do shopping todo esbaforido e vestido de uma maneira incomum para um sábado a tarde. Fui direto para loja da VR e expliquei o problema para o vendedor. Ele achou engraçado e me ajudou a escolher outra gravata. Feita a troca, corri para a igreja. Quando cheguei, a noiva estava entrando. A noiva do casamento anterior. Fiquei do lado de fora recebendo as pessoas, revendo os amigos e perto do horário de início da cerimônia, me coloquei atrás do cortejo. Igreja cheia, todos os bancos ocupados e o nervosismo aumentando. Fiquei relembrando todos os procedimentos que deveriam ocorrer a partir dali: a entrada, recepção da minha noiva no altar, juramentos, alianças...alianças...Cadê as alianças??!!! Na hora gelei, pensei comigo que havia destruído meu casamento. Não sei quem estava do meu lado, mas foi a primeira pessoa com quem dividi aquele sentimento de angústia por não estar com as alianças. Fui procurar a cerimonialista, Emanuelle Missura. Ela me perguntou, “você sabe onde deixou as alianças? Porque se souber, alguém pode ir à sua casa pegá-las. Caso contrário, você mesmo terá de ir.” Não me lembrava onde estavam e eu não poderia ir à Barra e voltar, com a igreja cheia e a cerimônia já atrasada. A solução era improvisar, pedi as alianças emprestadas do meu irmão e cunhada. A dele servia no meu dedo. A da minha cunhada só Deus sabia. Entrei na igreja petrificado com o que havia acabado de acontecer e nervoso, pois não sabia se a aliança entraria no dedo da Débora. Além disso, minha noiva iria estranhar aquelas alianças diferentes na hora que estivessem prontas para ser colocadas. Momentos antes decidi com a cerimonialista que ela contaria para Débora o ocorrido antes de entrar na igreja. Ela chorou muito antes de entrar, fiquei sabendo depois. Na hora em que mirei as alianças na mão do padre, fiquei um tempão para reconhecer a do noivo e a outra da noiva. Pior foi na hora de colocar a aliança no dedo da Débora e fazer o juramento ao mesmo tempo. Torci muito para ela entrar e, felizmente, a aliança entrou e encaixou direitinho...Ninguém imagina a sensação de alívio quando tudo aquilo terminou. Mas, não havia acabado...rs No quarto do hotel, quase prontos para ir embora para casa após a noite de núpcias, olhei para o meu próprio dedo e..Cadê a aliança de novo??!!! Havia perdido a aliança do meu irmão!!!! Felizmente, depois de revirar o quarto, a Débora achou a aliança reluzindo no carpete. Ufa! Falei pra Débora: vamos embora pra casa, chega de confusão!
Muito obrigado, Duda, Adriana e Manu, vocês salvaram o casamento de um vexame.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Agora, tudo é festa!

Amigos,

Foram mais de 2 anos de planejamentos, experimentações (de doces, bolos, bem casados etc), visitas e reuniões (fotógrafos, cinegrafistas, cerminonialistas etc). Uma coisa eu posso afirmar: não houve espaço para o improviso e acho que se não ficou melhor, foi porque não conseguimos mesmo e pronto. Com certeza, não foi por falta de vontade, otimismo, estratégia, objetivos, de querer que tudo desse certo. Quando eu e Débora decidimos nos casar, não imaginávamos o tamanho da empreitada que nos esperava. Some-se a isso o planejamento da lua-de-mel - passagens, hotéis, tickets de trem - que também fizemos por conta própria. Não foi fácil e, no meio disso tudo, veio a doença e falecimento do meu pai e o assalto que sofri no primeiro semestre. Chegamos a pensar em cancelar tudo, mas, felizmente, a serenidade nos trouxe de volta à realidade.
Assim, por trás de tudo que vai acontecer amanhã, há uma história de muita luta, perseverança e vontade de querer dar certo. É a nossa história de casal que se inicia oficialmente, mas que se caracteriza por tudo isto há mais tempo.
Hoje, voltando do trabalho, como de costume cansado do dia cheio que tive, falei para Débora ao telefone: a partir de agora, tudo é festa. E o espírito é esse mesmo, o que poderíamos fazer, já fizemos. A hora é de comemorar, aproveitar os amigos e familiares e celebrar esse momento de comunhão. As dificuldades, tristezas e problemas que tivemos ficam para trás. Servem para valorizar nosso esforço, mas o momento agora é outro. Venham brincar conosco, aproveitem e dividam essa alegria, essa energia positiva. Obviamente, tudo com moderação e bom senso, mas, fundamentalmente, com alegria.
Esperamos por vocês amanhã. Sejam bem vindos!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Importante!

Orientações para quem vai ao casamento de Roberto e Débora:


1- a previsão para o dia do casamento é de tempo bom e sem chuvas. Apesar do horário de verão, provavelmente a noiva entrará na igreja sem a luz do sol.

2- O acesso ao local da cerimônia religiosa é feito pela rua Pinheiro Machado (continuação do túnel Santa Bárbara), onde também estão localizados o vitorioso clube Fluminense F.C. e o Palácio do governo estadual (Palácio Guanabara). Ao avistar o Palácio, preste atenção: logo ao lado está uma guarita da polícia militar. É por ali que você deve se identificar e entrar. Deixe seu carro no estacionamento.

3- no dia serão realizados 4 casamentos. Nosso casamento – marcado para as 19 horas – será o último. Atente para este fato.

4- fizemos um mapa do trajeto entre a igreja e o local da festa no Real Astoria. Da igreja, deve-se seguir em direção à Praia de Botafogo, fazer o retorno em direção à pista do Aterro sentido Copacabana, passar pelo túnel do Pasmado e entrar na rua General Severiano (o shopping Rio Plaza fica ali). Vá até o final da rua onde existe um sinal de trânito. Após o sinal abrir siga o fluxo da avenida Venceslau Brás e no final dela pegue à esquerda. Mantenha-se à direita, o Real Astoria fica deste lado. Caso tenha dúvidas, consulte http://www.apontador.com.br/maps/?st=BR%7Crj%7Crio%20de%20janeiro%7C%7CR%20Pinheiro%20Machado%7C5%7C%7C-22.93521241025641%7C-43.18424458974359%7C%7C&en=BR%7Crj%7Crio%20de%20janeiro%7C%7CAv%20Rep%20Nestor%20Moreira%7C11%7C%7C-22.949601296551727%7C-43.17811520689655%7C%7C&tl=r&mz=2&mc=-22.950088145703933%7C-43.1770328515625&tm=2&to=1

5- se por algum acaso você não conseguir chegar a tempo para cerimônia religiosa e seguir direto para o local da festa, lembre-se que o melhor ponto de referência é o bairro da Urca, onde está o Pão de Açúcar. Você deve tomar essa direção e ao invés de entrar na Urca quando estiver na Av. Venceslau Brás, deve virar para esquerda e seguir em direção ao Aterro pela pista mais lateral da direita. Preste atenção, e isto vale para quem vem da igreja, pois o Real Astoria fica logo no início da enseada de Botafogo, ao lado de um posto de gasolina e do corpo de bombeiros.

6- ao chegar ao local da festa, deixe seu carro com o manobrista do Real Astoria, nada será cobrado pelo serviço.

7- o horário previsto para início da festa é de 21 horas. A festa não começará antes disso, exceto se os noivos já estiverem no local antes desse horário e quiserem iniciar os serviços do evento antes da hora estipulada.

8- a festa terá duração máxima de 5 horas.

9- próximo à entrada, no interior do salão da festa, estará uma árvore da felicidade onde os convidados poderão deixar mensagens escritas para os noivos.

10- a diversão será garantida pela “A Festa” (http://www.afesta.biz/). Nos intervalos um DJ estará executando as músicas que manterão o gás na pista de dança.

11- existe uma cooperativa de táxi – Urca Táxi – que pode ser chamada no retorno para casa (ou para fazer o trajeto da igreja para festa). O telefone é 32722149.

12- caso você não tenha feito a confirmação, por favor, faça-o em http://www.confirmersvp.com.br/deboraeroberto ou utilize o telefone (21) 3303-4491.

13- após a data do casamento, qualquer informação referente à festa e cerimônia religiosa poderá ser obtida pelo blog http://www.deboraemogami.blogspot.com/. Escreveremos sobre tudo o que aconteceu, faremos um diário da lua-de-mel e deixaremos informações sobre os sites em que estarão o slide show e vídeo do casamento. Será interessante poder recordar tudo isso e se ver participando deste momento único em nossas vidas.

14- a lista de presentes está nas lojas Fastshop e Ponto Frio. As lojas do Fastshop podem ser encontradas em diversos shoppings do Rio (apenas no Rio): Norteshopping, Barrashopping, Rio Sul, Shopping Tijuca, Rio Design, Fashion Mall, Shopping Leblon e Plaza Niteroi. Também pode-se acessar http://www.fastshop.com.br/ para comprar o presente. Pelo Ponto Frio não é possível comprar nas lojas, mas tão somente pela internet: http://www.pontofrio.com.br/

15- preparem-se para se divertir muito!


domingo, 25 de outubro de 2009

Contagem regressiva


Hoje Zaica e Lobinha (nossas filhinhas gatinhas) irão passar o dia reclusas no nosso quarto, a sala virou um verdadeiro 'canteiro de obras'. Há brindes de pista espalhados em cima do sofá, do piano, da mesa, já que quero deixar tudo organizado para facilitar a vida da minha cerimonialista. Estou etiquetando os brindes específicos para as madrinhas e para mim e separando o que vai ser distribuido no início da festa, dos brindes que serão distribuídos para o baile de máscaras que vai acontecer mais pro final. Estamos também escolhendo algumas músicas que fazemos questão que toquem, pois fazem parte da nossa história, como a música do primeiro beijo...É claro que não vamos determinar o momento, o DJ terá toda a liberdade para sentir a pista e não deixar ninguém parado.


Desde que começamos a namorar percebi que eu e o Roberto funcionamos muito bem como uma equipe, acho que tudo que sonhamos com outros parceiros conseguimos realizar juntos. No segundo mês de namoro entrei na aula de dança com ele; ele que já praticava há 1 ano foi um fofo e entrou em uma turma de iniciantes só para podermos praticar juntos. Fizemos forró e dança de salão por 6 meses e cerca de 2 anos de dança de salão( bolero, samba de gafieira e soltinho). Eu adoro samba de gafieira, é uma delícia! O Roberto, apesar da dificuldade imposta pela raça, é um aluno dedicadíssimo e já está até sambando no pé. Ele conduz com uma precisão que dá à dama uma segurança grande no salão , seus passos são claros e leves. Confesso que cansei do tum e tum do bolero, saímos da dança de salão e o Roberto está na aula de salsa que ele adora. Eu fui outro dia fazer uma aula com ele e adorei, assim que voltar de viagem vou tratar de fazer minha matrícula, pois este parceiro já é meu e ninguém tasca!


Após 1 ano de namoro fizemos uma viagem à Paris e lá ele me pediu em casamento, em um restaurante indiano de Monmartre, aos pés da Sacre Cour : trés romantique. Quando voltamos fizemos um almoço de família e oficializamos o noivado. Eu iria morar sozinha , ele não pestanejou, tratou de propor que fossemos morar juntos logo, afinal somos um casal moderno e veríamos na prática se daria certo ou não. Foi maravilhoso, o Roberto apesar de ter sido tratado a pão de ló pela minha eficientíssima sogra, se mostrou ser um ótimo marido, ele não me 'ajuda' com as tarefas domésticas, ele as assume, como deveria ser em todo lar. Naturalmente cada um assumiu o que gostava mais ou detestava menos em alguns casos, como lavar a louça (Roberto) ou tirar o lixo (Eu). Ele faz o supermercado e eu a feira e assim vai. Ninguém fica sobrecarregado. Nós não tivemos a chamada fase de adaptação em que os casais brigam um pouco até se ajustarem um ao jeito do outro. Não havia brigas ou discussões, reinava em casa uma paz de filme americano, confesso: fiquei até assustada. Nesses quase 3 anos de convívio passamos por um poutpourri do que um casal deve passar em anos de convívio. Passei por uma fase difícil de doença na minha família e foi muito estressante pra mim, tive que readaptar a nova situação em que minha mãe se encontrava; sou filha única e meus pais se separaram quando eu ainda era pequena, e agora não mais podíamos contar com a memória dela. Felizmente a pessoa que foi minha babá quando eu era bebê e conhece nossa família há anos está acompanhando minha mãe nas tarefas diárias, o que me deu uma tranquilidade enorme. Nos momentos de tristeza o Roberto me deu toda força e sempre repetia que agora era comigo e ele, que éramos uma família.


Este ano o pai do Roberto adoeceu : câncer de pancrêas, uma doença terrível e indômata. Pela primeira vez eu e Roberto conhecemos o que são discussões bobas que se transformam em brigas, devido ao estado de estresse em que nos encontrávamos. Conseguimos equacionar as coisas e entender o que estava acontecendo. Percebemos que a construção de uma relação bem sedimentada passa também por conflitos; percebemos que eles nos fizeram crescer e ter a certeza de que encontramos a pessoa certa um pro outro.

Minha admiração pelo o Roberto só faz aumentar a cada dia e vejo como sou sortuda! Temos muitas afinidades, compartilhamos o gosto pelo mesmo tipo de música, filme, livros e assuntos; adoramos viajar, temos objetivos semelhantes de vida. Mas o mais interessante é o quanto aprendemos um com o outro, o quanto a nossa maneira de ser no mundo é diferente e complementar. O Roberto é mais reflexivo e eu sou mais impulsiva, mais ou menos assim: eu lanço as velas ao mar e ele pega firme no leme, afinal o barco não pode afundar. Sinto que minha doçura e meiguice tem contagiado o Roberto e o seu senso de disciplina espero que vença meu 'déficit de atenção' persistente.

Minhas primas queridas


Hoje foi aniversário de 85 anos do meu Tio Moisés; foi uma surpresa muito boa encontrar uma parte da família reunida, especialmente meus primos com quem cresci: Raquel, Talita e Thietro. Como sou filha única, vivia na casa deles que ficava em frente à minha. Não é eufemismo, vivia mesmo: almoçava, lanchava, tomava banho e devia encher o saco também, mas eu adorava. O quintal era enorme cheio de pés de goiaba e jabuticaba, adorávamos brincar de aventura, trepar nas goiabeiras; nas jabuticabeiras, não me arriscava, quem fazia isto muito bem era a Talita, que ficava pendurada lá em cima enchendo bacias de jabuticaba, confesso que não gostava muito, mas acho que até comia para fazer parte do ritual. Havia um balanço pendurado numa goiabeira que dele de vez em quando um se esburrachava e saía todo ralado.
Uma das melhores lembranças que tenho da minha infância é dos banhos de chuva. Bom mesmo era quando caía temporal, nós quatro saíamos correndo esfusiantes como se nunca houvéssemos visto água, nos jogávamos no capô do carro só para deslizarmos feito sabonetes. Bom demais! E os banhos de piscina Tone no verão, ficava todo mundo enrugadinho de tanto ficar de molho! Eu, era uma espécie de inventadeira de moda , como dizia minha tia; estava por trás das grandes besteiras;a maior, foi num dia que choveu e resolvi dar a magnífica idéia de ver quem atirava mais bolas de terra na parede branquinha da casa da minha tia. -Com certeza hoje não escaparia da Ritalina( remédio para crianças hiperativas), infelizmente desatenta continuo.- Só me lembro da imagem do meu tio saindo furioso de dentro de casa e exortando a gente, morríamos de medo dele, mas não me lembro de uma única vez que ele tenha apelado para uma palmada.

Minha prima Talita, que é designer gráfica, está me ajudando com o folheto para a missa. Ela fez a arte gráfica e como se não bastasse, já que eu estou enrolada até o pescoço, também se ofereceu para imprimi-los, colocar fitinha,etc. Estou realmente comovida em ver como elas estão alegres com a minha alegria e dispostas a me ajudar. Caso veja que não vou dar conta sozinha é muito bom saber que tenho com quem contar e que elas o vão fazer com muito carinho. O carinho é sempre recíproco quando existe amor. Hoje, a Raquel já tem uma filhinha de 1 ano que é uma graça; é mágico ver que o tempo está passando e que estamos virando gente grande de verdade e que o nosso carinho uma pela outra continua o mesmo.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A 'Chinesa' e os leques


Há praticamente uma semana do casamento estou às voltas com mil e um afazeres que fiz o favor de me arrumar. Não bastasse a ansiedade natural do momento, preciso arrumar tempo para "montar" as lembrancinhas, preparar os cartões para a árvore da felicidade e finalizar os leques que irei distribuir na cerimônia, já que a igreja é pequena e estamos a um mês e meio do verão carioca. Confesso: pensei em quase tudo, uma noiva prevenida vale por duas!
Preocupada com um surto de calor carioca - visto que a Igreja não tem ar condicionado - fiquem tranquilos, eu sou exagerada: como a festa terá um clima clássico, decidi customizar leques para distribuir na cerimônia, o que dará um charme à Capela e que espero que se mantenha na festa (que minha decoradora me ouça..) Já havia escolhido o modelo, de madeira e tecido em tons de rosa e lilás, restou buscar no Saaara a fonte, provavelmente oriental de tais "especiarias".
Perguntando de uma lojinha à outra, logo não foi difícil descobrir que existem dezenas de lojas que atendem por "loja do chinês", o que parecia tão simples deu lugar à repentina observação que o Saara está repleto de gente de olho puxado, incluindo-se naquele momento o meu digníssimo nipônico noivo. Perambulando com um exemplar multicultural como escolta, logo cheguei à "fonte". Achei! Graças à Deus, me dizia, e parecia que havia em quantidade. Ótimo!
Com o vendedor comecei a abrir e examinar os leques, fui separando os de tons rosa e lilás e abandonando à margem, verdes , azuis, amarelos.
Já fazia até gosto ver a pilha de leques se formando. Porém! Existem muitos poréns na vida de uma noiva! A chinesa lá de trás do outro balcão se manifestou:
-Paco te fe chado!
Eu olhei como se ela estivesse falando chinês, sem dar muita importância, continuei a fazer crescer o montinho para o escambo. A quantidade, no mínimo 50, fez o olho da chinesa crescer e ver surgir a oportunidade de desencalhar aqueles leques verdes, amarelos....estou brincando, a maldade fica por minha conta, mas que ela era chata, era.
Depois por mais 15 minutos, em intervalos regulares, a cena se repetia:
-Paco te fe chado!- Eu virava, olhava a chinesa, agora com cara de assustada, parecendo acreditar que ela nos queria à distância.
Ah, com certeza eu não sairia dali com um "paco te fe chado"; me virei e disse com um ar de tristeza: -Mas minha festa é rosa moça! Ela me olhou e Nossa Senhora das Noivas Aflitas me acudiu. Depois de pensar um pouco, ela mandou descer um outro tanto de leques para eu completar a quantidade que queria, da cor que eu queria. Logo que o pacote chegou, a chinesa o destroçou e numa rapidez fugidia separou os cor de rosa. Diante da rivalidade milenar entre chineses e japoneses, preferi não arriscar e logo catei os benditos e seguimos adiante.
Estão ficando uma graça; com caneta dourada estou escrevendo a data e os nossos nomes na lateral do leque e estou arrematando com um laço de fita dourada. Agora só preciso de mais um pouquinho de paciência e tempo para deixar tudo pronto.