sábado, 14 de novembro de 2009

Lua-de-mel (9)-Castelo St'Angelo, Pantheon, Piazza Navona


Nosso penúltimo dia em Roma (o último dia inteiro antes da partida) foi dedicado, inicialmente, à visita do Castelo D´Angelo. Constitui-se numa construção antiga que abriga a tumba de Adriano e também já serviu como refúgio dos papas italianos quando o Vaticano era sitiado. Utilizamos nosso Roma Pass para entrar e havia poucas coisas interessantes, exceto a vista do alto que permitia uma vista interessante dos arredores do Tibre.
Fomos andando da região do Castelo, próximo ao Vaticano, até o local em que se situa a Piazza Navona. Uma praça movimentada circundada pelos tradicionais restaurantes para pegar turistas e habitada pelos artistas de rua que executam pinturas dos passantes – como em Monmartre – ou dos cartões-postais de Roma. Destaque para a fonte em que estão representados os quatro rios mais importantes do mundo. Ao centro, como acontece em diversos outros pontos turísticos de Roma, um obelisco egípcio. Não sei porque essa obsessão em cravar um obelisco egípcio bem ao lado de esculturas ou praças que não têm nada a ver com o Egito.
A pé alcançamos o Panteão, onde está localizada a tumba de Rafael. Destaque para abóbada vazada que enche os olhos daqueles que miram o teto e enxergam uma semicircunferência perfeita. Diz-se que o projeto desta abóbada foi realizado por Adriano, um imperador e arquiteto nas horas vagas.
Este último dia não foi tão movimentado quanto os anteriores, mas chegamos tarde ao hotel mesmo assim. Muita coisa para se fazer, pois no dia seguinte iríamos para Florença.

Roberto

Lua-de-mel (8)- Capela Sistina


Acredito que a visita da Capela Sistina seja muito mais para dizer que estivemos ali. Não mudou coisa alguma em relação à época em que estive anteriormente: uma multidão olhando para cima e guardas pedindo às pessoas para ficar em silêncio. Na verdade para se apreciar o teto e a parede com o Juízo Final é necessário um binóculo para enxergar os detalhes dos afrescos. Melhor olhar os livros e tentar imaginar ao vivo. No local onde está pintado o profeta Zacarias, por exemplo, existem duas figuras menores, por trás do personagem, uma delas fazendo um gesto obsceno para o profeta. Em realiadade este profeta representa o próprio papa Júlio II, patrono e desafeto de Michelangelo, que é riducularizado pelo artista. Estas críticas veladas estão dispersas por todo teto e do solo não é possível percebê-las com nitidez. Mais fáceis de serem vistas são algumas correspondências anatômicas que Michelangelo faz. O afresco famoso em que os dedos de Deus e do homem estão unidos mostra uma panorâmica de Deus e diversos anjos compondo uma imagem que lembra um encéfalo cortado no plano sagital (ao meio).
Do afresco “O Juízo Final”, realizado posteriormente, observam-se diversas representações de corpos semidescobertos e musculosos. É a inspiração renascentista advinda dos clássicos gregos e do conhecimento de anatomia e admiração do artista pelos corpos torneados, principalmente os masculinos. Mesmo as figuras femininas de Michelangelo têm uma conotação corporal masculina, que valoriza a anatomia.
Eu acho incrível que um artista tenha criado um afresco como aquele da Capela Sistina e não tenha gostado do que fez. Michelangelo se considerava um escultor e não nutria paixão pela pintura, o oposto de seu rival Da Vinci. Diz-se que a pintura dos afrescos da Capela Sistina foi realizada a contragosto e condicionada à realização do projeto que lhe interessava: a tumba do papa Júlio II (a parte realizada desta tumba está situada na igreja de São Pietro in Vincoli). Que Michelangelo não tivesse experiência com afrescos e teme-se realizar um projeto daquela magnitude, eu entendo. Mas, não gostar do que se faz e pintar algo como os afrescos da Sistina é estranho. Tenho minhas dúvidas quanto a isso.
Um último detalhe: a entrada da Capela Sistina se faz por onde deveria terminar, isto é no altar. Entra-se na Capela (o que ocorre quando há a eleição do papa ou outras ocasiões especiais) pelo lado oposto, aquele em que está situado Zacarias na extremidade.
Bem, depois desta verdadeira maratona vaticana, passeamos um pouco pelos arredores do Vaticano e voltamos para o hotel.

Roberto

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Milagres acontecem!!!

Fiquei preocupadissimo aqui na Italia com o meu Fluminense. Acabei de abrir os jornais digitais e o site do UOL. Nossa Senhora!!!!!! Nense!! Neeeennnseee!! Sou tricolor de coraçao, sou do clube tantas vezes campeao....

Rumo ao topo da America do Sul e fora desse rebaixamento!!!!

Roberto

Lua-de-mel (7)- Vaticano


A caminhada da estação de metrô à praça de São Pedro dura uns 10 minutos. Paramos para admirar a arquitetura da praça planejada por Bernini, o obelisco egípcio bem ao centro e as estátuas de santos que adornam a periferia, são 140 santos no teto. Guardando a frente da basílica, em ambos os lados da praça, estão esculturas enormes de São Pedro e São Paulo. Do lado direito de quem chega está localizada a entrada, com uma fila básica, mas que não demora a andar.
Entramos na basílica e fomos direto para a visita dos túmulos dos papas e do suposto sepulcro de São Pedro. Diz-se que São Pedro foi martirizado naquele local e a mando de Constantino foi construída uma igreja sobre os restos mortais do santo. Na parte subterrânea da basílica, o destaque fica por conta da tumba de João Paulo II.
Eu já conhecia o interior da basílica, mas independente disso, ainda me impressiona as dimensões colossais da igreja. Sentimo-nos muito pequenos diante de tudo aquilo, particularmente do dossel de Bernini, bem no centro da basílica. Os outros destaques ficam por conta da Pietá de Michelangelo e da estátua de bronze de São Pedro, cujos pés são ininterruptamente tocados pelos turistas. Independente da fé professada por eles, fazem questão de tocar os pés da estátua e tirar fotos. Sinceramente, me incomoda essa necessidade de fazer fotos dessa maneira, desrespeitando uma figura tão representativa da fé católica.
Tão fotografada quanto a estátua de São Pedro, mas em virtude da importância da obra, é a Pietá de Michelangelo. A escultura que representa o sofrimento da virgem com Cristo nos seus braços é praticamente perfeita na expressão do sentimento de lamentação do filho morto. Impressionante também é constatar o requinte técnico do artista com apenas vinte e poucos anos. Eu me lembro dos meus vinte e quatros anos e não consigo me imaginar com uma maturidade tão grande para saber expressar de alguma maneira, um sentimento tão delicado quanto esse, ainda mais em se tratando do filho de Deus. Mesmo hoje, aos quarentas anos, penso que sei alguma coisa, mas continuo a anos-luz de um artista como Michelangelo ou Rafael que também alcançou a glória muito novo. Aliás, de Rafael podemos observar um quadro do último período do artista (se não me engano foi a última obra dele) localizado no interior da basílica: A Transfiguração.
Muito cansados demos por encerrada a visita à praça de São Pedro e a basílica homônima e retornamos ao hotel de metrô.
O dia seguinte foi consagrado ao Museu Vaticano. Saltamos na estação de metrô Cipro e fomos andando ao complexo de museus do Vaticano. A mesma suntuosidade da basílica se repete nos palácios papais, onde estão expostas as obras do museu. Durante a visitação, talvez mais importante que o audioguia seja o mapa que o acompanha e um guia-livro do próprio museu que é vendido na entrada. A caminhada é feita em sentido único e sala após sala são visitadas obras diversas do acervo papal. Pode-se dizer que os dois pontos altos da vista sejam as salas de Rafael e a Capela Sistina. Muita coisa do acervo é de importância muito menor, mas como os destaques maiores se localizam quase ao final da visita, pode-se dizer que perdemos um tempo grande e desnecessário com outras obras que acrescentam muito menos. Não chega a ter o tamanho do acervo do Louvre (e nem chega perto), mas é muita coisa para uma visita só. Da viagem anterior, eu me lembrava da sala dos mapas e da Capela Sistina. Mas, dessa visita eu destaco também o torso de Belvedere, pois é uma escultura antiga admirada pelos artistas do renascimento, particularmente Michelangelo, principalmente pelas formas anatômicas bem delineadas, uma característica do trabalho do artista italiano.
Adoro esculturas monumentais antigas e a sala redonda é um prato cheio nesse quesito. No meio desta sala está uma taça gigantesca em mármore ladeada por diversas estátuas enormes de deuses gregos e imperadores romanos. A estátua em bronze de Hércules parece pronta para começar uma briga. Do tipo “está encarando o quê?” (rs). Esta sala me lembra um pouco o hall de entrada de um outro museu na Alemanha, acho que é o Altes, não tenho certeza.
Mas, o destaque do museu, propriamente dito, é mesmo o acervo de Rafael, particularmente a sala da assinatura onde estão localizados os dois afrescos mais importantes: A Disputa e A Escola de Atenas. É admirável o modo como esses afrescos de Rafael combinam de forma tão harmoniosa uma composição com dezenas de elementos. Nas mãos de um atista medíocre ou de um leigo seria um amontoado de personagens buscando de forma infrutífera se socializar. Na representação de um gênio como Rafael é uma ciranda de cores, posições, lugares e pessoas que se complementam e contam uma história, congelada momentaneamente. Talvez nem Michelangelo fosse tão habilidoso para jogar com tantos elementos, pois um dos afrescos sobre Noé também lida com dezenas de elementos na composição e parece menos harmonioso. O próprio Michelangelo mudou de ideia quando percebeu que de um local tão distante como o teto da Capela Sistina, não era interessante trabalhar dessa forma. Mas, a encomenda de Rafael era outra. Os seus personagens também tinham outras representações, não eram musculosos como os de Michelangelo e as composições tinham um conteúdo menos dramático e violento e muito mais convencional. No entanto, é um Rafael e, infelizmente, fiquei menos tempo que queria nas suas salas, pois o tempo era escasso e havia enfrentado uma peregrinação dura anteriormente, que me tirou parcialmente as forças.
Parada para um lanche rápido, após passar pelo setor de arte moderna. A próxima etapa envolve a jóia da coroa: a Capela Sistina.

(continua)

Roberto

Lua-de-mel (6)- Coliseu e Piazza D'Spagna


Nosso sétimo dia de viagem em Roma começou com o café de manhã no hotel. Por ser um hotel pequeno, quase uma pensão, ele é todo administrado por uma senhora italiana simpática chamada Lucia. Ela faz praticamente tudo: abre a porta do hotel, serve a refeição, guarda as malas na recepção e outras coisas mais. Incredible! No domingo quando chegamos ela estava acompanhada do marido, um senhor italiano simpático também, e de uma mulher mais nova, não sei se a nora ou filha. Esta moça e o filho dos donos do hotel eram mais fluentes no inglês, no entanto menos visíveis por ali.
Pegamos nosso Roma pass e começamos a usá-lo no metrô. Muito simples, colocam-se informações básicas do turista à caneta e depois é só passar pela catraca da estação. A máquina valida o cartãozinho e você pode utilizá-lo nos próximos 3 dias. Da estação Manzoni fomos até Colosseo, onde estava a atração homônima que iríamos visitar. Basicamente são 2 pavimentos aberto à visitação e por meio de um audioguia fomos seguindo o percurso sugerido pelas instruções. No centro do coliseu, parte da arena foi reconstruída para dar uma ideia de como seria naquela época. O restante da edificação constitui-se em corredores e passagens, com diversos fragmentos rochosos dispersos e colocados nas laterais das paredes. Não há muito o que se fazer por ali, exceto observar os locais de visitação, imaginar como seriam as batalhas de gladiadores e relembrar o filme do Ridley Scott.
Saímos do Coliseu e fomos andando pela via Foro di Imperiali. É uma rua larga construída a mando de Mussolini e que corta o centro antigo ligando o Coliseu aos Fóruns imperiais e a Praça do Capitólio. Retirou-se muito material arquieológico e passou-se por cima de muitas construções antigas para abrir esta rua. Projeto polêmico na época da construção.
Da própria rua observamos as ruínas dos outros fóruns de Roma: o de Nerva, Trajano (junto com o mercad de Trajano) e o de Augusto. Ali vale a pena ter o guia de viagens na mão para ler as observações sobre os locais, visto que são sítios menos visitados e sem audioguias, bilheterias etc. Destaque para a coluna de Trajano, bem na lateral do Fórum de mesmo nome.
Seguimos pela via Del Corso, atravessamos suas calçadas estreitas, paramos para tomar um sorvete e olhamos as barracas de camelôs numa das transversais. Nosso objetivo era chegar à Fontana di Trevi que estava próximo dali. Ela é reluzente, linda, as esculturas e a fonte de água propriamente dita se complementam e parecem dialogar com a multidão que fica em volta, tirando fotos ou apenas apreciando. Um imigrante cobra 5 euros para tirar fotos dos visitantes da fonte. Crianças brincam junto aos blocos de pedra que se continuam com a parte esculpida e que mostra Netuno ao centro, majestoso e parecendo posar para as fotos dos turistas. Um cartão-postal inesquecível da viagem.
Eu queria chegar logo à Praça de Espanha, pois sabia que havia um escritório do AMEX ali e necessitava trocar cheques-viagem. Qual não foi a minha surpresa descobrir que a própria AMEX naquele local cobrava 3% de comissão para trocá-los!! Perguntei se existia algum banco que não cobrava a taxa e o atendente me informou que ali era onde pagaria a menos taxa. Pensei comigo mesmo, pra que servem estes cheques que ninguém aceita na Europa e que, particularmente, na Itália ainda cobram essa taxa. Quando fomos à Lisboa já sabia que cobrariam taxas e nem troquei cheque algum no Brasil, mas na Itália, a informação era que existiam locais livres dessas comissões. Saí de lá contrariado e fui revisitar as escadarias da praça. Minha segunda desagradável surpresa é que colocaram provisoriamente uns tapumes pintados com lembranças da queda do muro de Berlim. Isto é, algum gênio de muito mau gosto teve a ideia de colocar aquelas coisas horrendas e sem ligação estética alguma com as escadarias e estragou a vista que teríamos da tradicional Praça de Espanha. A música que tocava – um rock chato e antigo – complementou o pano de fundo sem nexo estacionado no meio dos degraus da escada. Em compensação, a vista lá de cima é muito bonita e pude identificar a coluna de Trajano ao longe.
Volamos ao metrô e salamos na estação Otaviano, destino final era a basílica de São Pedro.

(continua...)