domingo, 28 de novembro de 2010

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Uma Presidente da República Mulher

Confesso que não votei na Dilma e como muitos estava apreensiva com a possibilidade de sua vitória. Mas a partir do momento que a apuração encerrou-se e ela foi declarada oficialmente como a nossa próxima presidente,  um sentimento de aceitação tomou o meu coração. Não podemos esquecer , que independente de partidos políticos e ideologias fazemos parte de uma só nação e esta a partir do dia 1o de janeiro de 2011 será chefiada  por uma mulher. Como mulher e grávida de uma menina que um dia se tornará mulher, não posso deixar de ficar feliz com esta conquista que não é da Dilma e nem do PT, esta é uma conquista de todas nós mulheres , que há pouco mais de 70 anos sequer tínhamos o direito ao voto, ou seja, nem cidadães éramos consideradas.
Não há mais uma batalha , uma disputa pelo poder. O que nos resta é tomar consciência que estamos todos juntos e que o mínimo que podemos fazer como cidadãos dignos que honram e zelam pelo bem maior de seu país é, em primeiro lugar respeitar aquele que foi eleito democratimamnete por decisão única e exclusiva do povo. Falar mal, ridicularizar ou questionar a capacidade de nossa presidente não a diminui em nada, mas mostra infelizmente que precisamos amadurecer como nação e aprender que pra termos respeito e dignidade precisamos dar o exemplo, para nossos filhos, companheiros, amigos e até mesmo para os políticos que elegemos.
Portanto, celebro poder dar a luz a uma menina em um nação guiada por uma mulher, que sofre como todas nós diariamente o preconceito por ser mulher, e o pior este preconceito muitas vezes vem de outras mulheres e não de homens como seria de se esperar.

domingo, 7 de novembro de 2010

Nova fase do blog

Nesta nova fase do blog espero compartilhar as emoções que traz gerar um novo ser. O quanto pode ser mágico, divino e às vezes dolorido. Mas certamente sempre maravilhoso!  A fertilidade é divina!...e inevitavelmente feminina...

sábado, 23 de outubro de 2010

Volta pra casa

A partir de hoje volto a postar no meu blog pessoal que estava meio esquecido. A microsoft migrou para o Wordpress.com e agora estou hospedado em http://robertomogami.wordpress.com. Os posts antigos do Spaces foram automaticamente migrados para o Wordpress. Na medida do possível - e da minha vontade - foi republicar alguns posts do Blogger no Wordpress. A todos que tiveram paciência e curiosidade de ler minhas postagens aqui, agradeço de coração. Continuo em outra casa agora...

Roberto

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Londres VIII

O avião iria partir às 9 da noite do último dia, então decidimos fazer um "tour" pelas atrações que ainda não havíamos visitado. Na verdade começamos pela área do parlamento e da London Eye, onde há alguns dias não pude tirar fotos por ter esquecido de levar o cartão de memória. Dali fomos direto para Tower Bridge que fica adjacente à Torre de Londres. É uma magnífica ponte sobre o Tâmisa e que vez por outra se levanta para passagem de algum navio de grande porte. Com certeza é um dos cartões-postais de Londres. Terminamos nossa visita no Palácio de Buckingham, talvez o lugar onde a maioria das pessoas começa o passeio por Londres, visto que abriga um dos símbolos do país: a rainha. Nos momentos em que há a troca da guarda, a calçada fica cheia de gente, mas no horário em que fomos, à tarde, havia muitos turistas, mas muito menos do que pela manhã. O local também é lindo, em frente está o monumento à rainha Vitória e as avenidas parecem convergir em direção ao Palácio.
Voltamos ao hotel e na saída, a chuva apareceu como se estivesse dando adeus a nós três. Dos lugares que conheci, Londres foi onde encontrei as pessoas mais educadas. A impressão que tive agora é melhor do que aquela que havia ficado há mais de 10 anos. A cidade está muito preparada para receber as Olimpíadas, coisa que não posso dizer do Rio de Janeiro. Obras acontecem por todos os lados, mas Londres não está um caos por causa disso. Tudo funciona com uma eficiência impressionante.

Roberto

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Londres VII

Oitavo e nono dias de turismo em Londres. Muita correria por causa das compras do bêbe, principalmente no que diz respeito ao item carrinho. A principal loja de bêbes em Londres chama-se Mamas e Papas e lá vimos muitas coisas bonitas e com preços melhores que no Brasil. A maior parte do enxoval da Valentina foi feito ali. No entanto, quando vi de perto os carrinhos fiquei na maior dúvida por causa das diversas opções. Os carrinhos top de linha custam por volta de 600-700 libras e têm diversos recursos. Entretanto, adquirimos um mais de acordo com a nossa necessidade e que não deixa de ser um produto muito bom.
Além do metrô, utilizamos algumas vezes os ônibus também. Os passes do metrô também são usados nos ônibus, mas a compreensão do sistema viário é um pouco mais difícil que no metrô. No entanto, não é nada do outro mundo tomar um ônibus em Londres, cuja vantagem é poder apreciar a paisagem da capital inglesa.
Londres é uma cidade de onde sai gente pelo ladrão. Nunca vi um lugar com tanta gente junta, em todos os dias da semana e em qualquer horário. Numa segunda-feira de manhã, as ruas do centro estavam cheias e as lojas de departamento também tinham muitas pessoas no interior. Na Oxford Street há diversas lojas de departamento enormes e se colocarem mais outra loja na rua, vai encher do mesmo jeito. É impressionante a quantidade de pessoas e turistas na cidade. Não consigo imaginar como vai ficar isso na época das Olimpíadas.
Os dois passeios que fizemos nestes dois últimos dias foram à National Portrait Gallery e Palácio de Kensington. A National Portrait Gallery é um museu de pinturas e retratos de celebridades. O detaque para mim é a galeria dos Tudors onde podemos rever parte das história da Inglaterra por meio das pinturas de Henrique VIII, Maria I, Catarina de Aragão, Elizabeth etc. Como não poderia deixar de ser, a quantidade de informação é muito grande, o que torna impossível absorver todo o conhecimento do museu em um dia.
O Palácio de Kensington era a antiga residência da princesa Diana. Parte do Palácio é aberto à visitação pública e a visita é feita por meio de um jogo nos aposentos e encenação de atores. Os jardins do Palácio que, na verdade, constituem-se num parque público são lindos e imagino que deva ser muito agradável passar as tardes de verão num ambiente como esse.

Roberto

domingo, 17 de outubro de 2010

Londres VI


No sexto e sétimo dias os passeios foram a Notting Hill Gate, Museu Britânico e Tate Britain.
Notting Hill é um bairro onde se localiza uma famosa feira de antiguidades que se estende por uma rua chamada Portobello Road. São dezenas de bancas que vendem produtos com as mais diversas finalidades. Não é um shopping center, mas se estiver procurando alguma coisa diferente ou se quiser passar o tempo, apreciando o vai-e-vém das pessoas também é um bom programa. As ruas em volta lembram o filme com a Julia Roberts e Hugh Grant. Eu ficava a olhar aqueles pequenos prédios e imaginava as cenas do casal.
O Museu Britânico talvez seja o mais importante de Londres. Entre a minha última visita e a atual houve uma reforma que transformou a entrada do museu. Somos recebidos num grande salão com teto transparente que se chama Great Court. É lindo do ponto de vista estético, uma obra que destaca o bom gosto e contrasta com o prédio por fora. Não que a estrutura externa seja feia, mas é formada por colossais colunas em estilo grego que dão uma ideia ao turista do que está por vir. No interior há diversas exposições interessantes com peças de várias partes do mundo. Muitas delas fruto de espólios de guerras ou conquistas no exterior e que são reclamadas pelos governos dos países de origem. Por meio de um audioguia muito completo pode-se escolher o tipo de visita a fazer ou apreciar os comentários sobre as obras em exposição. Concentrei-me no Egito antigo do pavilhão térreo e também nas esculturas do Parthenon. No entanto, acredito que depois de uma hora de tanta informação, o cérebro já absorva menos conhecimento do que início. Além disso, é cansativo ficar em pé e manter a concentração num lugar em que tantas pessoas também circulam ao seu redor. O museu lembra as coleções do Louvre (parte dele, obviamente) e merece ser visitado diversas vezes. O melhor de tudo isso: ele é de graça.
O Tate Britain é um museu de pintores ingleses que fica num bairro afastado do centro de Londres e perto de Westminster. Também é um museu gratuito, mas com uma estrutura menor se comparada ao Museu Britânico e o de História Natural. O destaque talvez seja a coleção das obras de Turner, onde pode-se ver os vários estilos que caracterizaram o artista ao longo da vida. Particularmente, não gosto muito da segunda fase de Turner, pois acho tudo muito abstrato e sem forma. Aliás, essa era a crítica mais que comum existente na época em o pintor viveu. Hoje ele é visto como um gênio por antecipar várias tendências que viriam a seguir.
Eu já achava essa Oxford Street muito cheia durante a semana. Mas, nos fins de semana ela consegue ficar mais cheia ainda. Uma alternativa melhor para quem quer comprar coisas nesses dias é ir ao Westfield. Clima de shopping (que eu não gosto tanto assim), mas sem os atropelos e engarrafamentos do centro da cidade.

Roberto

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Londres V

A Débora estava se sentindo mal na manhã do quinto dia de viagem e preferiu ficar no quarto durante a metade inicial do dia. Só tomamos café e ela voltou ao quarto para descansar. De minha parte fui visitar um outro museu importante, a National Gallery. O acervo do museu é vasto e bem variado, com destaque para pintores holandeses, italianos e de outras localidades da Europa. A parte sobre o renascimento é muito ilustrativa do período e bem interessante. O museu é composto por 4 alas e nem preciso escrever que é impossível ver tudo. Por meio de um audioguia e o mapa do museu, concentrei minha visita nas obras principais e algumas outras que também são famosas. Foi muito instrutivo e agradável, além de eu poder rever um quadro sobre a história de Santa Úrsula, cuja odisséia também é contada em enormes paineis num museu de Veneza.
A National Gallery fica de frente para a principal londrina: Trafalgar Square, uma espécie de Cinelândia inglesa visto que as reuniões de cunho político em massa acontecem ali. Na extremidade da praça, os famosos leões, cujas imagens guardo até hoje da viagem anterior.
Voltei ao hotel no início da tarde e fui almoçar junto com a Débora. Aproveitamos o restante do dia para conhecer a Torre de Londres, antiga fortaleza e prisão londrina. Atualmente é o local onde estão guardadas as joias da coroa, expostas à visitação pública. O passeio é bem agradável assim como as histórias que se passaram no local. Fico imaginando Ana Bolena, ex-esposa de Henrique VIII, presa naquela fortaleza no inverno...Devia ser torturante viver ali confinada.
Na parte da noite fomos conhecer um shopping center enorme e luxuoso chamado Westfield. São tantas lojas ali dentro que é impossível ver tudo de uma vez só e com pouco tempo. Felizmente, as lojas são agrupadas por categorias e aproveitamos, mais uma vez, para visitar lojas de criança e comprar as roupinhas da Valentina. Retornamos cansados ao hotel.

Roberto

Londres IV

No quarto dia de viagem pegamos o metrô e saímos pela estação Westminster, de onde se avistam duas atrações principais: o parlamento e a abadia de Westminster. Infelizmente, havia esquecido meu cartão de memória no hotel e não pude tirar fotos. Também não entramos nos dois locais citados visto que as visitas aos interiores são pagas e no caso do parlamento é obrigatório marcar um tour previamente. Junto ao parlamento encontra-se um dos marcos de Londres que é o Big Ben. A visão que se tem do parlamento a partir da ponte vizinha que atravessa o rio Tâmisa é muito bonita. Outra atração mais recente e igualmente famosa na região é a roda gigante London Eye que fica ao lado do aquário de Londres e de um centro de lazer chamado County Hall. O ingresso para London Eye dá acesso a uma projeção 3D (que utilizam aqueles óculos) sobre os pontos turísticos de Londres e a própria London Eye e ao passeio na roda gigante, cujo embarque se faz para dentro de diversas cápsulas. No interior das mesmas tem-se uma visão panorâmica das cercanias do Tâmisa. Mais uma vez a visão do parlamento impressiona os turistas que estão na London Eye. Um helicóptero passou bem ao lado da roda gigante e tivemos a sensação real da altura em que nos encontrávamos. Muito engraçado foi um grupo de turistas brasileiros que estavam na mesma cápsula. Pareciam ser do interior de São Paulo pelo sotaque que apresentavam. Um dos caipiras perguntou pro grupo: o que é que funciona ali perto do Big Ben mesmo? Muito hilariante...
Restante do dia dedicado às comprinhas da Valentina...

Roberto

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Londres III

No terceiro dia de viagem fomos a Windsor, cidade onde existe o castelo da família real e que está localizada a 30 minutos de viagem de trem da capital inglesa. O percurso começa na estação de Paddington, no mesmo bairro onde estamos hospedados, e os trens saem em intervalos curtos e regulares. Da estação de Windsor pode-se ir a pé até o castelo real. O bilhete de entrada dá direito a um audioguia que nos conduz pelo interior do castelo. Por ser habitado e receber convidados regularmente há um esquema de segurança rigoroso em torno dele. O passeio dura em torno de uma hora e meia e podemos conhecer o exterior e as salas com finalidades diversas. Tudo é muito suntuoso e bem cuidado, pois os aposentos recebem a família real normalmente. Lembro que na visita que fiz há mais de 10 anos não pude conhecer os aposentos porque uma parte do castelo havia sido destruída pelo fogo. Atualmente essas alas foram reconstruídas e ficaram com um aspecto de novo em folha, no entanto muita coisa é réplica do que existia. Os tetos foram todos reconstruídos na parte destruída pelo incêndio e ficaram com um aspecto que embeleza bastante o restante da construção. A visita é muito instrutiva e o interior do castelo é deslumbrante, impressiona mais que o palácio de Versalhes. O castelo era um antiga fortaleza e situa-se num local alto da cidade. O comércio local gira em torno da estação de trem e do castelo, não há nada mais além disso.
No retorno para Londres fomos a Oxford Street comprar algumas coisinhas para Valentina. A rua é uma vida de mão dupla, apinhada de gente para todos os lados. Nos horários de pico há engarrafamento de pessoas para atravessar algumas ruas. Há lojas para todos os gostos, desde as que trabalham com grifes famosas, lojas de departamento, outras que lidam com marcas populares e até uma loja enorme de brinquedos que eu nunca vi igual. São diversos andares com brinquedos de todos os tipos.
O londrino é um sujeito que está sempre com pressa, nos horários de início e fim de expediente, eles passam como um foguete por você. Lidam com o turista de forma cordial e tudo é precedido por um please, excuse me e termina com um thank you ou have a nice day. Não há grosserias gratuitas ou respostas mal educadas. É um povo fechado, percebo isto porque no interior dos vagões do metrô, quase todos estão lendo jornais, livros ou papeis do trabalho ou então estão mexendo no celular. Parece ser um mecanismo de defesa para não terem que interagir uns com os outros. Raramente se encontra alguém falando ao telefone celular no interior do vagão, quando isso ocorre eles falam bem baixinho. Ao embarcar nos trens, os que estão fora esperam todos que estão dentro desembarcarem primeiro. Realmente, em certos aspectos não me sinto um peixe fora d´água aqui, como acontece no Brasil...

Roberto

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Londres II

Nosso segundo dia em Londres começou pela estação de Paddington. Ali compramos dois – caros – passes de uma semana, os Oyster cards. Na versão mais adequada para turistas, ele dá direito à viagens de metrô e ônibus ilimitadas durante uma semana. Muito prático porque não precisamos ficar nos preocupando com compras de passagens.
O metrô de Londres é enorme, em muitas estações passa mais de uma linha e em diversos pontos é preciso fazer baldeação para se chegar ao destino desejado. Mas, com um mapinha na mão é possível ir a qualquer lugar. As indicações de direções nas estações também são muito adequadas. Em geral, os trens são pontuais e, eventualmente há atrasos ou cancelamento de viagens, pois imagino que numa malha tão extensa, a possibilidade de falhas e problemas também seja grande. Mas, em termos de eficiência comparada ao metrô do RJ, dá de dez a zero tranquilamente. Nos horários de pico, as estações ficam lotadas, mas em nenhum momento passamos os sufocos típicos do metrô carioca nos horários de rush.
Após descer na estação South Kensigton, fomos ao Museu de História Natural. Como diversos museus londrinos, este é “de grátis”. Uma pequena fila nos aguardava e em pouco tempo estávamos dentro. Das minhas recordações da visita à Londres há mais de dez anos, não vi mais o dinossauro (réplica) que ficava do lado de fora. De resto, o museu continua colossal e o destaque fica por conta da seção sobre dinossauros. É tanto dino que até enjoa. O boneco animado do T-Rex continua lá, assim como todos aqueles maravilhosos. Acho difícil algum museu bater o de Londres no quesito dinossauros. Há outras seções menos interessantes, mas é impossível ver tudo de uma vez só. Como é de graça pode-se voltar várias vezes e visitar com mais calma, mas aí o tempo corre e não vemos mais nada da cidade. Outra novidade é que agora o museu conta com um anexo – não tão interessante – chamado Darwin Center.
Do Museu de História Natural fomos para o Victoria & Albert, outro monumental museu de arte, com peças de vários continentes e de várias épocas. Tudo também de graça. No entanto, mal começamos a visita e a Débora sentiu-se mal por causa da gestação. Na verdade, ela estava muito cansada. Resolvemos voltar para o hotel, onde ela ficou descansando. Deixei-a dormindo e fui conhecer o Museu da Ciência, cuja entrada era gratuita, pra variar. Outro museu monstruoso com invenções de todas as épocas e de várias partes do mundo. Não consegui ver tudo, obviamente, e preferi deixar algumas partes para outra hora ou outra visita a Londres no futuro.
Voltei para o hotel no final da tarde e dali fomos para Oxford Street, a principal rua de compras de Londres. No próximo post entro em mais detalhes sobre essa via comercial.

Roberto

Londres

Viajamos ontem (10/10/2010) do Rio de Janeiro para Londres: eu, Débora e nossa filhinha em gestação, Valentina. Levamos cerca de 12 horas para chegarmos à capital inglesa e, para sorte nossa, o tempo estava excepcionalmente bom. Temperatura agradável de 20 graus e céu azul. Espero que continue desta maneira durante nossa visita inglesa.
O aeroporto de Heathrow é enorme, mas tudo é muito bem sinalizado e as pessoas são razoavelmente disponíveis para informações. Após reservarmos nossos assentos no voo de volta daqui a 10 dias, pegamos o Heathrow Express, um trem rápido que nos deixou em 15 minutos na estação de Paddington. Achei o preço da tarifa (18 libras) caro para a duração da viagem, mas o transporte é muito prático, rápido e os bilhetes são comprados em máquinas perto das plataformas. Da estação fomos a pé até o hotel, um percurso de menos de 10 minutos. As ruas em torno da estação de Paddington são cheias de pequenos hotéis como o que estamos hospedados. Após um jantar rápido nas redondezas, voltamos para o hotel. Estávamos cansados pela noite mal dormida no avião.

Roberto

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Reflexões sobre a modernidade

Ouço esse questionamento diversas vezes durante a semana:
- Dr., por que isso acontece com meu ombro? Sempre escuto outras pessoas também falando que tiveram bursite, tendinite etc.
- Sr., como outras partes do corpo, os componentes do ombro sofrem desgastes naturais do tempo. Não somos eternos. Além disso, é uma articulação muito utilizada durante nossa vida e pouco adaptada para as demandas que existem em nosso cotidiano. Os nossos ancestrais pré-históricos viviam em árvores e possuíam uma estrutura de membros superiores proporcionalmente mais forte e adaptada a vida fora da terra. Os macacos de nosso tempo também funcionam dessa maneira. A partir do momento que nosso meio de locomoção principal passou a ser o caminhar e correr, essa articulação tornou-se menos necessária e estruturalmente menos forte. Acredito que a modernidade, nosso modo de vida, trouxe demandas que não existiam e que nos colocam em rota de colisão como nossa anatomia.
Durante uma conversa com minha esposa no dia de hoje, ela me lembrou de um comentário que fiz há algum tempo. Discutíamos o uso indiscrinado de ritalina e as causas que levaram a essa situação. Uma das coisas que observei é que o encéfalo humano não está preparado para absorver a quantidade de informações que nos chegam. Há um excesso de estimulação visual, auditiva, olfativa etc. Pior, tudo vem pronto e mastigado e não demanda nossa capacidade de reflexão. Análise crítica zero! É o que eu chamo de cultura do Google. A superficialidade e o imediatismo.
Pensando de modo evolutivo, imaginaríamos que a partir de todas essas demandas modernas, o ser humano evoluiria para o desenvolvimento de membro mais fortes e adaptados às tarefas atuais. Do mesmo modo, nosso encéfalo evoluiria para ser capaz de processar, quase como um computador, toda essa avassaladora quantidade de informações. No entanto, essas adaptações evolutivas levam milhões de anos para ocorrer. Ademais, o progresso da ciência, de uma certa maneira, interfere com os mecanismos de seleção natural (não entremos nas questões éticas envolvidas, pois a discussão não iria terminar mais), que faz com que os mais adaptados sobrevivam. Vivemos em uma sociedade que geneticamente ainda é bastante influenciada pelo modo de vida de nossos ancestrais: somos obesos porque era importante acumular reservas num ambiente passado inóspito e de muitas carências; somos suscetíveis a esse bombardeio de informações porque era importante para nossa sobrevivência ser um coletor de informações e nos tornarmos sobreviventes em meio a um grupo competitivo.
O homem moderno encontra-se numa encruzilhada: nossa estrutura mental e física está um passo atrás das demandas que existem hoje. Nos sentimos inadaptados ao padrão de vida de nossa civilização. Aliás, não somente os seres humanos, mas o planeta de uma forma geral. Por outro lado, não vamos regredir nosso processo civilizatório a um estágio anterior para estarmos adaptados novamente. Provavelmente não teremos tempo cronológico suficiente para evoluir e acompanhar o progresso e esse mesmo progresso democratiza o direito a vida, mas elimina a seleção natural. Onde isso vai parar? Diversos tumores, infecções, doenças degenerativas são consequência desse choque civilizatório e achar um ponto de equilíbrio entre progresso e saúde é uma questão que se impõe na criação de nosso filhos.

Roberto

domingo, 3 de outubro de 2010

Eleições

No caminho para o local de votação reparo que a sujeira eleitoral este ano aumentou. O abuso total na distribuição daqueles cavaletes nos canteiros de ruas foi geral. Perto dos locais de votação vi diversos desses cavaletes amontoados como lixo, possivelmente porque alguns fiscais retiraram as propagandas. Mas, em locais mais distantes a bagunça era geral. Fiz questão de gravar bem o nome destas figuras que emporcalharam a cidade para não votar neles de jeito nenhum.
Este ano mantive a coerência e continuei votando nas esquerdas. De preferência na legenda, no caso o PSOL. Na minha cabeça o PSOL encarna o PT antes do Lula ser eleito. Não tenho grandes esperanças quanto aos cargos principais, mas o voto no PSOL é quase um voto de protesto contra essa política insossa que está aí. No caso da eleição de governador e de segundo senador, anulei meu voto. Não sei porque nos obrigam a votar em dois senadores, acho que seria melhor eleger os dois candidatos mais votados e pronto. Também não concordo com votação obrigatória. A pessoa alienada de tudo o que acontece no país vota por impulso e utiliza critérios questionáveis para eleger um candidato.
No mais, as outras ilegalidades de sempre, gente entregando santinhos, gente pegando santinhos e jogando na calçada, além das propagandas em cavaletes que comentei no início deste post. Nada muda....

PS: uma colega contou que no dia da eleição pediu a um policial para reprimir a boca de urna na porta do local de votação. Ouviu como resposta o seguinte:
- A senhora é juíza eleitoral?
- Não...
- Então a gente não pode fazer nada. Não podemos sair daqui. Quando tentávamos reprimir essas pessoas, apareceram a fulana (deputada famosa) e o fulano (deputado famoso) impedindo que fizéssemos nosso trabalho.
E ficou por isso mesmo...


Roberto

Poder, Ambição e Glória



Livro do empresário Steve Forbes e do cientista John Prevas publicado no Brasil pela editora Rocco.

O livro é dividido em várias partes e em cada uma delas, os autores traçam um panorama histórico de uma dada região (Grécia, por exemplo) e a atuação de um grande personagem daquele momento. Ao final de cada capítulo são comparadas as decisões que estes personagens históricos tomaram em suas épocas com fatos verídicos que mudaram o destino de grandes empresas, para melhor ou pior. São analisados os históricos de Ciro da Pérsia, Alexandre da Macedônia, Xenofonte, Aníbal, Júlio César e Augusto.
Com Ciro da Pérsia, podemos aprender que é importante exercitar a tolerância e a inclusão - no caso dele, o respeito aos costumes e religiões dos povos conquistados.
A Grécia foi a civilização que rivalizou de forma marcante com os persas. Os primórdios da civilização grega foram caracterizados pela disputa entre diversas cidades-estado, duas das quais mais poderosas: Atenas e Esparta. Em alguns momentos da história destas cidades, o motivo de união era um inimigo comum: a Pérsia. Apesar deste império ter invadido a Grécia com um exército poderoso, os gregos conseguiram rechaçar os persas e, historicamente, conseguiram sua revanche tempos depois com Alexandre da Macedônia.
Talvez a parte mais brilhante do livro seja a análise de Alexandre. A Macedônia era um reino ao norte da Grécia que conseguiu a unificação das cidades-estado por meio de Felipe, pai de Alexandre. O objetivo de Alexandre, após a ascenção ao trono macedônio era a conquista do oriente, no caso a Pérsia, o acesso às riquezas deste país e o estabelecimento de um império sem fronteiras.
Alexandre era um grande estrategista militar, mas quanto mais seguia conquistando as terras do oriente, mais sua ideia de grandeza ganhava corpo e o impedia de ver que o mais importante era estabelecer um império e consolidá-lo, não aumentá-lo indefinidamente. A reboque de sua escalada louca e ambiciosa, Alexandre incorporava os povos que conquistava, inclusive culturamente, e minava a resistência física e psicológica do seu exército. Apesar de ser um exemplo admirado no ocidente, Alexandre é o testemunho histórico de alguém que possuía uma capacidade de liderar pela arrogância e confiava muito em aspectos instintivos para tomar suas decisões (consulta a oráculos e matanças generalizadas por caprichos pessoais).
Cartago no esplendor de sua existência era um Estado do norte da África que rivalizava com a ascendente Roma. O comandante cartaginês Aníbal ficou famoso pela travessia que empreendeu pelos Andes no inverno, comandando um exército enorme que era composto também por elefantes. Um das virtudes de Aníbal era a capacidade de surpreender o inimigo fazendo coisas inesperadas. Outra virtude era ser atento a detalhes.
Dois governantes destacados pelos autores no capítulo sobre Roma são Júlio César e Augusto. O primeiro caracterizou-se por ser um grande estrategista militar e uma notável águia política. No entanto, assim como Alexandre, Júlio César tinha um ego inflado e despertou a ira de diversos inimigos, muitas vezes por atitudes impensadas e gananciosas. Augusto, sobrinho de César, era o oposto, pois se caracterizou por ser um grande administrador após pacificar o império dividido.
O livro é interessante pelos resumos que faz sobre a vida de personagens marcantes da história do mundo. Em poucas páginas (se considerarmos os livros de história tradicionais) os autores conseguem sintetizar os fatos importantes na história de grandes impérios e civilizações. As comparações com exemplos atuais de grandes corporações não são perfeitas, pra dizer a verdade não são muito boas, mas acho válidas como tentativa de discutir aspectos de liderança de uma forma inovadora.

Roberto

sábado, 25 de setembro de 2010

The Mind´s Eye




Publicado em 6 de dezembro de 2008.

Livro de Henri Cartier-Bresson, um dos nomes mais importantes da fotografia, sobre o ato de fotografar, algumas viagens e seu relacionamento com outros artistas contemporâneos.
Na sua visão, a câmera é um caderno de desenhos. Fotografar exige sensibilidade, disciplina da mente e senso de geometria. Eu acrescentaria que um pouco de sorte também.

Comenta brevemente sobre a fundação da agência Magnum de fotografias em 1947. Instituição que congrega diversos fotógrafos que produzem trabalhos a serem vendidos para mídia de todo mundo.

No momento decisivo - em que vc observa o desenrolar de uma situação, a movimentação dos elementos que comporão a foto – captura-se uma cena em que há harmonia geométrica entre seus componentes. Existe um equilíbrio entre todos os componentes desta cena.

Cartier-Bresson faz uma crítica aos cortes, reparos que são feitos a uma foto. Conseqüência da incapacidade de produzir uma fotografia original balanceada entre seus elementos. Na época em que o livro foi escrito, o autor ainda se mostra em dúvida quanto a validade das fotos coloridas. Eu, na minha humilde visão, acho que a cor desvia a atenção do olhar para longe dos elementos importantes da foto. Gosto de fotos bem feitas, esta semana mesmo vi uma foto colorida maravilhosa de natureza http://www.digiforum.com.br/viewtopic.php?t=46858. Mas, a dramaticidade do momento, a geometria dos componentes de uma foto são ampliadas no P&B.

Outra crítica que Cartier-Bresson faz é ao ato de clicar aleatória e ininterruptamente (o que representa tirar fotos sem pensar antecipadamente, sem planejamento) e à valorização dos aspectos técnicos acima da capacidade de olhar e compor a cena. Penso que a composição envolva sensibilidade, interação com o que está sendo fotografado. Por isso é tão difícil obter uma boa composição. Mas, como tudo na vida, o domínio da técnica é imprescindível para que possamos dar liberdade à criação. Esta última frase está cheia de clichês, mas é verdadeira.

Não é um livro sobre técnica fotográfica, não se ensinam macetes sobre o ato de fotografar. Mas, Cartier-Bresson, por meio dos seus pensamentos acerca da matéria, nos faz pensar, levantar questionamentos sobre o que queremos fotografar.

Roberto

domingo, 19 de setembro de 2010

O Lugar Escuro




Livro da editora Objetiva, escrito por Heloisa Seixas, esposa de Ruy Castro.
A autora faz um depoimento do progressivo definhamento de sua mãe pela demência senil. O relato é costurado com memórias de infância e adolescência e do convívio com o pai (separado).
O livro não é dividido em capítulos, o texto flui de maneira contínua e descompromissada por um pouco mais de cem páginas.
O depoimento começa com o que a autora chama de marco zero: na visão da escritora quando sua mãe atravessou a faixa que separa a sanidade da loucura. Até aquele momento havia lapsos de atitudes estranhas, mas nada consolidado como um comportamento bizarro e persistente. O texto segue pelas lembranças de Heloísa do casamento da mãe, o favoritismo que existia pelo seu irmão, as diferenças de personalidades entre ela e o irmão, a separação dos pais e a vida sem o marido. Na última parte retorna para a doença da mãe.
O conteúdo do livro é triste, parece um desabafo da autora, uma necessidade de falar para o mundo o que se passou a partir da doença da mãe. Acho que a condição da mãe fez a autora repensar todas as situações mal resolvidas que existiam em relação a família. A demência fez nascer sentimentos de ódio, nojo e pena que Heloisa teve muita coragem em expor. Assim como foi corajoso o relato dos conflitos que existiam com o irmão e as intimidades da vida dos pais. No final fica a reconciliação com o ser humano e a sublimação dos sentimentos contraditórios que a doença suscitou.
A leitura é rápida e descompromissada e o livro pode interessar como um testemunho de um familiar que passa por esse drama na sua vida. Não é uma leitura técnica e tampouco se propõe a ajudar alguém. Mas, é válido como depoimento de uma realidade do mundo moderno. No entanto, acho que falta emoção ao texto, o tema é árido, mas as reflexões não precisam ser tão objetivas.

Roberto

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Fragile Things



Assombroso (com trocadilho)! Esse é o adjetivo que utilizo para definir essa coletânea de contos e poesias de Neil Gaiman. Fazia tempo que eu não encontrava um livro de ficção com tanta qualidade. Confirma todos os elogios merecidos que recebe da crítica literária e ecoa a popularidade alcançada no mundo dos quadrinhos.
Li o original em inglês porque a tradução em nossa língua foi dividida em duas partes, o que encarece muito o custo do livro. No entanto, mesmo lendo em uma língua estrangeira, a sequência de histórias me fascinou. Neil Gailman surpreende o leitor a cada parágrafo, mas não é uma sequência de sustos ininterrupta ou revelações, joguinhos pseudo-intelectuais, coisas estilo "Código Da Vinci". O texto flui naturalmente e nos transporta para dentro das situações e personagens do livro. O elemento fantástico e fantasioso está presente o tempo inteiro e não existe um final para as histórias, o desenlace fica sugerido no ar ou permanece em aberto de acordo com a imaginação do leitor. Mesmo as emoções animais, como as descritas no pavor torturante de um gato são assustadoramente reais. Coisa de um escritor com muita sensibilidade para perceber nuances num animal tão enigmático quanto o gato.
Não é uma leitura que, talvez, agrade a todos, pois os contos são pontuados, muitas vezes, pelo mistério e o macabro. Enfim, uma grata surpresa. Estou louco para ler Anansi Boys, romance elogiado de Gaiman.

Roberto

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Google: A história do negócio de mídia e tecnologia de maior sucesso dos nossos tempos



Livro escrito pelos jornalistas David A. Vise e Mark Malseed.
Os autores contam a história da empresa Google e suas atividades principais.
O Google nasceu de um projeto desenvolvido por Larry Page e Sergey Brin em 1996, na época estudantes de doutorado na Universidade Stanford. Visionários, os fundadores do Google identificaram a necessidade de uma ferramenta de busca na internet que superasse o desempenho dos programas que existiam na época. Por meio de um software chamado Pagerank, a ferramenta de busca do Google tornou-se insuperável e aliada ao mecanismo de propaganda direcionada por procura, a empresa virou um fenômeno financeiro e de popularidade da internet.
O livro é uma verdadeira "rasgação de seda" ao Google. Apesar de situar muito bem todos os fatos relevantes na história da empresa, os capítulos levantam a bola do Google de forma irritante. Enaltecem os fundadores da empresa como se fossem seres perfeitos e acima do bem e do mal.
Mas diversos pontos necessitam ser destacados. Primeiro, o Google e os projetos da empresa, pelo menos nos primórdios da existência da companhia, não são direcionados, necessariamente, para o lucro. O retorno financeiro que existe é consequência do bom trabalho e das boas ideias que se tornam realidade. Segundo, os funcionários investem 20% do tempo na empresa para o desenvolvimento de projetos próprios, sem relação direta com as obrigações de trabalho do Google. Assim, um dia na semana é dedicado ao desenvolvimento destes projetos. Após apresentados à direção, caso valham a pena, são designados recursos e pessoal específicos para que sigam em frente. Terceiro, o Google não estabelece um inimigo, seja ele a Microsoft ou Yahoo, para ser o adversário a ser batido. A superação dos concorrentes ocorre de forma natural pela competência da empresa. Quarto, por falar em competência, o Google não poupa esforços para contar com os melhores profissionais do mercado e faz o máximo para que todos se sintam à vontade, num ambiente descontraído e que favorece a criação. Quinto, o Google é uma empresa que valoriza princípios éticos acima de tudo e que coloca o usuário em primeiro lugar e acima do lucro.
Bem, esse é o discurso oficial do livro. Vamos ao que eu achei sobre a leitura de tudo isso:
1- acho louvável o Google querer ser uma empresa criativa e que se diferencia das outras empresas tradicionais. Mas, os fundadores colocam esse ponto de vista de uma forma maniqueísta, o Google representa o bem e o resto está do lado do mal. Sinistro.
2- vamos ser sinceros, o que o Google faz e muito bem é ser uma ferramenta de busca. É impensável a internet sem o Google, ninguém discute isso. Mas, a empresa virou um gigante que quer fazer de tudo, faz parcerias as mais diversas possíveis e quer ser o repositório de diversas formas de conhecimento. A diferença para outras empresas como a Microsoft é que os dividendos chegam por outra forma, não por venda direta ao usuário. Mas, a necessidade de ser uma gigante e abarcar tudo é muito semelhante. Daí, tiro outro questionamento: o cérebro humano é capaz de processar a quantidade de informações que existe hoje em dia? Claro que não. É humanamente impossível darmos conta de todos os estímulos e informações que a mídia apresenta. Isso cria uma angústia enorme, além de competição e muita confusão. O acesso irrestrito de conteúdo técnico que demanda maturidade e conhecimento profissional, muitas vezes cria mais ansiedade e desinformação. Recebo muitos pacientes que consultam previamente o "Dr. Google". Além disso, a consulta de dúvidas e assuntos de interesse pelo Google, nos faz ter um conhecimento suerficial e muitas vezes equivocado pelo que se escreve na internet.
3- a empresa defende princípios éticos, mas foi processada pela Overture (subsidiária do Yahoo) por implementar uma forma de cobrança dos anúncios atrelada à procura (o que a Overture já fazia). Isso é a galinha dos ovos de ouro do Google no final das contas.
4- a empresa aceitou as pressões da China por censura a resultados de busca. No mínimo estranho para uma empresa que defende os princípios "do bem".
Admiro o Google naquilo que ele faz de melhor: as buscas. É uma ferramenta de valor inestimável e que transformou nossa maneira de usar a internet. A página do Google é de uma simplicidade genial, sem luzes piscando, sem propagandas, rápida para carregar, em cores básicas mas agradáveis...um show de eficiência. A filosofia que existe por trás da empresa é politicamente correta e também admirável, mas após o lançamento público das ações do Google, a impressão que passa é a mesma de todas as outras empresas capitalistas: crescer o máximo possível e render muito, mas muito dinheiro. Pena...

Roberto

sábado, 21 de agosto de 2010

Pegando Fogo


Pegando Fogo. Porque cozinhar nos tornou humanos.

Eu tomei conhecimento desse livro no sítio da pesquisadora Suzana Herculano. Ela havia lido o livro em inglês e antecipara o lançamento desta publicação em português. Fiquei interessado na leitura em virtude dos elogios da neurocientista e por causa do tema abordado.

O autor, antropólogo americano, destaca o papel do cozimento na evolução dos primatas. A descoberta do fogo e o seu emprego no cozimento dos alimentos trouxe muitas vantagens evolutivas aos ancestrais humanos. Possibilitou o acesso a alimentos com maior número de calorias, reduziu o dispêndio de energia num processo tão custoso quanto a digestão, colaborou para que houvesse um maior desenvolvimento do encéfalo e modelou as relações humanas, particularmente as relações homem-mulher. Pronto, resumi o livro..rs

Quero destacar uma das vantagens citadas anteriormente. O tubo digestivo dos humanos é proporcionalmente menor do que aqueles encontrados em símios e animais de pasto, por exemplo. Durante a evolução dos primatas, a mudança dietética para raízes de melhor qualidade e, principalmente, para o consumo de carne tornou menos importante ter um tubo digestivo extenso para trabalhar e absorver o alimento. O benefício secundário dessa transformação foi a disponibilização da energia que anteriormente era consumida na digestão para o desenvolvimento do encéfalo. Conforme o encéfalo dos primatas foi crescendo, o tubo digestivo foi diminuindo na mesma proporção. O cozimento dos alimentos também ajudou nesse processo e permitiu a transformação anatômica de nossos ancestrais no que somos hoje em dia: Homo sapiens.

O livro é muito interessante, mas fica um pouco chato e cheio de suposições quando tenta justificar o papel do homem e da mulher na sociedade a partir do advento do cozimento dos alimentos. Outro ponto de vista que discordo é sobre a obesidade, epidemia mundial. O autor critica as teorias evolucionistas que afirmam que nossos ancestrais necessitavam acumular energia, em virtude da organização das sociedades e pouca fartura de alimento que existia no mundo antigo. Na visão do autor, o cozimento facilitou muito, o melhor acesso qualitativo e quantitativo a comida e criou as condições necessárias, atualmente, para o aparecimento da obesidade. Sinceramente, acho que a obesidade origina-se das duas coisas: somos geneticamente programados para acumular e há fartura de alimentação calórica.

Este livro complementa um outro que li algum tempo atrás: O Macaco Obeso. Aliás, outra leitura excelente.


Roberto

domingo, 8 de agosto de 2010

Corrida VII

E além de concentração, que outro benefício a corrida traz ao seu praticante? O esporte de uma maneira geral traz amadurecimento, poder de decisão e capacidade de planejar. Quando estabeleço no início do ano as provas em que vou competir, imagino o planejamento geral, com os objetivos principais ou o objetivo principal. A partir dele, divido o ano em diversos mini-objetivos, que vão sendo cumpridos progressivamente e cujos benefícios se somam para chegar ao objetivo final. Durante esse período faço avaliações e mudanças de percurso que, por ventura, sejam necessárias. É muito importante ser flexível e trocar de direção quando as coisas não saem a contento. O planejamento não deve ser um fim em si mesmo, ele serve para atender a você.
De que maneira o esporte apura o seu poder de decisão? O treinamento e as competições nada mais são do que microcosmos da nossa própria vida. Vivenciamos situações, dificuldades, momentos de vitória e derrota semelhantes aos que ocorrem no nosso dia a dia. No post anterior afirmei que correr, às vezes, me traz respostas que procuro durante a semana para problemas cotidianos. Mas, eu não saio para correr, necessariamente, porque a corrida é um oráculo e me responderá todos os questionamentos. As respostas que procuro sempre estiveram e estarão no mesmo lugar: na minha mente. Com frequência precisamos de um momento de solidão e bem estar para que reflitamos sobre nossas vidas. Deixar de lado internet, jornais, tvs, videogames, aquele chato do trabalho, o bajulador etc e pensar, pensar muito naquilo que fazemos e somos. Igualmente, a corrida nos propõe desafios e nos coloca em situações de pressão em que somos obrigados a decidir na hora o que fazer. Os únicos conselheiros são o nosso bom senso e Deus.

(continua...)

Roberto

"O Amor é um Ato de Fé e quem tiver pouca Fé também terá pouco Amor." Erich Fromm


sábado, 7 de agosto de 2010

Corrida VI

A prova de que participo com mais frequência é a de 10 km. É o tipo de competição mais comum nas ruas e, no Brasil, o circuito Adidas é o conjunto de eventos de rua mais bem organizado no momento. Mesmo assim, acho que a meia maratona é a prova que me dá mais prazer. Ela não é tão rigorosa quanto a maratona, mas também demanda muita força de vontade e machuca menos. Os treinamentos para a meia também são desgastantes, mas conseque-se encaixá-los melhor na rotina diária do que os treinamentos da maratona. Como amador é preciso conciliar trabalho e obrigações domésticas com as rotinas de treinos. No caso da maratona, por exemplo, elejo uma prova no ano para me dedicar, em geral no segundo semestre, e passo todo o período anterior do ano dedicado a isso. Competir em diversas provas de 10 km e pelo menos uma meia faz parte do treinamento para a maratona. Assim como acordar cedo para correr e gastar 20 ou 30 km nos fins de semana para estar em ponto de bala no dia da maratona. Aos que ainda não sabem, o percurso da maratona é de 42 km. Durante os treinos não chegamos a correr os 42 km e nem devemos. O pico do período de treinamento da maratona é duríssimo e estimula aquilo que é uma das grandes virtudes não comentadas da corrida: o poder de concentração. Algumas linhas sobre isso...
Correr é um ato de se concentrar ou melhor, correr é a arte de aprender ou desenvolver sua concentração. Muito se fala sobre ioga, religiões, mentalizações etc, mas a corrida, no meu caso, é uma das atividades que mais desenvolveu a minha concentração. É preciso um bom condicionamento físico para se manter concentrado durante uma corrida e é preciso muita concentração mental para poder extrair o máximo do nosso corpo. Numa competição de rua, presta-se atenção o tempo inteiro ao ritmo que estamos imprimindo, distância percorrida, postos de hidratação e estratégia montada para aquela prova especificamente. É preciso estar muito ligado nisso tudo e conectar estes momentos cruciais com aqueles em que se esteve treinando e simulando as situações que ocorrem durante a prova. Numa maratona, o bicho começa a pegar a partir do km 30. Nesse período, o corpo já não tem o mesmo rendimento e as dores e o cansaço começam a aparecer. É a hora de se motivar e concentrar no percurso, não deixar sua cabeça sair da prova. Na maratona de Chicago, eu me recordo que tive muitas dores no pé nos dias que antecederam a prova. Num dado momento da corrida, as dores voltaram e um dos recursos que utilizei foi entoar mentalmente uma série de orações que funcionaram como mantras durante boa parte da corrida. Eu diria que eram mantras cristãos que me ajudaram bastante e - conjuntamente com outras estratégias - permitiram até aumentar o ritmo de corrida nos kms finais. Esses mantras eu já havia testado nos treinamentos e planejava utilizá-los em algum momento da corrida
Enfrentar um treino longo de fim de semana (20-30 km) durante a preparação para a maratona é outro momento que exige demais do poder de concentração. Além disso, essas são boas horas para fazer uma reflexão sobre um problema que nos aflige, encontrar uma solução para algum questionamento semanal que ficou sem resposta, rever mentalmente aquele passo de dança que aprendemos na aula de dança de salão etc. É sério, já achei resposta para muitas perguntas durante treinos de corrida. (continua...)

Roberto

Corrida V

Correr em trilhas demanda muita atenção por causa dos buracos e desníveis naturais do piso. Pode ser um prato cheio para uma entorse. Mas, com os cuidados devidos, pode-se aproveitar muito bem os treinos de corrida. Quanto à corrida na areia, muito comum também numa cidade praiana como o RJ, é preciso que se faça com muita orientação pelo risco de estiramentos, já que a areia demanda mais força muscular do que na trilha ou asfalto. Outra dica é não deixar de usar o tênis - pode ser um outro modelo usado - pelo risco do impacto contra os pés (mesmo sendo menor) e pela possibilidade de machucar a planta do pé em algum objeto perfurante (areia de praia é terra de ninguém).
Eu comentei sobre treinadores e a corrida é um esporte que pede um bom treinador para orientar os atletas. Correr não é enfiar um par de tênis nos pés e sair por aí como um louco correndo na rua. Há uma ciência por trás dos treinamentos, existem educativos a serem feitos para aperfeiçoar os movimentos da corrida e também há um planejamento da temporada para as competições em que se deseja participar. Correr uma meia maratona é totalmente diferente de competir numa prova de 10 km. Treinar apenas pelo prazer de correr é distinto de enfrentar as ladeiras da São Silvestre. Enfim, cada pessoa tem um perfil fisiológico e possui um objetivo dentro do esporte. O treinador serve para tornar isso tudo factível sem que estejamos sujeitos à lesões ou decepções pelas metas não atingidas. (continua...)

Roberto

Corrida IV

Alguma coisa estava muito errada, pois meu pé inchava e eu não conseguia correr mais de dez minutos na esteira sem sentir dor. Parei durante três dias e na volta, os mesmos sintomas. Após a consulta com o ortopedista, a ressonância magnética mostrou uma fratura de estresse no pé. Três meses sem correr e treinos somente de pedal. No final da recuperação, voltei correndo na água, um método chamado deep running (acho que é isso..). Aproveitei esse período e também troquei de treinador, pois estava insatisfeito com as orientações passadas. Aos poucos fui voltando a correr e a dorzinha inicial no peito do pé foi cedendo até sumir de vez. Ufa, que alívio!
Um dos primeiros conselhos que eu tive nessa minha nova fase foi evitar correr o tempo inteiro no asfalto. Os quenianos têm uma longa bagagem de corridas em terra batida antes de passar ao piso duro. Existem provas específicas em trilhas chamadas de competições de cross-country. Os treinos em trilha são bons até mesmo entre uma temporada e outra de um atleta de elite. O impacto nos pés é menor, estimula a propriocepção e demanda um esforço diferente e maior do que aquele necessário no asfalto. No caso de amadores que treinam rotineiramente, a terra batida ou grama é ótima para fazer o grosso dos treinos, obviamente devemos ter uma rodagem no asfalto também, mas idealmente com kilometragem menor.
Em qualquer atividade física, mas principalmente as aeróbicas, o monitor cardíaco deve ser seu companheiro de trabalho. Ele ajuda a treinar na frequência cardíaca adequada ao esforço pedido num dado período do treinamento. Não se treina no máximo o tempo inteiro e tampouco há utilidade em realizar treinos muito leves. O assunto é complexo e não abordarei isso aqui, mas existem zonas de treinamento adequadas para cada organismo e objetivo de treino e o monitor é fundamental nessa mediação.
Especificamente para corredores há um outro acessório que é o pedômetro eletrônico que funciona por gps ou por um dispositivo inercial que emite sinais. Cada um tem suas vantagens e desvantagens: o gps não funciona em áreas cobertas e o pedômetro inercial precisa estar sempre configurado para o tênis e piso em que se está treinando. É um aparelho ótimo porque permite fazer uma leitura em tempo real do seu ritmo de corrida, velocidade e distância percorrida. Quando acoplado ao monitor cardíaco torna-se uma ferramenta muito útil (continua...)

Roberto

Corrida III

Nessa época eu já pedalava sério e resolvi trocar a natação pela corrida. Eu já era assessorado por um treinador e minhas planilhas de bicicleta incorporaram os treinos de corrida. Sou melhor ciclista do que corredor, mas gosto muito de correr. Os primeiros treinos de corrida são difíceis, mesmo para quem já é condicionado em outro esporte. A primeira coisa que percebi foi que minha frequência cardíaca na corrida ficava mais alta do que em cima de uma bicicleta. A corrida também me desgastava mais e é natural que essas coisas aconteçam, pois a corrida demanda um maior grupo de músculos trabalhando ativamente para deslocar o corpo. Eu corria na ciclovia e na esteira. Aliás, corria muito na esteira. Foi durante os treinos na esteira que cometi dois equívocos que me custaram meses de molho sem poder correr. A pisada de um atleta na esteira é diferente da rua. Literalmente, a esteira corre por você. O atleta promove o deslocamento dos braços e pernas, mas a interação do pé com o piso na esteira é diferente pela falta do esforço necessário para projetar o corpo para frente. No meu caso, - e escrevo por mim, não sei os outros, mas acredito que não deva ser muito diferente - fazer alguns treinos na esteira pode ser legal para não deixar de treinar em dias chuvosos ou quando se quer fazer um treinamento específico. Treinar quase o tempo inteiro na esteira não é legal. Na vida real, ninguém caminha ou corre como numa esteira.
Meu segundo erro foi escolher o tênis pelas propagandas de revista ou pelo que o vendedor falou. O primeiro tênis que comprei foi recomendado por um vendedor porque era um modelo novíssimo no mercado e muito divulgado nas revistas. Um tênis ok, nada demais. O outro tênis que adquiri era um modelo novíssimo também promovido por uma triatleta famosa. O tênis era muito confortável e bem mais leve que os modelos tradicionais de treinamento diário. Eu gostava muito dele, mas depois vi que era inadequado para treinamentos constantes. Resultado de excesso de esteira e tênis inadequado: fratura de estresse num dos metatarsais. (continua)

Roberto

Corrida II

Por volta dos 31 ou 32 anos fiz um exame periódico de rotina num dos hospitais em que trabalho. O resultado foi desastroso: colesterol alto, hipertensão arterial e outras coisas mais. Pensei comigo mesmo: sou um cara estressado com o trabalho, não faço atividade física alguma e estou com os resultados dos exames laboratoriais alterados. Como posso ser exemplo de saúde para alguém - visto que sou médico - se o meu próprio bem estar físico e mental está em frangalhos? Até aquele momento, eu nunca havia colocado os pés numa academia, não tinha a mínima ideia do que existia lá dentro. Minha dieta consistia em arroz, feijão, batatas fritas e bife. Variações existiam dentro do quesito coisas gordurosas, frituras e doces. Diversão era coisa rara porque eu pensava somente em estudar e trabalhar. Mesmo minhas leituras estavam um pouco de lado. Em resumo, eu estava em rota de colisão com alguma coisa muito ruim para acontecer. Ou eu mudava o rumo da minha vida ou ela simplesmente seria abreviada em muitos anos.
Quando se trata de tomar uma decisão importante, o difícil é começar, de resto, feche os olhos e siga em frente com muita fé. Eu sempre pensei assim. Em todas as vezes em que me convenci da importância de algo, planejei o caminho e segui por ele, acreditando sempre que estava por fazer a coisa certa. Graças a Deus, eu sempre consegui...
A mudança começou pela dieta, consultei uma nutricionista do hospital e reduzi as quantidades e melhorei a qualidade do que comia. Também entrei numa academia e a primeira atividade desta etapa foi a natação. Era algo com o qual tinha alguma familiaridade na infância. Eu escrevi "alguma"! Depois de 3 meses, meu físico já tinha mudado de forma evidente. Aquilo me trouxe outros valores que incorporei e mantenho até hoje. Nessa época comecei a fazer musculação e o sobrepeso que eu tinha virou um corpo modelado pela parte aeróbica da natação e pela puxação de ferros. Mas, acima de tudo, eu estava feliz comigo mesmo, menos estressado e muito entusiasmado com a atividade física. Aquilo já não era uma necessidade de saúde, mas um prazer fundamental que eu tinha durante a semana. Aos poucos fui tomando gosto também pelas pedaladas por meio das aulas de spinning. Eu gostava ainda mais de pedalar nas aulas do que fazer as séries de natação. Foi uma questão de tempo eu comprar uma bicicleta para andar na rua. Mas, sobre isso eu escrevo em outro post...Treinava natação, bicicleta e malhava. Pensei: por que não correr também? (continua)

Roberto

Corrida

O homem é um ser em movimento por natureza. Nossos ancestrais evolutivos corriam para procurar alimento e se defender; ao longo dos milhares de anos nossa anatomia se adapatou para a vida na terra e para os grandes deslocamentos. O fato de sermos bípedes, o desenvolvimento menor dos músculos dos ombros (já que não precisaríamos mais viver em árvores), a menor quantidade de pêlos, tudo evoluiu para possibilitar nossas caminhadas e corridas. Portanto, queiramos ou não, somos filhos do movimento, nascemos para isso.
A corrida como esporte, principalmente na vida de homens extremamente urbanizados, reproduz nossa vocação natural, reprimida pelos confortos do capitalismo: automóveis, elevadores, escadas rolantes, supermercados, gadgets eletrônicos etc. Considero a corrida um dos esportes mais simples de se praticar, pois só é preciso um par de tênis e voilá! (continua...)

Roberto

Simplicidade

O tempo me ensinou uma coisa básica que norteia minhas atitudes: ser simples e procurar resolver os problemas da maneira mais simples possível. Depois de ler a biografia de diversos gênios ou pessoas de destaque, encontro um traço comum a muitos deles, eles preferem a simplicidade, o caminho mais curto entre dois pontos. Obviamente, nem toda solução mais simples e fácil pode ser a melhor. Mas, se existe a opção do caminho tortuoso e inútil, cheio de curvas desnecessárias e outro em linha reta, por via pavimentada e mais curta, qual você escolheria? Pois é, mas o ser humano é um bicho engraçado, nem sempre suas escolhas são feitas dessa maneira.
Ontem durante a aula de salsa, o professor, que esteve recentemente em Cuba, comentou sobre o que estou escrevendo: "quando lá cheguei queria dançar salsa rápidas e fazer passos complicados, mas o cubano não dança salsa dessa maneira, ele prefere músicas mais lentas e passos mais simples. É isso que dá prazer à dança e estimula a mulher a ser conduzida pelo cavalheiro". Concordo! Em algumas aulas, alguns professores de dança querem ensinar aquele passo complicado que será esquecido dez minutos depois ou que ninguém gosta, mas é sofisticado. Quando a turma atinge um nível intermediário, começa uma profusão de coreografias sem sentido e que só servem para causar efeito. É como o Domingão do Faustão, alguém acha que aquele pessoal se diverte fazendo aquilo? Alguém acha que nos bailes as pessoas dançam daquele jeito?
Outra novidade tecnológica que entrou em moda são os livros eletrônicos. Depois do Ipad, a mídia quer promover alguma coisa para vender e o livro eletrônico virou o "gadget" do momento. Na foto da reportagem do "Globo" aparece uma mulher "lendo" o jornal no "e-book". De vez em quando, quando estou fora de casa, eu acesso o Globo pela internet e fico lendo, rapidamente, algumas notícias que me interessam mais. É horrível aquilo! Eles tentam simular as páginas de um jornal de papel, mas é tudo muito artificial e pouco prático. Há cinco anos, inventei de comprar um guia de viagens (livro) em PDF de Montreal. Baixei o programa da Amazon e carreguei no Pocket PC (era uma espécie de Palm melhorado). O Pocket PC era meu companheiro inseparável, quase um celular (hoje os celulares têm essas funções nos smartphones), pois tinha minha agenda de contatos, anotações sobre protocolos de exames, programa de orçamento financeiro, emails etc. Achei que colocar um guia de viagem eletrônico seria muito útil, pois não precisaria carregar um livro na bolsa para ficar consultando durante a estada em Montreal. Ledo engano...Ele ficava minutos carregando um mapa do metrô; eu queria uma informação boba sobre o nome de uma rua e tinha que ficar voltando aquelas páginas até algum índice ou sumário. Em resumo, uma droga.
A medicina de hoje virou um shopping center de cursos sobre as mais variadas coisas. É email, folder, cartazes sobre os mais diversos cursos, jornadas e congressos. São convidadas as celebridades do momento ou médicos estrangeiros para falar sobre algum assunto "ultramoderno". Preços dos cursos? Os mais exorbitantes possíveis. Sempre digo: por esses preços, eu entro no site da Amazon, escolho um livro da minha especialidade que estou precisando e compro. Ou então, entro nos sites dos periódicos da minha especialidade e baixo os artigos com assuntos que me interessam. Muito mais simples e barato. Só é preciso sentar a b* na cadeira e começar a estudar.
Assim, antes de tomar decisões sobre alguma coisa, eu defino prioridades. Depois disso, passo aos acréscimos que podem me ajudar, apesar de não serem prioritários. No fim, elimino o que é supérfluo. E outra coisa: mais simplicidade em tudo que se faz, não inventemos "modas", curtamos a vida de forma natural...

Roberto

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Uma Oração....

Esta oração aprendi hoje. Uma amiga me ensinou e é para fazermos em prol daquelas pessoas que nos querem bem mas acabam de alguma forma nos prejudicando. Por ansiedade ou excesso de zelo são pessoas que se atropelam e acabam nos fazendo mal.

" -fulano de tal-, entrego você a Deus.
Irradio para você AMOR, PAZ, FELICIDADE, HARMONIA E VITÓRIAS ESPIRITUAIS.
Sei que sua jornada evolutiva estará sempre em direção a Deus.
Quando penso em você afirmo imediatamente:
-Você está entregue a Deus.
-Deus esteja com você."

domingo, 1 de agosto de 2010

Dorme Menino

Dorme menino
que faço do dom de te esperar milagre perfeito
pra minha impaciência sarar

Dorme menino
Te vejo em meus sonhos
te esqueço sorrindo por entre meus devaneios

Dorme menino
que enquanto a saudade não vem
faço a alegria voltar

Dorme menino
espera tranquilo
na certeza de que o tempo de acordar
tão breve há de chegar

Débora

domingo, 25 de julho de 2010

Educação


Excelente filme da diretora dinamarquesa Lone Scherfig, que com muita sensibilidade e inteligência nos coloca um tema tão atual apesar da história se passar na Inglaterra dos anos 60. Nesta produção inglesa de 2009 podemos rever a talentosa Emma Thompson muito bem acompanhada de outros atores de mesmo porte(Dominic Cooper, Cara Seymor, Peter Sarsgaard, Alfred Molina, Olivia Willians). A fotografia do filme dá o ar romântico da época e faz deste um presente aos olhos mais apurados.
A inteligência mordaz da protagonista, interpretada pela inspirada Carey Mulligan, desafia os valores e padrões da época. Nela , a errância tão típica da adolescência ganha apoio dos pais que por ingenuidade se deixam seduzir pelo eloquente e misterioso pretendente de Jenny.

Débora

Eu acrescentaria o seguinte: fiquei surpreso com este filme, não esperava algo tão bom. Uma história simples e muito bem contada. A fotografia do filme me fascinou bastante também. Pelo cartaz acima já dá pra ter uma noção. As cores dessaturadas nos remetem à Inglaterra dos anos 60. Ótimos atores também. Nota 10!

Roberto

Debutando no Circuito


Após alguns anos de convivência finalmente tive o prazer de participar de uma corrida junto com o Roberto. Hoje corremos os 5 Km da etapa inverno do Circuito das Estações. Foi muito bom! A sensação que tive foi de ter um treinador só pra mim, ditando o ritmo e dando as orientações necessárias. Mais feliz ainda fiquei no final ao descobrir ter conseguido baixar meu tempo em 2 minutos! Quem corre sabe que parece pouco, mas no fundo é muito.
Mais gostoso ainda é sensação de dever cumprido e a satisfação de estar fazendo algo tão bom pra própria sáude, física e mental, já que a auto-estima também agradece.

Débora

Esta corrida também marcou meu retorno às competições de rua. Atualmente, procuro me divertir mais e me preocupar menos com o desempenho. Quero criar um equilíbrio entre compromisso com os treinos e relaxamento. Sempre corri distâncias maiores (10 km e meia-maratona), por isso estranhei um pouco quando a corrida acabou, pois estava sobrando muito. Mas, foi muito legal ter a minha esposa ao meu lado, curtindo tudo isso.
Quanto à corrida em si, achei muito bagunçada, inclusive a entrega dos kits. Espero que mudem alguma coisa.

Roberto

Mães Más

Um dia quando meus filhos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e mães, eu! hei de dizer-lhes:
- Eu os amei o suficiente para ter perguntado aonde vão, com quem vão e a que horas regressarão.
- Eu os amei o suficiente para não ter ficado em silêncio e fazer com que vocês soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia.
- Eu os amei o suficiente para os fazer pagar as balas que tiraram do supermercado ou revistas do jornaleiro, e os fazer dizer ao dono: "Nós pegamos isto ontem e queríamos pagar".
- Eu os amei o suficiente para ter ficado em pé junto de vocês, duas horas, enquanto limpavam o seu quarto, tarefa que eu teria feito em 15 minutos.
- Eu os amei o suficiente para os deixar ver além do amor que eu sentia por vocês, o desapontamento e também as lágrimas nos meus olhos.
- Eu os amei o suficiente para os deixar assumir a responsabilidade das suas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração.
- Mais do que tudo, eu os amei o suficiente para dizer-lhes NÃO, quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso (e em alguns momentos até odiaram). Essas eram as mais difíceis batalhas de todas. Estou contente, venci... Porque no final vocês venceram também!
E em qualquer dia, quando meus netos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e mães; quando eles lhes perguntarem se sua mãe era má, meus filhos vão lhes dizer: "Sim, nossa mãe era má. Era a mãe mais má do mundo...
As outras crianças comiam doces no café e nós tínhamos que comer cereais, ovos, torradas. As outras crianças bebiam refrigerante e comiam batatas fritas e sorvetes no almoço e nós tínhamos que comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas.
Ela insistia em saber onde estávamos, à toda hora Mamãe tinha que saber quem eram nossos amigos e o que nós fazíamos com eles. Insistia que lhe disséssemos com quem íamos sair, mesmo que demorássemos apenas uma hora ou menos.
Ela insistia sempre conosco para que lhe disséssemos sempre a verdade e apenas a verdade.
E quando éramos adolescentes, ela conseguia até ler os nossos pensamentos.
A nossa vida era mesmo chata! Ela não deixava os nossos amigos tocarem a buzina para que saíssemos; tinham que subir, bater à porta, para ela os conhecer.
Enquanto todos podiam voltar tarde da noite com 12 anos, tivemos que esperar
pelos 16 para chegar um pouco mais tarde, e aquela chata levantava para saber se a festa foi boa (só para ver como estávamos ao voltar).
Por causa de nossa mãe, nós perdemos imensas experiências na adolescência:
- Nenhum de nós esteve envolvido com drogas, em roubo, em atos de vandalismo em violação de propriedade, nem fomos presos por nenhum crime. FOI TUDO POR CAUSA DELA!" Agora que já somos adultos, honestos e educados, estamos a fazer o nosso melhor para sermos "PAIS MAUS", como minha mãe foi.

EU ACHO QUE ESTE É UM DOS MALES DO MUNDO DE HOJE: NÃO HÁ SUFICIENTES MÃES MÁS!

Dr. Carlos Hecktheuer, Médico Psiquiatra.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Dorme Menina

Dorme menina
Enquanto desfaço a teia da razão
Não percas a paciência
Guarde minhas noites e meu sono
Nos teus sonhos faça de mim brinquedo
Dos teus tesouros me faça segredo
de um vermelho verde ,ainda com medo de chegar

Dorme menina
Enquanto embalo livre meu desejo
Recolho meu choro bobo de felicidade
E faço a mulher acordar


Débora

segunda-feira, 19 de julho de 2010



Foto do Trono de Fátima

Passamos o fim de semana em Petrópolis. No sábado à noite haveria um concerto com "Os três tenores do Brasil" e seria uma ótima oportunidade de juntar viagem, descanso e boa música. O tempo chuvoso atrapalhou parcialmente o passeio e o frio não estava tão intenso assim. Chegamos à tarde e fizemos umas comprinhas na rua Teresa, onde pudemos constatar que os preços das roupas são, realmente, mais em conta.
Os três tenores que se apresentaram no teatro D. Pedro são: Geilson Gomes, Marcos Paulo e João Alexandre. Gostamos mais dos dois primeiros, Geilson com uma técnica e constância vocal muito boas, Marcos com muita potência na voz e emoção na interpretação e João Alexandre sem a força das vozes anteriores, mas muito melodioso. O programa incluía árias famosas, mas foi modificado em cima da hora. Os momentos de maior emoção ficaram por conta da interpretação conjunta dos três tenores. Belíssimo.
O teatro D. Pedro é muito simples, fica numa praça ao lado do Museu Imperial.
No dia seguinte fizemos dois programas rápidos pela cidade: uma visita ao Trono de Fátima e ao Museu Imperial. Não conhecia o Trono de Fátima. É um mirante que abriga uma capelinha e um monumento à santa que foi construído pela mesma pessoa responsável pelo Cristo Redentor. Pelo que entendi, o Trono de Fátima representa a materialização do pagamento de promessa de um padre.
Já perdi a conta das vezes que visitei o Museu Imperial. A conservação dos objetos e recintos me impressiona e o museu lembra um pouco algumas instituições europeias. Ao longo do tempo não se percebem grandes mudanças no lugar. Da mesma forma também não percebi grandes progressos em Petrópolis, a cidade continua a mesma desde minha época de criança. Talvez um pouco pior, sem tanto glamour quanto antigamente.
Ah, ia me esquecendo da catedral de Petrópolis. Uma igreja bonita, um pouco mal conservada por fora, mas imponente por dentro. Aproveitamos a ocasião e pedimos ao padre que benzesse nossas alianças.
Enfim, valeu a pena para quebrar o ritmo de vida no Rio de Janeiro.

Roberto

sábado, 17 de julho de 2010

Criação Imperfeita



Marcelo Gleiser é um físico carioca formado pela PUC e que fez carreira no exterior. O primeiro livro dirigido ao grande público “A Dança do Universo” consegue unir clareza, informação de qualidade e astrofísica nas doses certas. Torço o nariz para certos autores que banalizam o conhecimento científico e outros que não “traduzem” a linguagem técnica para o nível dos simples mortais que não são da área.
“Criação Imperfeita” segue a linha que admiro, mas acho que alguns temas e ideias soam repetitivos depois do sucesso de livros anteriores. Por outro lado, inovadora é a crítica que se faz à busca das respostas para tudo, do excesso de ciência e racionalismo vistos quase como se fossem uma religião e à necessidade de uma “harmonia” em todas as coisas como pré-requisito para o progresso ou evolução.
O mundo é assimétrico e imperfeito. A perfeição existe aos nossos olhos, somos nós que determinamos de forma, muitas vezes, equivocada o que é verdadeiro. Mas, independente do ser humano, a natureza se basta na sua essência e torna supérflua a busca por respostas ou padrões a todos os nossos questionamentos.
Durante a leitura do livro recordei-me do símbolo do taoísmo, o Yin e Yang. A primeira vez que ouvi acerca do seu significado foi num curso de medicina chinesa. A complementaridade, a convivência entre opostos que formam uma coisa só é contestada pelos argumentos do livro. É uma livre interpretação minha. Questionei-me acerca disso e encontro exemplos práticos do dia a dia.
Volto para olhar as minhas fotos no Flickr e em diversas delas utilizo um recurso visual e de design universal que é justamente a assimetria de posicionamento do objeto principal em relação ao fundo. Isto quebra a expectativa natural que temos por uma simetria da imagem e dos objetos. Torna a foto interessante e não tão previsível.
O racionalismo excessivo representado pela necessidade de explicações para tudo nos faz ignorar o bom senso. Como médico vejo isso a todo momento. Um paciente que está bem, cisma com uma dorzinha nas costas; pedem-se centenas de exames e aparece um resultado, cuja medição é limítrofe em relação ao anormal. Solicitam-se outras centenas de exames, desta vez mais caros, sofisticados e invasivos. Nada é esclarecido e fica-se por isso mesmo.
A primeira parte do livro é muito boa e emprega o ponto de vista de um cientista, mais precisamente um astrofísico, para exemplicar essas discussões de uma forma elegante e mais acadêmica. A segunda parte é muito entendiante pois o autor resolve conceituar de forma acessível noções fundamentais de física. Creio que nesse momento ele se perdeu. A terceira parte adota um discurso repetitivo, já visto em algum lugar...Fico me perguntando: por que escrever livros com tantas páginas? “Criação Imperfeita” seria um livro muito bom com dezenas de páginas a menos.
Transcrevo um parágrafo que sinteza bem a ideia central do livro. Deixo como reflexão para a semana que começa: “A ordem que tanto buscamos na natureza não passa de um reflexo da ordem que tanto buscamos nas nossas vidas. O mundo só é belo porque somos nós que o olhamos”.

Roberto Mogami

domingo, 11 de julho de 2010

Postado em 9/4/2008 por Roberto


Istambul


Livro de memórias de Orhan Pamuk sobre sua cidade, Istambul. O autor começa descrevendo o edifício em que sua família morava, o edifício Pamuk, em que conviviam diversos membros do clã. Observações curiosas sobre a decoração das salas de estar "que pareciam museus", pois eram montadas em estilo ocidental e só serviam para decorar. Em certos momentos cria-se uma identificação com o autor, pois lembro da minha infância quando também "sonhava acordado". Aliás, acho que toda criança faz isso. Mas, Pamuk o faz como uma fuga daquele mundo que o entediava.

As lembranças do Bósforo trazem à memória momentos de convívio com a família e o fim da transição do mundo otomano para a república turca. Pamuk comenta sua admiração pelo trabalho de um artista chamado Melling, que no século XIX retratou o dia-a-dia de Istambul.

Pamuk disserta sobre a "hüzum", uma palavra turca cujo significado seria semelhante à "melancolia". O sentimento de "hüzum" impregna as pessoas por meio da convivência com a cidade. Os exemplos que o escritor cita de situações que suscitam a "hüzum" são fragmentos do dia-a-dia de Istambul, das interações entre seus habitantes e a cidade ou daqueles entre si. Destaco a seguinte frase que sintetiza bem uma idéia interessante: "...o que dá a uma cidade o seu caráter especial não é a sua topografia nem os seus edifícios, mas antes o somatório de todos os encontros casuais, de todas as memórias, de todas as letras, de todas as cores e imagens que coalham a memória superpovoada dos seus habitantes depois que eles, como eu, já vivem em suas mesmas ruas há cinqüenta anos.".

A importância que os turcos dão para o passado bizantino de Istambul parece ser proporcional ao tamanho do capítulo que Pamuk dedicou ao tema: muito pouca. Sim, pois, antes do período otomano, o que existia ali era a capital da Roma do Oriente: Constantinopla - capital do império Bizantino. A dominação otomana trouxe novos valores culturais e civilizatórios àquela região, mas a herança bizantino-grega permaneceu em várias partes da cidade. Particularmente num bairro chamado Beyoglu. Local caracterizado pelo comércio, pertencente a famílias gregas.

Curiosamente os 500 anos da invasão otomana não foram celebrados de forma "oficial", visto que a Turquia fazia (e faz) parte da OTAN e o país não queria ser mal visto pela Europa "ocidental". Afinal de contas, o fim da era otomana e a instalação da república turca significou uma guinada em direção aos valores ocidentais (vide a pretensão turca de fazer parte da Comunidade Européia). Mas, como em qualquer lugar em que existem minorias étnicas, os gregos "turcos" também foram vítimas de cidadãos travestidos de um nacionalismo exagerado que saqueou e destruiu o bairro grego. E, veladamente, com apoio oficial...

O fim do império bizantino é visto de maneiras diferentes pelo "ocidente" e pelos turcos. Para estes a data significou a conquista do império Otomano. Aqueles estudam o tema como a queda do império Bizantino. É fascinante imaginar uma civilização - que dominou grande parte do mundo - nascida muito antes da era de Cristo e sobrevivente - de forma diferente do que era originalmente, claro - até o século XV.

Algumas passagens me fazem lembrar dos tempos de criança. As brigas com meus irmãos, particularmente com meu irmão do meio; o episódio em que coloquei fogo numa pilha de caixotes existente na minha casa na V. Penha; as saídas com minha mãe para resolver alguma problema na rua. Os lugares mudam, as pessoas são outras, mas as situações e as emoções suscitadas são as mesmas.

Um dos capítulos que mais me agradaram versou sobre uma paixão de Pamuk, uma menina rica, tímida e filha de um pai conservador. Os encontros dos dois amantes eram pontuados pela paixão de Pamuk pela pintura. Causava-lhe um prazer imenso reproduzir a sua amada, prazer tão grande que o levou a pensar em se profissionalizar como pintor. E surge, mais uma vez, o antagonismo ocidente-oriente: o pouco valor que as artes têm na Turquia, a mediocridade dos artistas turcos que conseguem no máximo imitar os ocidentais, a falta de uma arte originalmente turca e com qualidade...

Incrível saber que um intelectual como Pamuk matava as aulas do colégio e da faculdade. Que ele tenha abandonado a faculdade de arquitetura pelo meio. Que fosse um andarilho sem destino pelas ruas de Istambul. Não fica claro quando ele se "achou", em que momento apareceu o escritor. Isto é deixado no ar ao fim do livro.

As Bodas de Filó


Gente bonita e alegre, muita música boa embalando o muito de amor que havia no ar. A vibração não era só de comemoração. Havia ali uma comunhão: de carinho, amizade , família, respeito...reencontros. Além da comemoração das Bodas de Ouro da Dn Filó, os aniversários de duas das filhas também estavam sendo comemorados. Mas as 'estrelas' eram a doce Dn Filó e o marido, não menos doce que ela.
Revi tanta gente querida que a saudade já impunha o reencontro. Nice, Kaká, Marliete, Lú, Ana, Emília... Tomei susto com o tamanho das crianças que teimam em crescer em galopes, quando vimos já estão maiores que os pais e não pude deixar de perguntar pra Dn Filó como ela 'fez' tantos filhos tão 'grandes'. Ela sorriu com seu jeito brejeiro e mais um pouquinho floriu meu coração. Finalmente conheci Gel. E pude lhe contar que em toda noite de frio, mesmo sem conhecê-la me lembro dela, já que são seus sapatinhos de crochê que me aquecem os pés.
Também conheci pessoas queridas de quem já é muito querido. Adorei trocar idéias com tanta gente bacana, espécime rara hoje em dia - este tempo doido em que nada sai da superfície.
O sarau durou a tarde toda recebendo a noite com muito chorinho e mpb da melhor qualidade. Músicos virtuosos comungando do prazer de tocar e deleitando a todos com, na minha opinião, a mais mística de todas as artes.
Foi uma comemoração completa : gente alegre, música boa, comida apetitosa.... Fiquei tocada quando no momento do 'parabéns', além de agradecer a presença de todos, Dn Filó num gesto de gratidão à vida, convidou todos a darem as mãos e puxou um Pai Nosso e uma Ave Maria. Aos 80 anos com rostinho de 60, Filó esbanja vitalidade, carinho e amor.
Mas como tudo na vida passa.... ficou a lembrança gostosa de horas compartilhadas com gente que vale a pena!

sábado, 10 de julho de 2010

Juan Rulfo
























Ontem visitei uma bela exposição no recém inaugurado Instituto Cervantes de Botafogo, "México: Juan Rulfo Fotógrafo".
Juan Rulfo foi um escritor mexicano que viveu no século passado. Além da literatura, tinha como passatempo a fotografia e a seleção de fotos que está exposta no Instituto Cervantes retrata a vida nos povoados mexicanos. Fotos de paisagens desérticas, composições belíssimas com a arquitetura em ruínas local, as plantas típicas e os habitantes e artistas mexicanos. Muito interessante o uso que Juan Rulfo faz das formas geométricas, proporções e o chiaroscuro. As imagens mais impressionantes são aquelas em que o fotógrafo aproveita os contrastes da vegetação e arquitetura locais, sejam como objetos principais ou como molduras para personagens anônimos da região. Alguns retratos de pessoas apenas sugerem uma ideia, enquanto outros passam sensações muito vivas ao espectador. A foto em que Juan Rulfo utiliza as curvas de um muro (cerca de pedra em um campo verde) para realizar uma composição muito original é magistral (http://www.elangelcaido.org/fotografos/jrulfo/jrulfo05.html). O camponês em meio à vegetação (ator de "La Escondida" entre agaves) é de dar inveja como foto bem planejada. A foto da menina em meio às arvores enormes (Alicia nos ciprestes) é de uma beleza sem par (http://www.radiounam.unam.mx/site/images/bastidor/alicia.jpg).
É muito bem vinda essa exposição e a inauguração do Instituto Cervantes num local bastante movimentado de Botafogo.

Roberto

sábado, 3 de julho de 2010

E paramos na Holanda...

Eu imaginava que o Brasil não seria campeão, apesar da grande parte dos times ser tão medíocre ou jogar de forma tão medíocre como o Brasil, mas durante o jogo de ontem, até tomarmos o segundo gol, vi o Brasil na semifinal. Sinceramente, não acho esse time da Holanda melhor que o Brasil, no primeiro tempo eles tomaram um show de bola e o 1 x 0 ficou barato. A Holanda estava tão perdida que um dos destaques da partida (Robben) cobrou o escanteio para ele mesmo e largou a bola perto da bandeirinha. Nunca vi uma jogada tão patética.
O Brasil, apesar da vantagem em todos os sentidos, jogava de forma nervosa e aceitava a "catimba" dos holandeses. Aliás, esses holandeses jogavam que nem argentinos no quesito "catimba". E os brasileiros - e o juiz - foram entrando na onda deles. O Robinho passou a partida inteira discutindo com o juiz e os adversários, mesmo quando ganhava tranquilamente. Um dado comum em todos os jogos da seleção (talvez menos contra a Coreia pela fragilidade do adversário) foi a falta de equilíbrio emocional, mesmo de jogadores conhecidamente ponderados, como Kaká. Talvez, reflexo do comandante desta seleção que gastou boa parte do seu tempo brigando com jornalistas e respondendo de forma exagerada às provocações da imprensa. Some-se a isso tudo uma necessidade da comissão técnica de passar um ar de seriedade que não existiu em 2006 e imagina-se porque esse grupo era tão tenso em campo.
O segundo tempo começou diferente, a Holanda se lembrou que estava numa Copa e voltou melhor. Mas, voltar melhor depois do primeiro tempo que fizeram não foi nada do outro mundo, pois eles não estavam jogando nada. Até o primeiro gol holandês, a partida estava equilibrada e o Brasil mais próximo da vaga. No entanto, como havia acontecido em outros jogos, a defesa deu um apagão. De quem menos se esperava, veio a falha: Julio Cesar. O outro que falhou - e foi o principal personagem deste jogo - havia feito um lançamento primoroso no primeiro gol do Brasil: Felipe Melo. Depois de procurar sua expulsão em outros jogos, este rapaz conseguiu o que todo mundo temia, pois foi expulso e num momento decisivo da Copa para nós. A Holanda havia virado um jogo que nos era favorável, mas com 11 em campo tudo era possível. Depois da expulsão, o que estava ruim ficou pior ainda e o que se via era um show de contra-ataques holandeses e chutões e chuveirinhos por parte dos brasileiros. Crucificar este rapaz como único responsável pelo que aconteceu é injusto. Mas, não é injusto perguntar o que uma pessoa com tamanho desequilíbrio estava fazendo no time do Brasil. Desta vez, saímos por motivos diferentes dos de 2006, quando imperava a bagunça e o estrelismo do jogadores. Dessa vez nem havia estrelas, propriamente ditas; como li em algum lugar da internet: estamos numa entresafra de jogadores. Ganso e Neymar são ótimos jogadores, mas não sei se iriam mudar o panorama do jogo de ontem, não os acho fora-de-série...Como foram Ronaldo e Rivaldo em 2006 (Rivaldo não era da mesma importância do Ronaldo, mas jogou como um fora-de-série e, inclusive, jogou mais que Ronaldo), Romário em 1994 e os tantos outros (Pelé e companhia) nas copas mais antigas. A seleção de 1994, por exemplo, tinha sérios problemas no meio-campo, mas resolvia seus jogos por meio da genialidade do Romário e do ótimo Bebeto. O esquema tático era tão burocrático quando o do time do Dunga.
Em resumo, não merecíamos mesmo vencer esta Copa, mas ficou a sensação de termos saído precocemente. Os dirigentes e comissão técnica apostaram numa filosofia que não deu certo. E que fique como lição o seguinte: seguir concentrado naquilo que se faz, não sair respondendo às provocações indiscriminadamente, procurar fazer o seu melhor e deixar que as coisas aconteçam naturalmente.

Roberto