domingo, 3 de janeiro de 2010

Gabriel, Danielle, Ellen e Márcio (da esquerda para direita)


O casal à esquerda é composto dos meus amigos Gabriel e Danielle. O Gabriel conheço há mais tempo e foi meu colega de turma no Fundão. Daquele grupinho faziam parte ainda o Antônio, Nilton e Carlos e de forma um pouco menos frequente Ivan, Jorge e Erik. Entramos no segundo semestre de 1987 e para o Gabriel era a segunda tentativa, após alguns anos de faculdade de Engenharia na própria UFRJ.
O Gabriel era aquele amigão para quem a gente contava nossas dúvidas e segredos. Tínhamos e temos uma admiração muito grande um pelo outro. Enalteço a sua integridade, bondade, dedicação e amor pelo próximo. Ele era um cara participativo e animado para mudar as coisas para melhor. Um ser humano fantástico que tinha uma qualidade fundamental para ser um bom médico: compaixão. Mas, isso não me surpreende pois ele tinha uma formação religiosa que engrandecia o companheiro admirável que ele era.
Aquele grupo de colegas, ou melhor, de amigos também gostava de jogar futebol ou, pelo menos, achava que jogava algo parecido com o futebol. O Gabriel era o goleiro, o restante dos amigos se revezava na linha. Durante um bom período da faculdade era sagrado o nosso futebol de salão às sextas. O mais habilidoso do time era o Florizan, um colega de Matogrosso, mais precisamente de uma cidade chamada Barra do Garça. A gente mexia muito com ele, perguntávamos: "Florizan, lá tem Rede Globo, televisão, rádio etc?" Ele ficava p* da vida com este tipo de questionamento. Além do futebol de salão, tínhamos um time de society que participava das competições entre turmas de medicina do Fundão. Nós éramos o time B da turma, o time A era formado por um outro grupo que chamávamos de turma do Chapa (inspirado naquele desenho com umas motos). Eu costumava organizar os treinos e amistosos do nosso time. Fazíamos (ou tentávamos fazer) uma preparação séria, mas a falta de categoria do time era um problema grave...Quando senti que faríamos um papelão no campeonato, resolvi marcar "treinos" extras para a hora do almoço. Chegava perto de algum colega de turma e perguntava: "Fulano, vc pode colaborar participando do time adversário que vai treinar contra nossa equipe?" Chegaram a discutir comigo por causa do rigor dos treinamentos. Em uma ocasião o professor de cirurgia atrasou uma aula, mas mesmo assim exigi que todo mundo saisse da sala para "treinar" no campinho em frente ao hospital. O Ivan mineiro reclamou muito, mas respondi: "não posso fazer nada se esse professor irresponsável não sabe cumprir os horários". O nosso time era tão medíocre que uma vez empatamos, a muito custo, uma partida disputada contra um combinado de "curiosos" da nossa turma, que só conheciam futebol quando o Brasil jogava na Copa do mundo. Quanto a mim, eu era aplicado na defesa, sabia me antecipar e prever as jogadas. E só....(rs). Quando criança era tão ruim de bola que, em certa ocasião, li de cabo a rabo um livro com ensinamentos do Pelé (sim, ele mesmo, Edson Arantes do Nascimento) sobre os fundamentos do futebol. Muito bem ilustrado, o livro era cheio de dicas e orientações sobre domínio de bola, drible, passe, cabeçadas etc. Dava orientações até sobre ser goleiro. Depois que li o livro, chamei todos os garotos da rua para jogar uma pelada na calçada em frente de casa. Tinha certeza que, daquela vez, iria arrebentar. Durante a partida, eu me superei realmente. Fui tão mal que até chutar o chão, eu chutei. Saí decepcionado e consciente que jogar futebol não se aprende em livros.
A Danielle é esposa do Gabriel e a conheci há pouco tempo, casualmente, quando soubemos que trabalhávamos no mesmo hospital. Desde então nos falamos ocasionalmente, mas sempre faço os exames dos pacientes que ela encaminha para avaliação ultrassonográfica. Eu a admiro, pois trabalha com brilho num meio dominado por homens, mas sabe mostrar suas qualidades e corre atrás quando é necessário. Além disso, é uma pessoa muito gentil e educada, a companheira certa para um cara como o Gabriel.
Meu irmão mais novo era o centro das atenções da minha casa, principalmente do meu pai. Quando ele nasceu, eu já contava seis anos e fui, realmente, o irmão mais velho para ele. Sempre tive muito carinho pelo Márcio e recordo-me com saudades da época em que "tomava conta" dele. Sentava-me a seu lado para dar aquelas sopinhas da Nestlé e acabava "dividindo" o potinho com ele. O meu relacionamento com o Márcio era diferente, pois o Duda era mais meu parceiro e o Neno (seu apelido) era o caçula, a quem eu deveria dar o exemplo. Dos dois, acho que é o mais parecido comigo.
Dos tempos em que morávamos juntos, a recordação que mais me marca foi o acidente de carro que ele sofreu na Barra. Como fiquei arrasado com o que aconteceu naquele fim de semana, naquele momento percebi como gostava muito dele.
A Ellen é minha cunhada que tem um astral magnífico e a pessoa que sempre me apoiou nos momentos que precisei. Conversar com ela é motivo para dar boas risadas porque ela tem cada tirada engraçada...Uma vez contei que as gatinhas de casa ficavam olhando o tempo inteiro para a gaiola com o passarinho do meu pai que estava na varanda (quando meu pai adoeceu, fiquei encarregado de tomar conta do coleiro). Aí ela disse: "elas devem ficar falando uma para outra, se cair no chão, pode deixar, a gente reparte igual". Mesmo tendo entrado depois para a minha família, ela se encaixou muito bem e o amor que ela dedica aos meus sobrinhos é algo admirável, pois são quase filhos dela.

(foto de Felipe Goifman e Glenda Rubinstein)

Roberto

Natan, Maria Alice, Stephanie, Christian e Lucas (da esquerda para direita)


Esta é a tropa de choque que abriu passagem para os noivos na igreja. O Natan e Stephanie são meus sobrinhos, a Maria Alice é a amiguinha (quase parte da família) da Stephanie e o Lucas é o filho mais novo da Adriana, prima da Débora.
A Stephanie foi a primeira sobrinha que nasceu. De início eu achava estranho, ficava pensando "puxa, sou tio agora..." Olhava para aquela coisinha pequena e dizia comigo mesmo "é sangue do meu sangue, é uma Mogami". Mas, aos poucos fui me acostumando. Na primeira vez em que fiquei sozinho tomando conta da Stephanie, ela apertou o botão "start" e começou a engatinhar pela casa inteira e eu como um louco atrás dela. Não sei porque criança pequena gosta de mexer num vaso de porcelana e ela não sossegava enquanto não pegasse um vaso desses que estava na parte de baixo da mesa do telefone. De repente, num desses rompantes de criança, ela bateu a cabeça na mesa de centro. Não preciso dizer que ela abriu o berreiro e eu, tio desesperado e marinheiro de primeira viagem, não sabia o que fazer para acalmá-la. Na hora lembrei que ela gostava de ser jogada para cima no meu colo nas horas em que bricávamos. Foi pior ainda...Minha sobrinha passou a chorar mais. Aí não teve jeito: "mãeeeee, a Stephanie tá chorando!"
A Stephanie sempre foi aquela menina graciosa, sonhadora e admiradora dos adultos, principalmente de pessoas como a tia Débora. Quando viajávamos, eu já sabia que tipo de brinquedo iria levar como lembrança, era sempre algo com princesas, príncipes, maquiagens etc. Nunca vi criança tão meiga.
A amiguinha dela, Maria Alice, é a irmã que a Stephanie não tem. Quando estou no Recreio e não vejo a Stephanie, já sei onde ela deve estar: na casa da Maria Alice. É uma menina inteligente, educada e conta com pais muito amáveis também. Posso estar errado, mas ela me passa a impressão de ser "mais pé no chão" do que a Stephanie, mas as duas se completam, cada uma a seu jeito.
O Natan é meu afilhado querido. Quando era mais novo, ele sempre ia ao meu quarto me visitar e pedir para jogar o CD do "Wood". Sim, é ele mesmo, Wood e Buzzlightyear, do Toy Story. Eu sou fã desse desenho e já marmanjo na Disney quis tirar uma foto ao lado do Buzz. Procurava, procurava e não achava o Buzz. Já tinha visto todo mundo: Rei Leão, Pateta, Piratas do Caribe, aquele ursinho cor de abóbora (esqueci o nome), mas nada do Buzz...Quando eu o encontrei, um batalhão de crianças cercou o personagem. No entanto, a vergonha foi tanta que só tirei a foto do Buzz sem ninguém do lado porque a zoação quando chegasse ao Brasil iria ser geral. Mas, voltando ao meu sobrinho...Passamos muitas horas juntos aprendendo como jogar Sonic pela internet, naturalmente jogando o game do Wood e disputando partidas de Street Fighter. Mas, ainda bem que o Christian cresceu e compraram Nintendo, Playstation etc (rs).
Aliás, apesar de ter sido "CDF" na escola, eu gostava muito de videogame. Sou da geração que viu o Atari virar febre entre as crianças. Na verdade, eu era tão antenado nessas coisas de dispositivos eletrônicos que ganhei meu primeiro Atari antes dele ser lançado no Brasil. Os Ataris importados eram vendidos naquele jornal "Balcão" e fui comprar o meu de um vendedor na Ilha do Governador (provavelmente devia ser um desses executivos de fronteira). No primeiro dia que instalei o Atari na tv, meu pai ficou até de madrugada jogando Combat comigo. Aliás, eu me lembro bem de um feriado de carnaval que passamos no Recreio e o meu pai "alugou" o megadrive para ele. Deve ser genético esse gosto pelos videogames. Atualmente, já não tenho tanta paciência, mas sinto saudades, mesmo dos jogos de computador como Age of Empires, Doom (outro vício) e Quake. Quem nunca passou noites na internet jogando Quake pela rede? Nas madrugadas, eu entrava no servidor do Centroin (provedor) e plugava o cabo da placa de som num daqueles systems da Gradiente que possuíam aqueles caixões de áudio. O barulho que saía do meu quarto era ensurdecedor, uma mistura de "O massacre da serra elétrica" com "Platoon". Tiros, gritos, explosões pra tudo que é lado. Algumas vezes, a "ex" daquela época ligava lá pra casa e perguntava "Cadê o Roberto, Dona Tereza?" "Ele está lá no quarto jogando aquele brinquedo".
Bem, mas eu estava escrevendo sobre meu sobrinho Natan. Que filho adorável, um menino muito educado e que me orgulha como sobrinho. Graças à minha cunhada são crianças tranquilas e muito afetivas com seus parentes mais próximos.
O Lucas é o que menos contato tem comigo, pois conheci a família da Débora há muito menos tempo, obviamente, e nos encontramos pouco em virtude do trabalho e da distância. Mas, ele e seu irmão Guilherme são pessoas muito especiais para Débora e para mim também. No planejamento da entrada dos pajens, o Lucas já estava com ingresso marcado, assim como meus sobrinhos. Na festa formaram a linha de frente das brincadeiras na pista de dança e se comportaram muito bem durante toda a cerimônia e festa.
Finalmente, aquele que todos me perguntam quem é..."Quem é aquela gracinha que estava carregando as alianças?" "Quero um pra levar pra casa" "Quem é aquele menininho com o cabelo lisinho?" É o Christian, meu sobrinho e irmão da Stephanie. Ele é um xerox do meu irmão mais novo quando era criança. Eu olho para este meu sobrinho e vejo meu irmão com um ano, tão incrível é a semelhança. Que criança boa, meu pai já observava esta qualidade nele desde o início. Você chega para conversar com o Christian e ele escuta numa boa. Mas, é um menino que tem suas opiniões próprias. Foi um custo convencê-lo a ser "daminho". Queria entrar do lado da irmã, fez questão de uma almofada "pra menino", mas cumpriu seu papel com maestria. Nota dez. Vejo nele qualidades que podem diferenciá-lo no futuro. Acho que ele só precisa de muito carinho e amor (coisa que ele tem de sobra) e liberdade para se expressar e compreender esse vasto mundo.

(foto de Felipe Goifman e Glenda Rubinstein)

Roberto

sábado, 2 de janeiro de 2010

Jorge e Rosinha







Esse casal é muito amigo da minha família, praticamente são membros dela, pois a mãe da Rosinha era nossa vizinha de corredor no prédio em que residíamos na Vila da Penha. Eu era adolescente, a Rosinha e o Jorge eram namorados ou noivos e no apartamento também moravam o irmão da Rosinha e a Dona Maria, a matriarca. Eram e são pessoas incríveis, construímos uma amizade que ultrapassa o tempo e a geografia, vivenciamos muitas coisas juntos.
Morávamos no segundo andar de um prédio pequeno com três andares. A família da Dona Maria foi residir posteriormente, mas a empatia entre nós foi quase imediata. O falecido irmão da Rosinha era vascaíno doente e cismava que meu irmão mais novo, flamenguista, teria que virar a casaca. Chegou até a comprar a camisa da torcida organizada "Pequenos Vascaínos" para o meu irmão, mas não teve jeito...Eu não sei dizer o que é pior, ser vascaíno ou flamenguista. Mas, sei afirmar o que é o melhor: ser tricolor.
Nossas famílias eram tão amigas que as portas dos apartamentos ficavam abertas para o corredor comum. Era frequente a Dona Maria aparecer lá em casa e a minha mãe visitá-la também. A Dona Maria era uma cozinheira de mão cheia, como poucas que eu vi. Eu não gosto de peixe assado, mas ela fazia um peixe no forno que era algo de outro mundo. O peixe tinha uma apresentação espetacular, era recheado com camarões e fechado com um barbantinho. Aquele peixe eu comia e pedia bis porque era divino.
Presenciei o drama da família da Rosinha em duas ocasiões, no falecimento do irmão e da primeira filha. Foram ocasiões muito tristes e talvez na minha imaturidade eu não tivesse a dimensão do que é perder um ente querido. Eu me recordo como se fôsse hoje do dia em que estava perto do telefone de casa e, por algum motivo, a Rosinha estava recebendo ou fazendo ligações do nosso aparelho. Ela estava desconsolada com a perda do irmão e eu não sabia o que dizer, simplesmente emudeci.
Ficamos muito felizes com a presença de vocês e esperamos manter esse relacionamento por várias gerações.

(foto de Felipe Goifman e Glenda Rubinstein)

Roberto

Vânia e Cristiane


A Vânia está de vermelho, me abraçando. Cristiane está junto ao marido, conversando com a Débora.
Vânia era minha companheira numa clínica de radiologia em Copacabana. Dividíamos muitos períodos juntos, eu trabalhando na tomografia/usg e ela na usg. Ficávamos cada um em sua bancada, falando mal ou bem das pessoas (rs), comentando sobre filmes e contando as histórias do nosso dia-a-dia. Ela é uma pessoa com um astral incrível, mas sem ser exagerada. Eu me divertia com os seus comentários acerca do que acontecia a nossa volta, pois ela sabia ser irônica na medida certa. A primeira impressão que passei não foi das melhores, pois ela me confessou, uma vez, que ficou decepcionada quando soube que eu iria trabalhar com ela aos sábados, "putz, vou ter que trabalhar com aquele cara" (rs). Acabamos nos tornando grandes amigos e comentaristas/críticos do cotidiano radiológico (o popular "fofoqueiros"). Dávamos muitas risadas com os tipos que militam na nossa especialidade e os pacientes extravagantes que, vez por outra, apareciam para fazer exame. Havia uma paciente mala que adorava a Vânia e sempre fazia exames com ela. Depois que fiquei sabendo que a paciente sempre a chamava de Dra. Albuquerque, nunca mais consegui chamá-la de Vânia novamente. Saudades das nossas conversas, amiga.
Cristiane é minha sócia, literalmente. Quando eu morrer, podem cobrar as dívidas da firma na casa dela (rs). Brincadeiras à parte, ela é uma ótima colega, não poderia ter encontrado alguém melhor do que ela para ser minha sócia. Quando eu penso em fazer alguma coisa relacionada à firma, a Cristiane já está por dentro do assunto muito antes. E não deixa furo algum. Nosso relacionamento é muito tranquilo e estamos sempre nos comunicando, seja por email, telefone ou SMS. Recentemente, nos encontramos com ela e seu marido para um bate-papo descontraído sobre nossa viagem de lua-de-mel. Eles nos deram muitas dicas e recomendações sobre o país (Itália) e a Débora se entendeu muito bem com a Cristiane. Estamos devendo um outro encontro para mostrar as fotos e atualizar as novidades, mas isso não vai demorar a acontecer. Amiga e sócia, muito obrigado a você e ao Marcos pela presença.

(foto de Felipe Goifman e Glenda Rubinstein)

Roberto

Andrea


Essa era uma das minhas melhores amigas nos anos de residência médica. Eu estava um ano a frente, mas a Andrea era companhia frequente nas rodas de estudo, discussão de casos e papos informais, juntamente com a Ana Célia, Marise, Henrique e outros. Mais tarde fomos trabalhar juntos numa clínica em Copacabana, de onde já saí, mas onde deixei muitos amigos.
A Andrea é aquela pessoa guerreira, mas uma batalhadora com um jeito muito meigo e doce de ser. É uma pessoa extremamente gentil, prestativa e com um coração enorme. No tempo em que estivemos em contato, lembro-me que tudo era conseguido com muito suor e trabalho. Eu ficava impressionado com a energia e a garra que ela demonstrava em tudo que fazia. Corria atrás mesmo.
No Pedro Ernesto, eu a via como aquela irmã mais nova que eu nunca tive. E talvez eu e a Ana fôssemos os irmãos mais velhos (que talvez ela nunca teve também, pois acho que seu irmão era mais novo).
Andrea também foi (ou ainda é...rs) corredora amadora como eu. Trocávamos várias informações sobre competições, lugares para treinar, equipamentos de corrida etc. Recordo com satisfação os seus relatos da maratona de Paris e da meia de Praga. Talvez incentivado pelo seu exemplo fiz a minha estreia na meia de Ottawa e depois fui correr as duas únicas maratonas do meu currículo: Chicago e Berlim. Na minha estreia em Chicago, ventava e fazia tanto frio na largada (zero grau) que eu ficava me perguntando: "O que estou fazendo aqui...?" Nunca treinamos juntos, pois pertencíamos a assessorias esportivas diferentes e os meus treinos também incluíam bicicleta, já que eu também participava de trilhas e competições de mountain bike. Aliás, no mountain bike eu também tive meu momento "O que estou fazendo aqui...?" Competi em Passa Quatro, MG, e a primeira ladeira de terra batida era uma subida íngreme de 12 kms. De onde eu larguei, não conseguia vir o topo da primeira subida. Depois foram mais 34 kms de sobe e desce. No dia seguinte foi um pouco mais light, só 26 kms de ladeiras. Voltei pro Rio com uma contratura de musculatura lombar que perdurou durante uma semana.
Infelizmente, um dos maiores dramas familiares da Andrea esteve ligado a este esporte, a bicicleta. O ex-marido era corredor e triatleta amador. E, lamentavelmente, nos deixou após um atropelamento enquanto treinava de bike. Depois que seu ex-marido faleceu, perdi o entusiasmo de vez, pois outros conhecidos já haviam sofrido acidentes fatais terríveis. Eu achava perigoso ter que pedalar sozinho pelo Recreio e mesmo dentro do pelotão na Barra. Muitas vezes era obrigado a acordar de madrugada para evitar o trânsito e mesmo nessas horas via cada barbaridade...Certa vez, quando estava para contornar um dos anéis da orla do Recreio, escutei um estrondo muito grande e posteriormente o barulho de aço atritando contra o chão. Eram 4:50h da manhã e, boquiaberto, vi um carro capotado arrastar-se pela rua, atravessando o cruzamento que se comunica com aquela ponte em construção. Só existem loucos e bêbados trafegando pela rua nesse horário. O falecimento do Marcelo me deixou triste e desanimado para pedalar. Minhas duas bikes estão encostadas, talvez eu as reforme de novo e volte a pedalar ocasionalmente...
Andrea, amiga, muita luz! Você merece brilhar sempre!

(foto de Felipe Goifman e Glenda Rubinstein)

Roberto