domingo, 11 de julho de 2010

As Bodas de Filó


Gente bonita e alegre, muita música boa embalando o muito de amor que havia no ar. A vibração não era só de comemoração. Havia ali uma comunhão: de carinho, amizade , família, respeito...reencontros. Além da comemoração das Bodas de Ouro da Dn Filó, os aniversários de duas das filhas também estavam sendo comemorados. Mas as 'estrelas' eram a doce Dn Filó e o marido, não menos doce que ela.
Revi tanta gente querida que a saudade já impunha o reencontro. Nice, Kaká, Marliete, Lú, Ana, Emília... Tomei susto com o tamanho das crianças que teimam em crescer em galopes, quando vimos já estão maiores que os pais e não pude deixar de perguntar pra Dn Filó como ela 'fez' tantos filhos tão 'grandes'. Ela sorriu com seu jeito brejeiro e mais um pouquinho floriu meu coração. Finalmente conheci Gel. E pude lhe contar que em toda noite de frio, mesmo sem conhecê-la me lembro dela, já que são seus sapatinhos de crochê que me aquecem os pés.
Também conheci pessoas queridas de quem já é muito querido. Adorei trocar idéias com tanta gente bacana, espécime rara hoje em dia - este tempo doido em que nada sai da superfície.
O sarau durou a tarde toda recebendo a noite com muito chorinho e mpb da melhor qualidade. Músicos virtuosos comungando do prazer de tocar e deleitando a todos com, na minha opinião, a mais mística de todas as artes.
Foi uma comemoração completa : gente alegre, música boa, comida apetitosa.... Fiquei tocada quando no momento do 'parabéns', além de agradecer a presença de todos, Dn Filó num gesto de gratidão à vida, convidou todos a darem as mãos e puxou um Pai Nosso e uma Ave Maria. Aos 80 anos com rostinho de 60, Filó esbanja vitalidade, carinho e amor.
Mas como tudo na vida passa.... ficou a lembrança gostosa de horas compartilhadas com gente que vale a pena!

sábado, 10 de julho de 2010

Juan Rulfo
























Ontem visitei uma bela exposição no recém inaugurado Instituto Cervantes de Botafogo, "México: Juan Rulfo Fotógrafo".
Juan Rulfo foi um escritor mexicano que viveu no século passado. Além da literatura, tinha como passatempo a fotografia e a seleção de fotos que está exposta no Instituto Cervantes retrata a vida nos povoados mexicanos. Fotos de paisagens desérticas, composições belíssimas com a arquitetura em ruínas local, as plantas típicas e os habitantes e artistas mexicanos. Muito interessante o uso que Juan Rulfo faz das formas geométricas, proporções e o chiaroscuro. As imagens mais impressionantes são aquelas em que o fotógrafo aproveita os contrastes da vegetação e arquitetura locais, sejam como objetos principais ou como molduras para personagens anônimos da região. Alguns retratos de pessoas apenas sugerem uma ideia, enquanto outros passam sensações muito vivas ao espectador. A foto em que Juan Rulfo utiliza as curvas de um muro (cerca de pedra em um campo verde) para realizar uma composição muito original é magistral (http://www.elangelcaido.org/fotografos/jrulfo/jrulfo05.html). O camponês em meio à vegetação (ator de "La Escondida" entre agaves) é de dar inveja como foto bem planejada. A foto da menina em meio às arvores enormes (Alicia nos ciprestes) é de uma beleza sem par (http://www.radiounam.unam.mx/site/images/bastidor/alicia.jpg).
É muito bem vinda essa exposição e a inauguração do Instituto Cervantes num local bastante movimentado de Botafogo.

Roberto

sábado, 3 de julho de 2010

E paramos na Holanda...

Eu imaginava que o Brasil não seria campeão, apesar da grande parte dos times ser tão medíocre ou jogar de forma tão medíocre como o Brasil, mas durante o jogo de ontem, até tomarmos o segundo gol, vi o Brasil na semifinal. Sinceramente, não acho esse time da Holanda melhor que o Brasil, no primeiro tempo eles tomaram um show de bola e o 1 x 0 ficou barato. A Holanda estava tão perdida que um dos destaques da partida (Robben) cobrou o escanteio para ele mesmo e largou a bola perto da bandeirinha. Nunca vi uma jogada tão patética.
O Brasil, apesar da vantagem em todos os sentidos, jogava de forma nervosa e aceitava a "catimba" dos holandeses. Aliás, esses holandeses jogavam que nem argentinos no quesito "catimba". E os brasileiros - e o juiz - foram entrando na onda deles. O Robinho passou a partida inteira discutindo com o juiz e os adversários, mesmo quando ganhava tranquilamente. Um dado comum em todos os jogos da seleção (talvez menos contra a Coreia pela fragilidade do adversário) foi a falta de equilíbrio emocional, mesmo de jogadores conhecidamente ponderados, como Kaká. Talvez, reflexo do comandante desta seleção que gastou boa parte do seu tempo brigando com jornalistas e respondendo de forma exagerada às provocações da imprensa. Some-se a isso tudo uma necessidade da comissão técnica de passar um ar de seriedade que não existiu em 2006 e imagina-se porque esse grupo era tão tenso em campo.
O segundo tempo começou diferente, a Holanda se lembrou que estava numa Copa e voltou melhor. Mas, voltar melhor depois do primeiro tempo que fizeram não foi nada do outro mundo, pois eles não estavam jogando nada. Até o primeiro gol holandês, a partida estava equilibrada e o Brasil mais próximo da vaga. No entanto, como havia acontecido em outros jogos, a defesa deu um apagão. De quem menos se esperava, veio a falha: Julio Cesar. O outro que falhou - e foi o principal personagem deste jogo - havia feito um lançamento primoroso no primeiro gol do Brasil: Felipe Melo. Depois de procurar sua expulsão em outros jogos, este rapaz conseguiu o que todo mundo temia, pois foi expulso e num momento decisivo da Copa para nós. A Holanda havia virado um jogo que nos era favorável, mas com 11 em campo tudo era possível. Depois da expulsão, o que estava ruim ficou pior ainda e o que se via era um show de contra-ataques holandeses e chutões e chuveirinhos por parte dos brasileiros. Crucificar este rapaz como único responsável pelo que aconteceu é injusto. Mas, não é injusto perguntar o que uma pessoa com tamanho desequilíbrio estava fazendo no time do Brasil. Desta vez, saímos por motivos diferentes dos de 2006, quando imperava a bagunça e o estrelismo do jogadores. Dessa vez nem havia estrelas, propriamente ditas; como li em algum lugar da internet: estamos numa entresafra de jogadores. Ganso e Neymar são ótimos jogadores, mas não sei se iriam mudar o panorama do jogo de ontem, não os acho fora-de-série...Como foram Ronaldo e Rivaldo em 2006 (Rivaldo não era da mesma importância do Ronaldo, mas jogou como um fora-de-série e, inclusive, jogou mais que Ronaldo), Romário em 1994 e os tantos outros (Pelé e companhia) nas copas mais antigas. A seleção de 1994, por exemplo, tinha sérios problemas no meio-campo, mas resolvia seus jogos por meio da genialidade do Romário e do ótimo Bebeto. O esquema tático era tão burocrático quando o do time do Dunga.
Em resumo, não merecíamos mesmo vencer esta Copa, mas ficou a sensação de termos saído precocemente. Os dirigentes e comissão técnica apostaram numa filosofia que não deu certo. E que fique como lição o seguinte: seguir concentrado naquilo que se faz, não sair respondendo às provocações indiscriminadamente, procurar fazer o seu melhor e deixar que as coisas aconteçam naturalmente.

Roberto

domingo, 27 de junho de 2010

Casamento

"Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como 'este foi difícil'
'prateou no ar dando rabanadas'
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa, vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva."

Adélia Prado

domingo, 6 de junho de 2010

Copa do Mundo



Faltam poucos dias para o início da Copa, mas internamente não me sinto entusiasmado com isso. Há um bom tempo, aliás, não me entusiasmo tanto com futebol. Só paro em frente à tv quando passam jogos do Flusão ou...em Copa do Mundo. Depois que o esporte se tornou mais exigente no que diz respeito à preparação física e sistemas táticos defensivos, o jogo ficou muito chato. Na minha época de garoto, a paixão era muito grande, existia aquela rivalidade entre os quatro grandes do Rio, Maracanã cheio de gente, seleção brasileira em que conhecíamos todos os craques que jogavam. Raramente um jogo era transmitido pela tv, quem quisesse conhecer os times da época deveria ir mesmo ao Maracanã. Não me esqueço das tardes de domingo quando íamos assistir aos grandes clássicos: Fla x Flu, Flamengo x Vasco, Flamengo x América...Não sou flamenguista - quem escreve é um tricolor -, mas meu pai e irmãos torcem pro Flamengo e aí não tinha jeito. Escolha de time de futebol é influenciada diretamente pelo pai e eu já fui Flamengo um dia. No entanto, ainda criança, descobri minha verdadeira vocação: ser tricolor. Na época da máquina tricolor, cheguei para o meu pai e falei: vou ser Fluminense agora! Ele não acreditou, achou que era onda de criança, mas o tempo foi passando e ninguém acreditava...os outros adultos perguntavam meu time...Fluminenseeee!!! (rs) comprei a primeira camisa tricolor, vi o time ser campeão carioca em 1980...Nem eu levava fé na minha escolha, mas, como diversas decisões que tomei na vida, dei um crédito à ela e investi com coragem.
O panorama futebolístico que encontro nos dias de hoje é totalmente diferente daquele em que cresci. Estádios vazios, excesso de jogos na tv, jogadores milionários, seleção brasileira sem identificação alguma com seu povo, jogos chatos etc. A paixão ainda continua, pois o futebol é mágico e permite discussões acaloradas e democráticas, seja você um empresário, peão de obra, dona de casa ou um menino de 7 anos. Todos pensam entender de futebol. Todos são juízes de futebol. O que seria das segundas se não houvesse futebol nos fins de semana?
Eu só lamento que haja tanto apelo financeiro em torno de uma paixão esportiva mundial. De uma hora para outra, jogadores outrora desconhecidos viram ídolos maiores que seus clubes ou seleções, a fartura do dinheiro proporciona exemplos de vida indignos da representatividade que esse jogadores têm na vida das crianças. Perdeu-se a magia dos jogos na rua, com pés descalços, chutando-se aquelas bolas de plástico. Era assim que jogávamos antigamente entre amigos e vizinhos. A senha para terminar os jogos eram as mães chamando as crianças de volta para almoçar ou jantar.
Mas, a Copa vai começar, o Brasil vai estar em campo de novo e o país inteiro (eu, incluído) vou torcer muito, independente de não vermos ruas pintadas e enfeitadas como antes e de não termos identificação com essa seleção insossa que nos representa na África. Que acabe logo esse negócio para o Fluminense continuar sua arrancada.

Roberto Mogami